O ABC quer retomar, como ocorreu na década de 90, o grupo de trabalho regional debruçado sobre o setor químico e petroquímico. Este foi um dos assuntos discutidos nesta terça, em Mauá, durante o Seminário que apresentou a primeira pesquisa regional sobre a indústria química nos sete municípios.
Apesar de ter evoluído na formação dos APLs (Arranjos Produtivos Locais), a região perdeu a discussão regional ao deixar de debater de forma específica o tema no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. ”É mais do que necessário pois o ABC perdeu 1/3 da indústria química. O PIB químico regional era para ser de R$ 75 bilhões e foi de R$ 50 bilhões”, disse o deputado federal Vanderlei Siraque (PT).
Segundo ele, é preciso, com urgência rever alguns pontos do plano diretor como a definição, novamente, da avenida dos Estados como rota industrial, tendo em vista que a avenida industrial perdeu essa vocação por falhas na legislação.
Na mesma linha, o prefeito anfitrião, Donisete Braga (PT), disse que a atuação do GT foi decisiva em 2002 para expandir a atuação do Polo e garantir a presença do setor na região. “Esse seminário possibilita uma grande articulação para vencermos as batalhas, inclusive sobre questão tributária”, destacou.
Dados
Mauá dispõe de R$ 1 bilhão de reais no orçamento para atender seus 450 mil habitantes, e 60% de arrecadação de seus impostos é oriundo do setor do Polo Petroquímico. A indústria química e petroquímica é pioneira na região, mas atravessa um momento um pouco delicado. Representa 13,7%, ou seja, quase 14% da Indústria Química do Brasil, e mostra a importância que tem em nível nacional com um faturamento de R$ 49,5 bilhões por ano.
São 1.130 empresas que empregam mais de 50 mil pessoas na região. É um setor que oferece boa remuneração, com salário médio de R$ 3.038,00, valor duas vezes mais alto do que a média da indústria de transformação no Brasil, no entanto, ao longo dos anos, vem perdendo peso e produtividade. Os dados se baseiam em estudo realizado pela Braskem e pela MaxiQuim Assessoria de Mercado.
O Seminário foi formado por atores sociais que discutiram formas de estímulos e incentivos a fim de promover a retomada do crescimento da indústria na região, com foco em três pilares principais: inovação, reposiocionamento e novas cadeias. Paulo Henrique Pierin Macaúbas, analista de mercado da MaxiQuim e expositor convidado para discorrer sobre a atual situação e propostas para o desenvolvimento da indústria frisou: “Para fortalecer novamente a indústria na região, devemos focar nesses três pilares, podendo assim gerarmos novos investimentos, empregos de alta qualidade, arrecadação tributária e desenvolvimento sustentável”.
Giovanni Roco Neto, secretário executivo da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, destacou a importância da retomada do Grupo de Trabalho. “Da mesma forma que foi realizado estudo específico da cadeia produtiva, acredito que devamos construir uma agenda e estruturar políticas públicas acerca da carga tributária. Temos um desafio, uma dificuldade para enfrentar, e a retomada do GT será o início de toda a luta”. Contando com a coordenação do secretário Ciomar Okabayashi, a primeira reunião do Grupo formado nesta terça-feira deve ocorrer até o final de maio, com local a ser definido em breve.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
