
O Brasil conta com mais de 230 bancos de leite humano espalhados pelo País, mas ainda enfrenta desafios para ampliar as doações e atender todos os recém-nascidos prematuros e de baixo peso que precisam do alimento. Segundo especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um dos principais obstáculos é conscientizar mulheres lactantes sobre a importância de doar o excedente de leite materno, que muitas vezes é descartado.
A coordenadora da rBLH e do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fiocruz (IFF/Fiocruz), Danielle Aparecida da Silva, ressalta que é comum mulheres com excesso de leite materno descartarem o volume que não é consumido pelo bebê.
“A gente precisa sensibilizar muito mais a sociedade para que ela se direcione aos bancos de leite. Temos que levar esse conhecimento a ela, para que não jogue fora, mas doe aos bancos de leite humano”, diz Danielle.
O banco de leite humano é um serviço de saúde para toda a sociedade, que apoia as mulheres a amamentarem e coleta a produção excedente. O leite humano doado passa por um processamento e controle de qualidade e é direcionado a recém-nascidos prematuros e de baixo peso ao nascer.
“Só que a gente ainda não alcança o volume suficiente para atender 100% desses bebês. Essa doação é flutuante ao longo do ano. Após o mês de maio, quando a gente consegue sensibilizar mais a sociedade, a doação cai muito”, explica.
A baixa doação ocorre, principalmente, no período de férias e das festas de fim de ano. O Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira registra, em alguns meses, entre 100 e 150 doadoras que produzem uma média de 100 litros a 150 litros por mês.
Danielle lembra que com a proximidade do inverno, começam as doenças respiratórias e há a internação de muitos bebês. Com isso, aumenta o número de receptores, mas o volume de leite não consegue atender.
A coordenadora destaca que todo o leite doado para a rede é mais do que um alimento, constitui um recurso terapêutico para esses bebês, porque vai atuar na imunidade e no desenvolvimento dessa criança.
(Alana Gandra/Agência Brasil)
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