
Alunos, professores e demais integrantes da comunidade escolar realizaram um protesto em frente à escola estadual Professor Nelson Monteiro Palma, que fica no bairro Santa Terezinha, em São Bernardo. O ato foi realizado para demonstrar o descontentamento dos alunos em relação ao fechamento do período noturno deste colégio o que afetará alunos do Ensino Médio que já trabalham e precisam concluir seus estudos no período noturno. A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) diz que fará mais atos e pedirá ajuda ao Ministério Público para garantir o direito dos alunos.
Em nota, a Secretaria de Educação do Estado informa que garante matrícula para os estudantes que comprovarem vínculo empregatício. “A movimentação de alunos entre classes da rede estadual é um procedimento habitual, realizado ao final de cada bimestre, conforme estabelece a Resolução SE nº 02/2016. No caso da E.E. Professor Nelson Monteiro Palma, após análise da Unidade Regional de Ensino de São Bernardo, realizada em 2025, foi constatado que a 1ª e 2ª série do ensino médio noturno não apresenta demanda suficiente para continuidade em 2026. A unidade de ensino, no entanto, continuou ofertando a 3ª série em 2026 e, de 2027 em diante, o ensino noturno será ofertado na E.E. Maria Cristina Schmidt de Miranda, localizada a 600 metros da unidade. Para a matrícula em turmas do período noturno, será necessária a apresentação de declaração de vínculo empregatício emitida pelo empregador. Nos casos em que a escola que oferece aulas noturnas esteja localizada a mais de 2 km da residência do estudante, será disponibilizado transporte escolar, conforme previsto na Resolução SE nº 27”, diz o comunicado.
Para o professor e diretor estadual da Apeoesp, Aldo Santos, a situação não está apenas na escola Nelson Palma, segundo ele por todo Estado o governo turmas noturnas são fechadas. “São 265 mil alunos jogados na rua porque não têm mais onde estudar. A realidade da periferia força o jovem a trabalhar para ajudar na despesa de casa e nem todos comprovam o vínculo de emprego para solicitar a vaga à noite, a maioria trabalha sem registro e serão condenados a subempregos se não concluírem os estudos”, diz.
Santos ajudou a organizar o ato desta quarta-feira, em frente à escola Nelson Palma, juntamente com professores e estudantes. Ele diz que essa não foi a primeira tentativa de acabar com as aulas à noite neste colégio. “No ano passado tentaram barrar o ingresso dos estudantes para o primeiro ano do Ensino Médio, com isso, em dois anos se acaba com o médio noturno, porque quem alimenta o segundo e o terceiro anos do Médio é o primeiro ano. Eles dificultam receber esses estudantes, a maioria não consegue comprovar o vínculo de emprego e fica fora”.
Depois do protesto em frente ao colégio Nelson Palma, a Apeoesp pretende realizar outros atos. Na próxima semana outro protesto deve ocorrer na Escola Estadual Domingos Peixoto da Silva, no Alvarenga, e mais outra deve ocorrer na escola Maurício de Castro, no bairro Montanhão. “Nestas escolas acontece a mesma coisa turmas superlotadas de manhã e aviso de que vão fechar as salas do noturno”, justifica Santos.
O diretor da Apeoesp, disse também que a entidade está preparando atos a serem realizados diante da URE (Unidade Regional de Ensino) e também em frente a sede da Secretaria de Educação, na Capital. Se estuda também buscar amparo jurídico para garantir vagas para quem precisa estudar à noite. “Pensamos em adotar medidas judiciais para garantir acesso ao direito de estudar, previsto no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e pressionar o Ministério Público”, destaca o professor que não descarta mobilizações mais representativas como a ocupação de escolas, como ocorreu em 2015.
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