
A Cia. Sansacroma – uma das mais importantes companhias de dança contemporânea preta de São Paulo – apresenta o espetáculo “Carvão” nos dias 13 e 14 de agosto, quarta-feira às 15h e quinta-feira às 19h30, com entrada gratuita, na Fábrica de Cultura Diadema. A coreografia-manifesto investiga as narrativas do amor negro como ato político, filosófico e ancestral, atravessado por violências históricas ainda persistentes.
Inspirada nos pensamentos da autora bell hooks, a obra entende o amor não como romantização, mas como prática de liberdade. Para corpos negros, amar é um gesto radical de resistência à desumanização e uma recusa ativa às lógicas coloniais que tentam romper e apagar laços afetivos e comunitários.
O espetáculo parte da simbologia do carvão — aquilo que foi queimado, mas não destruído; matéria que resiste e permanece viva. Por meio dos movimentos de cinco intérpretes-criadores e da performance musical eletrônica ao vivo, constrói-se um território de afetos forjados entre cicatrizes e renascimentos.
“O carvão carrega a memória do fogo e a potência da permanência. É uma ruína que sustenta. É o corpo que, mesmo marcado, continua a produzir calor. O amor negro é esse carvão: forjado nas chamas do racismo, mas ainda assim, uma brasa viva que alimenta futuros possíveis”, afirma Gal Martins, diretora artística da Cia. Sansacroma.
O filósofo Renato Nogueira, referência nos estudos sobre afetos, diversidade e ancestralidade, lembra que o corpo negro é “tempo de travessia” e que a ancestralidade pulsa como horizonte e origem. Em “Carvão”, o tempo se dobra: a coreografia se constrói sobre camadas de memória, em que o amor é rito de cura, reinvenção e insubmissão.
Os corpos em cena carregam a densidade das marcas do racismo e a leveza de um afeto que insiste. A água, elemento cênico que dialoga com o carvão, simboliza o fluxo da ancestralidade e a possibilidade de cura.
“É rio que carrega cinzas, lágrima que rega a terra, maré que embala afetos negados, mas jamais apagados. A água tensiona sem silenciar, cura sem apagar e dissolve para transformar”, complementa Gal Martins.
Assim como o amor negro, ela atravessa as frestas da história e inunda o presente com potência de vida. “Carvão” é dança de cicatriz e fluxo, resistência mineral e correnteza ancestral — uma afirmação do direito inegociável ao afeto negro e da completude do amor como prática coletiva. Como diz bell hooks, “o amor é a única prática que pode nos levar além do medo — e o amor negro, mesmo queimado, não se rende: acende, renasce e transborda”.
A circulação do espetáculo é viabilizada pelo edital Fomento CULTSP PROAC nº 23/2024, de Produção e Temporada de Espetáculo de Dança Inédito no Estado de São Paulo, com apresentações em São Carlos, Piracicaba, Santos e Diadema.
Serviço
“Carvão” – Cia. Sansacroma
Datas: 13 e 14 de agosto
Horários: quarta | às 15h e quinta | às 19h30
Local: Fábrica de Cultura Diadema | rua Vereador Gustavo Sonnewend Neto, nº 135 – Centro – Diadema.
Entrada gratuita
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
@cia_sansacroma
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
