ABC - sábado , 11 de julho de 2026

No ABC, 264 vítimas de violência doméstica têm auxílio-aluguel, maior volume de SP

Protesto contra a violência que vitima mulheres. No ABC aumenta o número de casos e a região também lidera o número de inscritas em programa estadual de auxílio aluguel. (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Na região metropolitana de São Paulo, o ABC é o grupo de cidades que tem o maior número de inscritas no Programa Auxílio-Aluguel para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica. São 264 que já foram beneficiadas pelo programa criado no ano passado e atualmente 241 recebem R$ 500 mensais durante seis meses, benefício que pode ser renovado por igual período. A região ter maior número de inscritas reflete a ascensão dos casos de violência contra a mulher nas sete cidades. Somente nos feminicídios a alta foi de 100% entre 2024 e 2025, mas há também as tentativas de assassinato, as agressões físicas, morais e psicológicas.

O levantamento foi feito pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo que aponta também o perfil das vítimas, considerando os números do Estado. A faixa etária mais representada é a de 30 a 39 anos, com 2.002 mulheres – 38,8% do total. Em seguida aparecem as mulheres entre 40 e 49 anos (1.321 beneficiárias, 25,6%) e entre 20 e 29 anos (1.241 atendidas, 24,0%). Juntas, mulheres de 20 a 39 anos somam 3.243 beneficiárias, ou 62,8% do público atendido.

Só nas sete cidades do ABC o programa já fez R$ 779 mil em aportes. São Bernardo é a cidade com o maior número de mulheres vítimas de violência beneficiadas desde o início do programa, 84. Depois vem Mauá, com 60 inscritas; Rio Grande da Serra tem 43; Diadema aparece com 34 beneficiárias; Santo André com 30; São Caetano tem oito e Ribeirão Pires, cinco.

Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Social de SP

Considerando só as que estão com benefício ativo no ABC, são 75 em São Bernardo, 60 em Mauá, 36 em Rio Grande da Serra, 31 em Diadema, 26 em Santo André, oito em São Caetano e cinco em Ribeirão Pires, totalizando as 241 inscrições ativas.

Segundo Marcelo Ricci, da Diretoria de Desenvolvimento Social e coordenador do Auxílio Aluguel, esse recurso é importante para que a mulher consiga se afastar da violência e recomeçar a vida.

“Entendemos que o papel dos municípios no acompanhamento é fundamental também. A gente sabe que não há um tempo específico para essa retomada, o retorno às atividades comuns e a rede socioassistencial e fundamental nesse processo juntamente com esse recurso do governo do Estado”, di Ricci.

Ricci destacou a adesão dos municípios ao programa hoje em 96% e a intenção e inserir todos no programa ainda este ano. No ABC as sete cidades já aderiram. “O auxílio aluguel demonstra que os municípios têm atuado em consonância com o Governo do Estado e apoiando as ações. Os municípios não precisam fazer nada além de destacar técnicos que já atuam junto a este público e, à partir desta adesão, vai conseguir apoiar mais mulheres”, diz o coordenador. Ele explica ainda que, na adesão, os municípios apresentam três técnicos que farão a recepção e os documentos comprobatórios para que a mulher possa receber o auxílio.

Marcelo Ricci é coordenador do programa Auxílio-Aluguel para Mulheres Vítimas de Violência. (Foto: Reprodução)

Ricci explica que para ter direito ao benefício a mulher precisa ter medida protetiva expedida pela Justiça no âmbito da Lei Maria da Penha, além de residir no Estado, estejam em situação de vulnerabilidade e cuja renda, até o momento da separação, não ultrapasse dois salários mínimos. O cadastramento é feito pela rede municipal de assistência social nos municípios participantes. Após análise e aprovação, o valor é disponibilizado por meio de Poupança Social no Banco do Brasil, diretamente às beneficiárias.

Além do suporte financeiro, o programa articula outras políticas públicas municipais, ampliando o acesso a serviços de proteção social, orientação e acompanhamento às mulheres atendidas em todo o Estado.

Onde buscar ajuda:

Na Assistência Social: nos CRAS (Centros de Referência da Assistência Social), Creas (Centros de Referência Especializados de Assistência Social) e Centros de Referência de Atendimento à Mulher.

Na Saúde: UBSs (Unidades Básicas de Saúde), Prontos-Socorros e hospitais.

Na Segurança Pública: nas DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher), nos Distritos Policiais e nos Batalhões da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. As denúncias podem ser feitas também no Disque 180.

Nos órgãos do Sistema de Justiça: Ministérios Públicos, Defensorias Públicas e Ordem dos Advogados do Brasil.

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