
Os parques municipais de Diadema, destinados ao lazer, à prática de atividades físicas e ao contato com a natureza, têm sido alvo de reclamações de frequentadores. Entre as principais queixas estão falta de manutenção, sensação de insegurança, atos de vandalismo e problemas de conservação. Embora a Prefeitura garanta realizar manutenção contínua, moradores avaliam que as ações não têm sido suficientes para atender às necessidades desses espaços.
Em entrevista ao RD, Gisele Rocha afirma que o Parque Takebe enfrenta problemas de manutenção, limpeza e segurança. A moradora relata que o lago, antes com patos, tartarugas e até pequenos macacos, ficou sem os cuidados necessários. “Em períodos como Natal e Ano-Novo, moradores chegaram a levar alimentos porque os animais estavam sem assistência”, relata.
Gisele afirma, ainda, que diversos animais desapareceram ao longo do tempo. “Ouvi relatos de que algumas pessoas teriam levado filhotes de patos e até tartarugas. É muito triste, porque o parque sempre teve muitos animais”, lamenta.
Além da situação do lago, Gisele diz que precisa haver conservação no parque. De acordo com a frequentadora, a água permanece suja, a grama não recebe manutenção frequente e a quadra esportiva apresenta sinais de abandono. “O parque tinha tudo para ser um espaço bonito para receber famílias, crianças e visitantes”, afirma.
A área destinada aos animais de estimação também é alvo de reclamações. Segundo a frequentadora, muitos tutores não recolhem as fezes dos cães. “Faltam placas com orientações para eles cuidarem de fato dos seus cães”, revela.
Outro problema apontado é a falta de segurança. Gisele relata que grupos costumam permanecer em áreas de mata consumindo drogas, o que intimida quem frequenta o local. “Evito caminhar sozinha em certos horários , porque sinto medo”, destaca.
Em nota, a Prefeitura de Diadema informa que o Parque Takebe atualmente não abriga mais animais sob gestão municipal. Segundo a administração, os animais que permaneciam no local foram encaminhados, no fim de 2025, à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, responsável pelo acompanhamento desses casos. O município não esclareceu a razão da medida.
Em relação à manutenção, a administração municipal afirma que a limpeza do parque é realizada diariamente pelas equipes responsáveis. Sobre a segurança, a Prefeitura informa que o Parque Takebe conta com a presença de agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) durante o dia e à noite.
Vandalismo
Na segunda-feira (3), o RD publicou uma reportagem sobre as reclamações de frequentadores do Parque Ecológico do Eldorado, em Diadema, relacionadas à segurança e à conservação do espaço. Entre os problemas apontados está a depredação da cabine de atendimento, que teve um dos vidros quebrados e permanece danificada, além da cobrança por maior monitoramento para evitar novas ocorrências.

Um morador, que preferiu não se identificar, afirma que a sensação é de falta de vigilância no parque e no entorno, o que favorece atos de vandalismo contra o patrimônio público. “Onde estão as câmeras de segurança para que os culpados sejam punidos?”, questiona.
Na ocasião a Prefeitura de Diadema informou que o Parque Ecológico conta com policiamento preventivo permanente e que a sede da Inspetoria Sul da Guarda Civil Municipal (GCM), inaugurada em dezembro de 2025, com efetivo de plantão 24 horas, que funciona dentro do próprio parque.
Em nota, a administração afirma que, apesar da presença constante da GCM, ainda são registrados casos isolados de depredação praticados por pessoas que desrespeitam o patrimônio público. Segundo a Prefeitura, sempre que os autores são identificados, são adotadas as medidas legais cabíveis. A administração também informa que a GCM mantém guardas durante todo o dia nos parques do Paço e dos Jesuítas.
Prefeituras não preveem investimentos
Procuradas pelo RD, as prefeituras de Diadema, Rio Grande da Serra, Santo André e Mauá informaram que realizam manutenção contínua nos parques municipais. Segundo as administrações, os serviços incluem roçada, poda, limpeza, jardinagem e reparos em brinquedos, quadras e demais equipamentos, conforme a necessidade de cada espaço.
Questionadas sobre investimentos previstos para ampliar ou revitalizar os parques, as administrações não anunciaram novos projetos. A exceção é Mauá, que informou ter sido contemplada com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), no valor de R$ 4.228.000, destinado ao cercamento da Gruta de Santa Luzia e ao reflorestamento da área.
As prefeituras de São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires foram procuradas mais de uma vez pela reportagem, mas não responderam aos questionamentos até o fechamento desta edição.
Áreas verdes melhoram o clima e reduzem enchentes
Ao RD, a bióloga, professora e coordenadora do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes explica que os parques urbanos cumprem um papel estratégico para as cidades e vão muito além de espaços de lazer. “Essas áreas desempenham papel fundamental na preservação da biodiversidade, na regulação do clima, na drenagem urbana e na promoção da saúde física e mental da população”, afirma.
Mesmo em meio urbano, são os parques que contribuem para a manutenção da fauna silvestre e funcionam como corredores ecológicos. “Esses locais permitem o deslocamento de animais durante os períodos de migração. Além disso, essa fauna também atua no controle de agentes causadores ou transmissores de doenças”, explica.
A bióloga ressalta ainda que a vegetação presente nos parques contribui para o controle da temperatura e da umidade, com benefícios diretos à saúde da população. “A vegetação absorve poluentes, como monóxido e dióxido de carbono, atua como barreira contra o ruído e diminui a poluição sonora. Além disso, o contato com áreas verdes reduz o estresse e favorece a saúde mental”, revela.
De acordo com Marta, a temperatura dentro dos parques pode ser até 2°C abaixo do que em áreas urbanizadas. “Esses espaços também absorvem a água da chuva, o que ajuda a minimizar enchentes e melhora a drenagem urbana”, destaca.
Sobre o monitoramento dos animais silvestres, Marta afirma que os municípios devem manter programas de proteção. “Quando possível, os animais residentes devem ser identificados, por exemplo, com chips. Mais importante ainda é garantir que não sejam realizados eventos que coloquem essa fauna em risco”, diz.
A professora também orienta que os frequentadores adotem práticas que contribuam para a preservação dos parques. Entre as recomendações estão não alimentar os animais silvestres, evitar aparelhos de som, manter os pets sob controle para que não ataquem a fauna local e respeitar a sinalização existente.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
