
Estudantes do curso de Direito da Estácio, localizada na rua Delfim Moreira, no Centro de Santo André, relatam aumentos expressivos nas mensalidades após a renovação da matrícula para o segundo semestre de 2026. Entre as principais reclamações estão reajustes superiores a R$ 300, diferenças de cobrança entre alunos da mesma turma, dúvidas sobre bolsas e descontos e dificuldades para obter esclarecimentos da instituição.
Em entrevista ao RD, a estudante Karine Beatriz Cardoso, de 37 anos, que está em sua terceira graduação e cursa o segundo semestre de Direito, afirma que a mensalidade passou de R$ 466 no primeiro semestre para R$ 925 após a rematrícula.
Ao renovar a matrícula, Karine recebeu um boleto de R$ 554 e acreditou que o valor já contemplava as quatro disciplinas previstas para o semestre, mesma quantidade cursada no período anterior. Após a liberação da grade e uma alteração solicitada por ela, a mensalidade de agosto passou para R$ 925, conforme documentos apresentados à reportagem.
Segundo a estudante, a faculdade informou que o aumento ocorreu porque a renovação havia sido calculada com três disciplinas e que, após a alteração na grade, uma quarta matéria foi incluída.
Karine explica, no entanto, que uma das disciplinas havia sido dispensada por já ter sido cursada em outra graduação. Após a liberação da nova grade, o sistema voltou a indicar quatro disciplinas, como no semestre anterior.

“Eu não tinha essa informação de que a renovação levava em conta três matérias. A grade quem montou foi a faculdade e depois liberaram para a gente fazer as alterações. O erro não foi meu, mas mesmo assim estão cobrando essa diferença”, afirma.
Outra questão apontada por Karine é a diferença de valores entre estudantes da mesma turma. Segundo ela, colegas matriculados nas mesmas disciplinas pagam mensalidades diferentes, em razão de bolsas e descontos cujos critérios, segundo os alunos, não são esclarecidos de forma suficiente.
“Eu pago um valor, um colega paga outro, outra colega paga outro. Eu entendo que existem bolsas e descontos, mas a gente não consegue entender quais são os critérios utilizados”, relata.
Outros estudantes também afirmam ter enfrentado aumentos considerados elevados entre um semestre e outro. Segundo Karine, alguns colegas registraram reajustes superiores a R$ 300.
“Você entra na faculdade com um valor que cabe no seu bolso, faz um planejamento de que pode aumentar R$ 100 ou R$ 150, mas quando chega o semestre seguinte aumenta R$ 300 ou R$ 400”, diz.
Uma estudante que preferiu não se identificar relata situação semelhante. Ela afirma que iniciou o curso pagando R$ 79 durante o período promocional de ingresso. Após o término do benefício, a mensalidade passou para R$ 452. Na renovação, o valor subiu para R$ 647 e, posteriormente, chegou a R$ 961. Com a aplicação da chamada bolsa incentivo, a cobrança foi reduzida para R$ 813.

Segundo a aluna, as explicações apresentadas pela instituição não esclareceram como os valores foram calculados. “Eles não explicam o aumento do boleto. Quando questionamos, a resposta é que foi por conta da porcentagem da cota usada e das mensalidades que foram pagas com desconto, mas não consegui compreender o cálculo”, afirma.
Dificuldades para negociar débitos
Outra estudante, que também pediu para não ter o nome divulgado, relata dificuldades para negociar mensalidades em atraso. Segundo ela, mesmo após procurar diferentes setores da instituição, não conseguiu resolver a situação.
Enquanto aguarda uma negociação, a grade acadêmica permanece bloqueada. “Na hora de fechar a matrícula eles são acessíveis, mas depois ninguém sabe informar ou resolver. O coordenador diz que não compete a ele, a secretaria fala que não tem controle e o financeiro não responde”, relata.
A estudante afirma ainda que teme novos aumentos após regularizar os débitos, diante dos relatos de outros alunos sobre reajustes nas mensalidades.
Faculdade afirma que valores seguem regras contratuais
Em nota enviada ao RD, a Estácio informa que as condições financeiras podem variar entre o ingresso e os períodos seguintes, conforme campanhas comerciais vigentes e as regras aplicáveis à renovação acadêmica.
Segundo a instituição, no início do curso os estudantes podem receber condições comerciais específicas que reduzem o valor das mensalidades. Já nos semestres posteriores, passam a valer as regras previstas para a renovação, que consideram fatores como os benefícios concedidos e a composição da grade curricular.
A faculdade também explica que programas como o Parcela Leve permitem o pagamento de parte da mensalidade nos primeiros meses da graduação, com o saldo restante distribuído nas mensalidades seguintes, conforme as condições do programa.
Ainda de acordo com a Estácio, os estudantes recebem, no momento da matrícula, informações sobre valores, formas de pagamento, regulamentos e critérios para concessão e manutenção de benefícios. A instituição afirma que permanece à disposição para prestar esclarecimentos aos alunos.
Procon orienta estudantes
O Procon de Santo André informa possuir quatro reclamações registradas contra a Estácio. Segundo o órgão, as demandas envolvem divergências nos valores cobrados, dificuldades relacionadas à rematrícula e falta de informações claras sobre matrícula, mensalidades e concessão de bolsas de estudo.
O órgão orienta que os estudantes solicitem esclarecimentos formais à instituição e guardem contratos, boletos, comprovantes de pagamento, mensagens, e-mails e protocolos de atendimento.
De acordo com o Procon, o consumidor tem direito a receber informações claras sobre valores cobrados, critérios de reajuste, descontos, bolsas e condições de pagamento. Cobranças que não estejam previstas em contrato ou que não tenham sido informadas previamente podem ser contestadas na Justiça.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
