Problema político atinge setor industrial da região, aponta estudo  

O atual momento econômico vivido no País, que se agravou há pouco mais de dois meses, após escândalo político envolvendo o presidente Michel Temer, apresentou reflexos negativos nos dados divulgados nesta segunda (24/7), na 6ª edição do Boletim IndústriABC, do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo. Um dos principais indicadores negativos registrado no documento foi a queda no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da região, que seguiu a tendência apresentada nos níveis estadual e nacional.

Pelo estudo, o índice regional foi de 52,9, enquanto o Estado registrou 54,5, e no Brasil 50,6 –  em escala que vai de 0 (pessimista) a 100 (otimista). Na última edição do boletim, divulgada em março, os números eram de 61,8 (ABC), 54,5 em São Paulo e 54 para o Brasil. O índice para a região, no entanto, é diferente do observado nos últimos trimestres, quando os gestores se mostravam mais otimistas com números semelhantes ao declarados nos outros dois níveis.

“A questão do índice de confiança está amarrada principalmente ao cenário político e as incertezas que traz ao cenário econômico, especialmente no que diz respeito a continuidade da política econômica atual”, afirma o coordenador do estudo, Sandro Maskio.

O docente ressalta que o atual cenário reflete em incerteza na trajetória de continuidade ou não da política econômica, bem como os efeitos que esse fator eventualmente pode ter. Desta forma, acaba refletindo em redução na disposição para que o empresário industrial possa investir mais e fazer apostas, embora exista capacidade ociosa em aumentar a produção. Com isso, o clima de incertezas leva o empreendedor esperar a agir e cria uma clima de mais cautela até que as condições de fato comecem melhorar.

“A gente não tem um cenário com estrutura econômica que privilegie a atividade produtiva.  Longe disso, nossa estrutura quase que penaliza a atividade produtiva. Temos pouca disponibilidade de financiamento, juros altos e carga tributária muito alta”, reforça Maskio.

O Boletim IndústriABC também aponta que após registrar aumento de produção no primeiro trimestre deste ano na indústria paulista, quando comparado a igual período de 2016, a Pesquisa Mensal de Produção Industrial do IBGE, voltou a apontar redução nos meses abril e maio, concretizando um resultado negativo nos primeiros cinco meses do ano.

“Se  pegar os primeiros cinco meses (comparando com o mesmo período do ano passado), a produção já apresenta queda, o que mostra que essa redução se deu nos últimos dois meses. No primeiro trimestre estava crescendo e começou a cair”, comenta, ao dizer que o fator mostra o reflexo político sobre a atividade produtiva.

Apesar dos indicadores de confiança da indústria terem melhorado nos últimos 12 meses, no trimestre passado observou-se uma redução do grau de confiança em diferentes índices analisados. Os fatores que mais influenciam essa trajetória foram as quedas observadas na avaliação das condições da economia (45,2 no ABC, 48,5 no Estado e 41,1 no Brasil) e nas expectativas em relação à economia brasileira (47,6 na região, 54,6 no Estado e 47,9 no Brasil).

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