Ibovespa reflete tensão com câmbio e juros e cai 0,97%

A Bovespa foi refém do estresse visto nos mercados de câmbio e juros nesta quinta-feira, 14, em meio ao movimento de aversão ao risco no Brasil e no exterior. O Índice Bovespa chegou a subir 0,81% pela manhã, mas sucumbiu diante do desempenho negativo dos outros ativos e fechou em queda de 0,97%, aos 71.421,19 pontos. Os negócios somaram R$ 11,3 bilhões, o maior da semana até agora, mas ainda abaixo da média das últimas semanas.

“A Bolsa seguiu o movimento de fuga de ativos de risco, em um dia de alta generalizada do dólar, juros futuros subindo mais de 40 pontos, avanço do CDS brasileiro e o mercado doméstico testando o Banco Central nos leilões de swap”, disse Luiz Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.

O estrategista da Guide afirma que pesa bastante no mercado de ações a incerteza quanto à atuação futura do Banco Central no câmbio e sobre qual será o novo patamar de equilíbrio do dólar. Mesmo com a oferta de US$ 5 bilhões em contratos de swap cambial feita pelo BC, o dólar subiu mais de 2,5% e terminou acima dos R$ 3,80. Dos US$ 24,5 bilhões que a autoridade monetária prometeu injetar no mercado via leilões extraordinários de swap até amanhã, já foram colocados US$ 18,7 bilhões.

A queda do Ibovespa foi mais uma vez determinada pelas baixas das ações do segmento financeiro, que foram expressivas. Banco do Brasil ON caiu 4,53%, Itaú Unibanco PN perdeu 3,55% e Bradesco ON cedeu 5,13%. As ações da Petrobras e da Eletrobras chegaram a subir ao longo do dia, motivadas por expectativas positivas próprias, mas terminaram o dia em terreno negativo. Petro ON e PN perderam 0,06% e 0,46%, enquanto Eletrobras PNB recuou 1,80%.

Na contramão do mercado estiveram ações de varejo e as beneficiadas pela forte alta do dólar. Magazine Luiza ON subiu 6,22% e foi a maior alta do Ibovespa, beneficiada por um relatório com tom positivo do Itaú BBA sobre as empresas do setor de e-commerce. BTW ON, holding que congrega os sites de vendas Americanas.com e Submarino, entre outros, subiu 4,90%. Entre as empresas exportadoras, destaque para Suzano ON (+4,33%) e BRF ON (+3,32%).

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