
O diagnóstico de diabetes mellitus Tipo 1 (DM1) costuma ocorrer na infância e na adolescência, período em que pais e responsáveis nem sempre reconhecem os primeiros sinais da doença. Por se desenvolver de forma rápida e exigir tratamento imediato, o conhecimento dos sintomas é fundamental para evitar complicações graves.
Segundo Mariana Cristina Cabral Silva, professora e coordenadora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André, o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que não está relacionada ao consumo excessivo de açúcar ou à obesidade, como muitas pessoas imaginam.
“No diabetes tipo 1, o próprio sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Como consequência, o organismo deixa de produzir esse hormônio, indispensável para controlar os níveis de glicose no sangue”, afirma.
O que é o diabetes tipo
A insulina é responsável por permitir que a glicose entre nas células e seja utilizada como fonte de energia. Quando ela não é produzida em quantidade suficiente, a glicose permanece no sangue e causa hiperglicemia.
Ao contrário do diabetes tipo 2, o diabetes tipo 1 geralmente surge de forma repentina e necessita de tratamento com insulina desde o diagnóstico. “É uma condição crônica, mas que pode ser controlada. Com tratamento adequado, acompanhamento médico e hábitos saudáveis, adolescentes com diabetes tipo 1 podem ter excelente qualidade de vida”, diz.
Primeiros sinais
Os sintomas costumam aparecer rapidamente e merecem atenção quando persistem por alguns dias.
Os principais sinais são:
- sede intensa e constante;
- aumento da frequência urinária;
- perda de peso sem causa aparente;
- aumento do apetite;
- cansaço excessivo;
- visão embaçada;
- irritabilidade;
- dificuldade de concentração.
Em alguns casos, o primeiro diagnóstico acontece após um quadro de cetoacidose diabética, uma complicação grave caracterizada por náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração acelerada e alteração do nível de consciência.
“Quando um adolescente apresenta muita sede, emagrece rapidamente e passa a urinar diversas vezes ao dia, é importante procurar atendimento médico imediatamente. O diagnóstico precoce pode evitar complicações potencialmente fatais.”
É possível prevenir?
Segundo a professora, atualmente não existe uma forma comprovada de prevenir o diabetes tipo 1, pois sua origem está relacionada principalmente a fatores genéticos e imunológicos. Entretanto, é possível prevenir suas complicações por meio do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. “O que conseguimos prevenir são as consequências da doença. Quanto mais cedo ela for identificada, menores serão os riscos de complicações agudas e melhor será o controle da glicemia”, afirma.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais, como:
- glicemia em jejum;
- hemoglobina glicada (HbA1c);
- glicemia casual;
- exames complementares quando necessários.
Em alguns casos, o médico pode solicitar exames para identificar autoanticorpos relacionados ao diabetes tipo 1.
Tratamento além da insulina
Embora a aplicação de insulina seja indispensável, o tratamento também envolve uma série de cuidados diários.
Entre eles estão:
- monitoramento frequente da glicemia;
- alimentação equilibrada;
- prática regular de atividade física;
- acompanhamento médico e nutricional;
- educação em diabetes para o paciente e sua família.
“Hoje existem tecnologias como sensores contínuos de glicose e bombas de infusão de insulina que vêm melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, diz.
Na adolescência, o diagnóstico costuma gerar medo, insegurança e muitas dúvidas. Por isso, o apoio familiar e o acompanhamento multiprofissional são fundamentais. “O adolescente precisa compreender que o diabetes não impede a prática de esportes, os estudos ou a realização de seus projetos de vida. Com informação e acompanhamento adequado, é possível viver plenamente”, destaca.
O papel da Biomedicina
A Biomedicina desempenha papel importante no diagnóstico, monitoramento e pesquisa sobre diabetes. Os biomédicos atuam em análises laboratoriais, estudos sobre mecanismos imunológicos, desenvolvimento de novas tecnologias diagnósticas e pesquisas voltadas ao tratamento da doença. “A ciência tem proporcionado avanços importantes no entendimento do Diabetes tipo 1. Novos medicamentos, tecnologias de monitoramento e pesquisas sobre imunoterapia trazem perspectivas cada vez mais promissoras para os pacientes”, diz.
Para Mariana Cristina, ampliar o conhecimento da população sobre os sintomas do diabetes tipo 1 é uma das principais estratégias para reduzir complicações. “Pais, responsáveis, professores e profissionais de saúde precisam conhecer os sinais da doença. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no início do tratamento e na qualidade de vida dos adolescentes. A informação continua como uma das ferramentas mais importantes para proteger a saúde”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
