ABC - segunda-feira , 15 de junho de 2026

Sindicato denuncia que professores sofrem assédio moral em escola de S.André

Diretoria do Sinpro durante ato realizado em frente ao colégio de Santo André. (Foto: Viva ABC)

O SinproABC (Sindicato dos Professores do ABC), que representa os profissionais de educação das escolas particulares na região, realizou um ato na manhã desta segunda-feira (03/11) em frente à escola Vesper, na Vila Assunção, em Santo André. Segundo a entidade o colégio estaria promovendo ameaças constantes, cobranças excessivas, constrangimentos e a tentativa de impor condições de trabalho que ferem a dignidade profissional e o direito à livre atuação pedagógica. A Polícia Militar foi chamada e o ato terminou sem uma negociação entre a representação dos trabalhadores e a direção do colégio.

“Queríamos conversar com os professores, tentamos várias vezes estabelecer um diálogo com a direção do colégio para que a gente ingressasse na escola para ouvir os profissionais, mas a escola nega de todas as formas. Por isso fizemos um movimento totalmente pacífico, com um carro de som com volume baixo. Chamaram a PM e os policiais foram muito gentis, pediram para abaixar o som e nós desligamos”, relata a professora Edilene Arjoni, presidente do Sinpro.

“Os professores estão adoecendo porque são obrigados a trabalhar de porta aberta, são observados. Já fomos três vezes em mesa de negociação no Ministério do Trabalho pedindo para pararem com essa prática. A escola ainda convoca os professores para atividades que não são pedagógicas nos finais de semana, sem pagamento de extra. Aí o professor que se sente mal com essa situação e procura o sindicato acaba demitido. Já foram dois casos só esse semestre, então como o professor não vai no sindicato a gente tenta esse espaço no colégio, mas fomos barrados muitas vezes”, continua a dirigente sindical.

Edilene disse que o manifesto não impediu que funcionários entrassem na escola nem atrapalhou as aulas. “Fizemos apenas panfletagem. Depois que os policiais entraram lá, mas não conseguiram que fossemos recebidos, a gente foi embora, mas vamos relatar mais essa situação ao Ministério do Trabalho, porque os professores estão adoecendo e estão limitando o direito de organização sindical”, disse a presidente do Sinpro.

Resposta da Vesper

Por meio de nota, a Vesper enviou respostas ao RD somente na terça-feira (4), às 16h50. “As manifestações promovidas pela Sinpro ABC na manhã do o dia 3/11/2025, no momento da entrada dos alunos causaram muito tumulto, insegurança para os pais, medo e pavor para os alunos, visto que vários deles tiveram crises de choro. Além de atrapalharem a entrada dos alunos, os nossos professores e auxiliares ficaram assustados com as manifestações desproporcionais e despropositadas causadas pelo Sinpro ABC.

As alegações do Sinpro ABC não procedem. Não é verdade que a direção exige as portas das salas de aulas abertas. Além que é fato que não exige trabalho aos sábados. É fato que os colaboradores são tratados de forma igualitária, com o devido respeito e consideração.

Também não é verdade que o colégio não cumpre a legislação trabalhista. E isso tanto é verdade que após 3 três solicitações de mesas redondas, não restou nenhuma comprovação de débito da Instituição em relação aos nossos professores. Além disso, após denúncia feita pelo Sinpro ABC no Ministério do Trabalho, foi apresentada toda a documentação solicitada necessária e temos certeza que não há nenhuma irregularidade do Colégio no que se refere à legislação trabalhista e o cumprimento das Convenções Coletivas de Trabalho.

Fato é que a nossa mantenedora tem 10 colégios no Estado de São Paulo e não há nenhuma reclamação dos Sindicatos dos Professores e nem do Sindicato dos Auxiliares nessas cidades. Aliás, não existe nenhuma reclamação do Sindicato dos Auxiliares da Administração Escolar de Santo André. Vê-se, portanto, que as manifestações do Sinpro ABC, bem como as condutas adotadas, têm o intuito exclusivo de tumultuar as atividades educacionais, além de serem desprovidas de fundamento e base legal.

Diante da balbúrdia ocasionada pelo Sinpro ABC não restou alternativa ao colégio senão acionar o comando da Polícia Militar para reestabelecer a ordem nas imediações da nossa escola.

O Colégio Vesper respeita a legislação em vigor e entende que associação sindical é livre. Nossos colaboradores jamais sofreram qualquer tipo
de represálias e são livres para irem aos seus sindicatos.

Mas a entrada dos representantes do Sinpro ABC na nossa Instituição não é possível. Primeiro porque não há amparo legal. Não há lei que nos obrigue ou que permita a entrada desses representantes. Até porque causa transtornos e atrapalham as atividades pedagógicas oferecidas aos nossos alunos.

É certo que a Convenção Coletiva de Trabalho já permite a instalação de quadro de aviso dentro da instituição, onde os dirigentes sindicais, que são nossos colaboradores, têm total liberdade para afixarem comunicados de assuntos de interesses da categoria respectiva.

Importante, também, ressaltar que a manifestação tumultuou a entrada da nossa Instituição, porém, não vamos nos calar. A Direção do Colégio Vesper já está tomando todas as providências administrativas e jurídicas.

 

 

 

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