Setor gastronômico precisa de investimento, diz Bianchi

A poucos meses do fim do mandato, Bianchi lamenta a falta de diversidade de pratos internacionais (

Com aproximadamente 13 mil bares e restaurantes, o setor gastronômico do ABC precisa de investimento e criatividade. É o que aponta Wilson Bianchi, presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC).

A poucos meses do fim do mandato, Bianchi lamenta a falta de diversidade de pratos internacionais e defende maior apoio do setor público no setor. Como exemplo de sucesso, o sindicalista cita festivais gastronômicos de São Bernardo, que movimentaram bem o setor. Apesar disso, garante que a região oferece boas refeições. Quando o assunto são os hotéis, a preocupação é ainda maior. Confira parte da entrevista:

Repórter Diário: Quantos bares e restaurantes existem na região?
Wilson Bianchi: A nossa base é composta de quase 13 mil estabelecimentos, entre bons, médios e regulares.

RD: Quantos restaurantes são classificados como ótimos?
Bianchi: Nós temos muitos bons restaurantes. Algumas rotas se destacam, como é o caso da rua das Figueiras (Santo André) e da Kennedy (São Bernardo), que possuem vários restaurantes internacionais. As tradicionais, como a Rota do Frango com Polenta, chegam a receber cerca de 100 mil consumidores em datas especiais.

RD: Têm rotas surgindo?
Bianchi: Entre as novas rotas nós temos a Rota do Peixe, onde fizemos o festival ano passado, que foi excepcional. Existe também movimento acontecendo de fora para dentro. Um exemplo são as pequenas casas que vão melhorando e se destacando, como o Bar do Jabá, em Santo André. Em todos os bairros, as pessoas vão começar a perceber a melhoria desses pequenos restaurantes.

RD: Por que o público do ABC ainda vai tanto para São Paulo?
Bianchi: Nos últimos anos, a indústria perdeu pouco de espaço para o comércio. Foi aí que surgiram os grandes restaurantes. Neste tempo, todos que tinham dinheiro iam para fora do ABC não somente por causa da refeição, mas em busca de atrações culturais. Houve tempo em que isso ficou comprometido pelos problemas de segurança em São Paulo e foi aí que nossa gastronomia cresceu. A região da rua das Figueiras tinha meia dúzia de restaurantes, hoje tem cerca de 150 de todos os tipos e jeitos. Alguns continuam indo a São Paulo porque o setor se perdeu no meio do caminho, como ter poucas salas de cinema. Os nossos teatros são bons, mas não recebem boas peças. Então, as pessoas que querem um pouco mais de cultura no sábado vão para São Paulo, mas no resto da semana preferem ficar na região.

RD: Quais as vantagens da região?
Bianchi: O grande problema de São Paulo são os arrastões. No ABC, nós já tivemos uns três, mas agimos rapidamente com a polícia, fizemos um documento para os estabelecimentos para que colaborassem dizendo quando são assaltados. Isso faz com que as pessoas fiquem cada vez mais atentas. A questão gastronômica no ABC é um negócio muito interessante. Se você imaginar que São Paulo foi eleita há oito anos Capital Mundial Gastronômica, em termos de quantidade, nós fazemos parte desse conglomerado. A nova geração de empresários aportando nesse setor é diferenciada, é gente que sabe o que quer. Fazem pesquisas, contratam bons funcionários e investem em mídia.

RD: O que mais falta?
Bianchi: Prioritariamente apoio estatal. O código sanitário é um dos problemas, porque você não consegue praticar. Isso leva o proprietário a não ter alvará e atuar clandestino. Precisa haver flexibilização. Um exemplo de incentivo é São Bernardo, que fez o Festival do Peixe e vai fazer o da Rota dos Sabores, em novembro. Há também a Fegane, a Feira de Gastronomia.

RD: Essa falta de incentivo ao empresariado é geral?
Bianchi: O empresário no Brasil precisa de tapete vermelho. O País precisa, atualmente, de 500 hotéis. Duvido conseguirmos 50 novos hotéis. Isso porque o empresário não quer investir mais. Daqui dois meses cerca de 5 mil pessoas vão desembarcar em São Bernardo por causa da Copa do Mundo de Handebol, mas temos apenas quatro hotéis.

RD: E em diversidade, o que falta?
Bianchi: O ABC precisa de culinárias mais específicas. Temos poucos japoneses, bastante italiano, não temos russo, húngaro, temos poucos brasileiros. Precisamos nos aprofundar na qualidade. Só não sei se temos condições para isso. O novo nicho de restaurante é predominantemente pequeno, específico e caro.

RD: O quanto em dinheiro que o setor movimenta na região?
Bianchi: São cerca de R$ 150 milhões por ano, sendo que esse número aumenta com as festas de final de ano.

RD: O quanto o setor gera de emprego na região?
Bianchi: São cerca de 100 mil empregos incluindo donos de estabelecimentos, porque aqui não há nenhum dono de restaurante que não trabalhe. São 30 mil donos e 70 mil trabalhadores.

RD: Surgiu novo sindicato na região. O que acha disso?
Bianchi: Para ser sindicato são necessários vários ritos jurídicos. E eles cumpriram um ou dois apenas. Não existe sindicato sem carta sindical. Sindicato de bares e hotéis só tem um na região: Sehal. Eu estou no último ano na presidência do Sehal, então por que ao invés de criar outro, não se candidatar ao meu lugar? (Colaborou Carolina Neves)

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