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Com dois dias úteis a menos, abril não repetiu os bons números de março, mas apresentou indicadores positivos na comparação com o mesmo período do ano passado, o que indica um mercado em recuperação contínua de volumes. O ponto de atenção no balanço mensal da Anfavea é que o volume de emplacamento de importados segue em alta, mesmo após a chegada de novos fabricantes ao país.
A produção de autoveículos somou 225,8 mil unidades, alta de 2,4% sobre abril de 2025. No quadrimestre, o volume de 872,6 mil unidades é 4,9% superior ao do mesmo período do ano passado.
As exportações em queda impediram um melhor ritmo dos fabricantes nacionais. No acumulado, as 142,4 mil unidades enviadas ao exterior representam recuo de 16,9%. Embora os embarques de 43,2 mil em abril tenham sido 8,2% maiores que em março, houve queda de 11,7% em relação a abril de 2025. No ano passado, o mercado argentino absorveu volume elevado de produtos brasileiros, mas isso não se repetiu neste quadrimestre.
Em relação ao mercado interno, há motivos para celebração, mas com ressalvas. O volume total deste ano chegou a 873,5 mil autoveículos, com aumento de 14,9% sobre os quatro primeiros meses do ano anterior. Só no mês passado foram 248,3 mil unidades, alta de 19% sobre abril/25.
Porém, a estratificação desse aumento mostra sinais de alerta, como a alta de 12% nas vendas de produtos importados — 168,1 mil em quatro meses. “Esperava-se substituição da importação pela produção local à medida que novos fabricantes começassem a atuar em território nacional, mas por enquanto isso ainda não ocorreu”, afirmou Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Os veículos eletrificados registraram recorde de participação em abril, com 18,3% de todos os emplacamentos, sendo 40% de origem nacional. Chama atenção a curva ascendente de vendas de modelos 100% elétricos nos últimos quatro meses. No último mês, foram 17,5 mil unidades, acima dos 13,2 mil híbridos plug-in e dos 12,7 mil híbridos sem tomada de carregamento.
Move Brasil 2 dá novo alento ao setor de pesados
O encerramento da primeira fase do Move Brasil foi marcado pela agilidade na distribuição dos recursos, que facilitaram o crédito para aquisição de caminhões novos e seminovos — com juros menores para quem entregou modelos antigos para reciclagem.
O programa reduziu a queda de vendas, que estava em 31,5% em janeiro, para 17,2% no quadrimestre. “Esperamos eliminar esse gap e voltar aos volumes normais de emplacamento com o Move Brasil 2, que vai disponibilizar R$ 21,2 bilhões para financiamento de caminhões, sobretudo para autônomos, e para aquisição de ônibus e implementos rodoviários mais modernos”, explicou Igor Calvet.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
