Trânsito do ABC tem março mais violento desde 2015

Acidente fatal envolvendo caminhão e moto em Diadema em 2020. (Foto: Reprodução)

O mês de março registrou 19 mortes resultantes de acidentes de trânsito, segundo dados do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) divulgados nesta quarta-feira (20/04). As fatalidades no trânsito nas sete cidades não eram tão altas desde 2015, quando o levantamento começou a ser feito pelo Infosiga; naquele ano foram registrados 21 óbitos.

A maioria das vítimas fatais dos acidentes era condutor de motocicleta. O perfil dos mortos é composto pela maioria de homens (94,74%) e a maior parte deles tinha entre 18 e 29 anos. Dez pessoas perderam a vida quando estavam trafegando de moto, cinco vítimas eram pedestres, dois estavam em automóveis, um estava de bicicleta e um de caminhão.

Se considerado o trimestre, esses primeiros três meses de 2022 também estão entre os mais violentos. Foram 55 pessoas que perderam a vida no trânsito do ABC neste ano; esse número foi superado apenas pelo primeiro trimestre de 2017 quando morreram 57 pessoas, e pelo trimestre inicial de 2015 que registrou 65 mortos no trânsito da região.

O alto número de motociclistas envolvidos em acidentes pode aumentar, já que esse tipo de veículo tem sido mais procurado por condutores que passaram a trabalhar com entregas e também por motoristas que migraram para as duas rodas por causa do preço do combustível. Levantamento feito pelo Detran de São Paulo a pedido do RD, mostra que houve um aumento de 59% no número de novas habilitações para conduzir motocicletas no ABC no mês de março. Esse número considera apenas as novas habilitações, não estão na conta os casos de motoristas de categoria B, que dirigiam apenas carro particular e que resolveram tirar carta de carro e moto.

As vendas de motocicletas, segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) também aumentaram entre fevereiro e março deste ano 46,7% mais emplacamentos no país. Se comparado o mês de março deste ao com o mesmo período de 2021 a alta foi de 76,7%.

Ao comentar esses números em recente entrevista ao RD (leia mais no link https://rd.abc.br/3088136 ), o professor Enio Moro Júnior, gestor do curso de Arquitetura e Urbanismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) diz que as prefeituras devem adotar medidas para evitar que o trânsito da região fique ainda mais caótico com a disputa de espaço entre carros e motos. Uma das medidas que ele sugere é a redução do limite de velocidade para 50 km/h. “O trânsito pode sim ficar mais caótico e, caso as regras de convívio não sejam pactuadas, as vítimas de acidentes fatais ou ainda com sequelas, serão os motociclistas, com todos os impactos: setor público de saúde, interrupção de renda familiar, desestruturação emotiva de famílias, entre outros. Uma recomendação imediata para diminuir esse perigo é retornar ao limite dos 50 km/h. Em muitos locais da nossa região se trabalha com o limite de 60 km/h que é muito mais perigoso”, analisa.

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