ABC - segunda-feira , 10 de agosto de 2026

PLR do setor de pneus injeta R$ 72 milhões à economia do ABC, além de repor a inflação

Assembleia na Bridgestone aprovou proposta de acordo coletivo com reposição da inflação e PLR de R$ 14 mil. (Foto: Divulgação Sintrabor)

Com a aprovação do acordo coletivo na Bridgestone, em Santo André, nesta quarta-feira (24/06), são cerca de 5 mil trabalhadores que são beneficiados com a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) que vai injetar cerca de R$ 72 milhões a economia da região. Só a PLR de 14 mil da Bridgestone, aprovada pelos trabalhadores em assembleia já garantem R$ 49 milhões, mais cerca de R$ 23 milhões pagos aos trabalhadores da Prometeon, antiga Pirelli, do acordo fechado na última semana.

Os trabalhadores das duas indústrias de pneus da região tiveram a reposição da inflação do período, de 4,42%. No caso da Bridgestone houve um reajuste no vale-alimentação que eleva o benefício para R$ 500, já os da Prometeon, que não tinham esse benefício no acordo anterior passaram a ter.

Segundo Márcio Ferreira, presidente do Sintrabor (Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo e Região), apesar da categoria não ter alcançado o almejado aumento real sobre a inflação, a negociação foi positiva, diante de crise no setor de pneus motivada pela concorrência com os produtos importados que, segundo ele, já abocanham 70% do mercado interno.

“Foi até onde foi possível chegar, só com a Bridgestone foram 13 reuniões, nunca tivemos uma negociação tão longa antes, mas conseguimos avançar em pontos importantes, se não tivemos aumento real de salário conseguimos repor a inflação e veio o ganho na PLR. No início a Bridgestone estava oferecendo só R$ 8 mil de participação nos lucros, uma proposta muito ruim, e conseguimos chegar a R$ 14 mil, mais os avanços nas cláusulas sociais, como, por exemplo integrar a saúde mental no acordo coletivo, o que dá mais força para o atendimento de questões de ordem psíquica dos trabalhadores”, explica o sindicalista.

Segundo Ferreira a indústria local está muito pressionada pelo produto importado. No âmbito do Mercosul, cita o presidente do Sintrabor, indústrias como a Fate e a Pirelli fecharam na Argentina por causa disso. “Essa situação pressiona muito e as empresas já tiraram tudo que podiam, agora tentam tirar dos benefícios dos trabalhadores e isso nós não vamos aceitar. Por isso esse ano a negociação foi complicada”, analisa.

Em 2023, já por conta de concorrência com pneus importados, a Bridgestone anunciou o encerramento da produção de pneus de passeio em Santo André e transferir sua operação Camaçari, na Bahia, deixando na planta do ABC só a produção de pneus para veículos pesados. A decisão implicaria na demissão de 700 trabalhadores, mas em negociação com o Sintrabor, na época, o PDI (Plano de Demissões Incentivado) resultou em 481 postos de trabalho foram fechados e os que aderiram receberam bônus de 10 salários nominais além da rescisão.

“Esse medo (de mais cortes) ainda está muito presente, o fechamento das fábricas na Argentina apontam isso. Porém pode ocorrer um efeito contrário, dessa produção vir para o Brasil, mas ainda não temos nenhuma indicação. Por isso a negociação este ano foi bem complicada”, completa Marcio Ferreira

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