
A Vila de Paranapiacaba recebe, nos dias 29 e 30 de agosto de 2026, a 9ª edição do Festival de Fotografia de Paranapiacaba, que transforma o patrimônio histórico, a arquitetura ferroviária e a paisagem da Mata Atlântica em um grande território dedicado à fotografia contemporânea.
Nesta edição, o Festival amplia sua presença internacional por meio de exposições, intercâmbios e parcerias com artistas, instituições e festivais, especialmente oriundos da Itália e da Espanha. A programação reforça uma das características que vêm marcando o evento nos últimos anos: aproximar a produção fotográfica brasileira de diferentes circuitos internacionais da fotografia contemporânea.
Entre os destaques está a fotógrafa italiana Tatiana Cardellicchio, que apresenta a mostra “A Ditadura das Pétalas”. A também italiana Elena Givone participa com a exposição “Territórios do Sonhar”, trabalho que investiga os territórios da imaginação, da memória e da experiência humana e que já integrou a programação do Instituto Italiano de Cultura.
A relação com a Itália se amplia com a participação do “Le vie della foto”, festival e coletivo de fotografia de Trieste, resultado de uma parceria de intercâmbio. O Instituto Italiano de Cultura também integra a rede de parceiros internacionais desta edição.
De Barcelona, na Espanha, chega a mostra “Raízes Voadoras”, de Maria Solaguren-Beascoa, projeto que aproxima fotografia experimental, comportamento animal e conservação da natureza.
Entre os projetos apresentados pelo Festival está “O Povo Agora Sabe”, de Letícia Valverdes, que aborda os impactos da contaminação por mercúrio sobre os povos indígenas Munduruku. O trabalho utiliza a fotografia para colocar em discussão questões relacionadas ao território, ao meio ambiente, à saúde das comunidades e aos direitos dos povos indígenas.
A exposição “Imagens para Adiar o Fim do Mundo” reúne trabalhos dos artistas indígenas Denilson Baniwa, Edgar Kanaykõ Xakriabá, Kamikia Kisedje, Richard Wera Mirim, Genilson Guajajara, Natalia Tupi e Moara Tupinambá e propõe outras maneiras de olhar para o território, a natureza, a memória e as relações entre os povos originários e o mundo contemporâneo, com a curadoria de João Kulcsár. O título dialoga com o pensamento de Ailton Krenak e com a necessidade de ampliar a presença e o protagonismo de autores indígenas nos espaços de produção, reflexão e circulação da imagem. Outro projeto da programação é “Quilombos do Ceará”, dedicado à memória, à cultura, aos territórios e à vida cotidiana de comunidades quilombolas cearenses, do fotógrafo Rogério Rodrigues.
O Festival apresenta ainda os trabalhos selecionados em sua tradicional Convocatória de Foto Única e Série, que nesta edição tem como tema “Imagens de um Mundo em Mudança Climática”. A convocatória abre espaço para cinquenta e dois novos autores, diferentes gerações e múltiplas linguagens da fotografia contemporânea, estimulando também uma reflexão visual sobre um dos grandes desafios do nosso tempo.
Debates discutem curadoria, meio ambiente e direitos dos povos indígenas
O pesquisador, curador e editor Deri Andrade participa do encontro “A prática curatorial: experiências no Inhotim e no Projeto Afro”, compartilhando sua trajetória e discutindo diferentes formas de pensar a curadoria, a construção de narrativas expositivas e a presença de artistas negros nos espaços institucionais.
Já a fotógrafa Letícia Valverdes apresenta o debate “O Povo Agora Sabe”, relacionado ao projeto que desenvolveu junto aos povos Munduruku e às consequências da contaminação por mercúrio. Os dois debates terão tradução simultânea em Libras, ampliando a acessibilidade e a participação do público na programação do Festival.
Foto Fala reúne cerca de 20 artistas
Um dos principais programas do Festival é o Foto Fala, formato de apresentações curtas inspirado na dinâmica do TED Talks. Cerca de 20 artistas, fotógrafos, pesquisadores e autores apresentam ao público seus trabalhos, livros, pesquisas, projetos e exposições.
Feira, projeções, oficinas e Casa Senac
A programação inclui ainda a tradicional Feira da Fotografia, com venda de fotografias, fotolivros, publicações independentes, objetos e trabalhos de artistas, além de projeções, lançamentos de livros, encontros, oficinas e atividades na Casa Senac.
O Senac, parceiro do Festival, participa novamente da programação com atividades formativas e ações voltadas à fotografia e à educação.
Outra parceria importante é com a Canon, que realizará oficinas práticas durante o evento. Em uma das atividades, os participantes poderão produzir suas próprias fotografias e sair da oficina com uma imagem impressa, aproximando o público de todo o processo fotográfico, da captura à materialização da imagem.
Educação e alfabetização visual
O programa educativo permanece como um dos principais eixos do Festival de Fotografia de Paranapiacaba. Oficinas, encontros, visitas e atividades de formação aproximam crianças, jovens, estudantes, educadores, fotógrafos e o público em geral da linguagem fotográfica. A proposta está ligada ao conceito de alfabetização visual, entendendo a fotografia não apenas como objeto de exposição ou contemplação, mas como uma linguagem que pode ser aprendida, interpretada e utilizada para compreender criticamente o mundo.
Parcerias
A realização da 9ª edição é construída a partir de uma rede de colaboração que reúne Senac, Canon, Instituto Italiano de Cultura, festivais internacionais, artistas, educadores e instituições culturais, ampliando o alcance da programação e criando oportunidades de intercâmbio entre a fotografia brasileira e a produção realizada em outros países.
Sob direção de João Kulcsár e realizado por uma equipe formada por produtores, artistas, educadores, colaboradores e voluntários, o Festival de Fotografia de Paranapiacaba chega à sua 9ª edição consolidando a Vila como um espaço singular para o encontro entre fotografia, patrimônio, natureza, educação, acessibilidade e intercâmbio cultural.
“Uma das questões centrais desta edição é pensar como a fotografia pode nos ajudar a compreender as transformações ambientais que estamos vivendo. As exposições abordam temas como mudanças climáticas, contaminação por mercúrio, territórios indígenas, comunidades quilombolas e a relação entre arte e natureza. Mas não queremos apenas mostrar imagens. O Festival tem um compromisso educativo muito forte, ligado à alfabetização visual, à formação de público e à criação de espaços de diálogo. A fotografia pode sensibilizar, provocar perguntas e também nos ajudar a olhar de outra maneira para o mundo que estamos construindo”, afirma João Kulcsár, diretor do Festival de Fotografia de Paranapiacaba. Este projeto é realizado com recursos do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa.
Serviço
9º Festival de Fotografia de Paranapiacaba
Data: 29 e 30 de agosto de 2026
Horário: sábado, das 10h às 18h e domingo, das 10h às 16h
Local: Vila de Paranapiacaba – Santo André, SP
Programação gratuita
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
