
Os servidores municipais de São Bernardo decidiram por greve na categoria até que o governo altere a proposta de reajuste salarial e estabeleça uma negociação para resolver outras questões da categoria, sobretudo as que afetam os profissionais da educação. A decisão da classe aconteceu na noite desta quarta-feira (22/04), durante assembleia organizada pelo Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos). Na pauta, a Prefeitura apresentou 4,36% de reajuste, em duas vezes, já a categoria reivindica 14,36%.
A crise entre Prefeitura e servidores já tem quase um mês, desde que a proposta do governo chegou à Câmara e acabou aprovada no dia 01/04, sob protestos da categoria que até tentou usar a tribuna da Casa de Leis para falar contra o projeto, mas não obteve espaço. Para o presidente do Sindserv de São Bernardo, Dinailton Souza Cerqueira, a proposta governista, quanto ao reajuste salarial, não cobre sequer a inflação.
A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 12 meses – entre abril de 2025 e março de 2026 – ficou em 4,14%, porém a divisão em duas partes do aumento, segundo o Sindserv, anula qualquer a cobertura inflacionária. “Esse valor parcelado não repõe sequer a inflação do período e isso criou um grande descontentamento da categoria. Esse é o maior agravante dessa negociação e a categoria rejeitou a proposta”, disse Cerqueira.
Segundo a proposta do governo os 4,36% de reajuste seria dividido em duas partes, sendo 2% retroativo a março e 2,36% em outubro. “A categoria quer 14,36% e que seja respeitada a data base de março, além disso quer um debate com a Educação sobre algo que se discute desde a pandemia. Antes o professor poderia apresentar até quatro títulos de especialização, dois latu sensu e dois stricto sensu, hoje só pode dois e isso reduz a carreira do magistério”, diz o líder sindical.
Segundo Cerqueira, a categoria também critica a postura de bonificação para parte dos servidores da educação, pois, como isso não é incorporado ao salário, por qualquer falta, mesmo que justificada por problemas de saúde, por exemplo, o professor já perde esse bônus. “Isso não é valorização do profissional”, aponta.
Outras questões como os problemas com o plano de saúde, abono de Natal, cronograma para redução de 40 para 30 horas de trabalho para os auxiliares da educação e o Plano de Cargos, Carreiras e Salários para os Guardas Civis Municipais, também estão na mesa de negociação.
O Sindserv diz que a categoria está mobilizada há vários dias, com diretores sindicais em diversos setores da prefeitura, orientando sobre a negociação e agora a paralisação prevista para sexta-feira (24/04). A expectativa é de adesão significativa da categoria.
“A gente espera uma adesão de pelo menos 50% dos servidores, respeitando os limites mínimos para os serviços essenciais. A nossa mobilização começa as 7h com concentração na praça Santa Filomena seguida de caminhada pelo Centro. Ao final do dia teremos uma assembleia para analisar os próximos passos do movimento, se houver uma nova proposta do governo ela também será apresentada e votada pela categoria”, completa Dinailton Souza Cerqueira.
A Prefeitura de São Bernardo tem o maior contingente de servidores municipais entre as cidades do ABC. Segundo o Sindserv, são cerca de 12,7 mil trabalhadores. Só a folha de pagamento da Prefeitura, segundo a Lei Orçamentária Anual para 2026, é de R$ 1.579.128.000,00. O orçamento total da cidade é de R$ 7.586.000.000,00. A receita é a maior já alcançada pela cidade em sua história e 12,82% maior que a do ano anterior.
Nota da Prefeitura
Por meio de nota, São Bernardo informa “que mantém mesa permanente de negociação com o Sindserv, seguindo com diálogo aberto com o sindicato. A proposta de reajuste apresentada pelo Sindserv objetiva pôr fim às perdas inflacionárias acumuladas durante o mandato do ex-prefeito, no período de 2017 a 2024. Por outro lado, esclarecemos que a inflação de 2025 foi aplicada e, neste exercício, houve a concessão de 3,36%, referente ao INPC acumulado no período de março de 2025 a fevereiro de 2026 e houve, ainda, a concessão de 1% de aumento real, perfazendo, portanto, 4,36% de reajuste.
Há de ser ressaltado que o reajuste foi concedido com base em estudos técnicos que consideram o impacto financeiro nas contas públicas, observando rigorosamente os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Neste momento, não há previsão de ampliação do índice concedido para o exercício de 2026, uma vez que já foi concedido o índice inflacionário e mais 1% de aumento real.
O município reafirma diálogo constante com a categoria – o que tem sido uma postura da atual gestão em todos os segmentos -, dentro do plano de valorização do funcionalismo público. Entre as conquistas listadas está a retomada, em 2025, o pagamento de progressões de carreira e promoções – congelados desde 2022. A Prefeitura iniciou, em fevereiro do ano passado, processo para aplicar os benefícios a quase 5 mil profissionais de carreira do município. Até dezembro de 2025, o município destinou R$ 20 milhões na primeira etapa de equalização dos passivos. A partir de janeiro de 2026, o Executivo prevê investimento de outros R$ 45 milhões. Para os servidores da Educação, a administração criou programa de incentivo à alfabetização e recomposição de aprendizagens dos alunos da rede pública municipal. A medida estabelece a concessão de pagamento de gratificação a profissionais da área, baseada em metas de aprendizagem.
Por fim, no que se refere à remuneração dos professores da rede municipal, pontuamos que os salários não estão abaixo do piso nacional e, para garantir o pagamento, foi editada a Lei Municipal nº 7.585, de 9 de abril de 2026, assegurando o pagamento de R$ 5.130,63 aos professores da rede de Educação Básica do município de São Bernardo”, diz a nota.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
