
O Ciesp São Bernardo realizou a primeira reunião plenária para a formação do Comitê de Eletromobilidade do ABC. O encontro, conduzido pelo diretor titular do Ciesp São Bernardo, Mauro Miaguti, e por João Carlos Branco, da LGK, reuniu representantes da Mercedes-Benz, Scania, FATEC, SENAI, FEI, ABVE, Energy Source, Distrito Tecnológico do SENAI, Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC, Qantum, IBEMOB, Sebrae e WEG.
A reunião marcou uma nova etapa na construção de uma agenda regional voltada à mobilidade elétrica, com foco na articulação entre indústria, instituições de ensino, entidades representativas, poder público e sociedade civil. A proposta é transformar a vocação automotiva do ABC em protagonismo nacional na nova mobilidade, com o fortalecimento da competitividade da cadeia produtiva, da geração de empregos e da formação de profissionais especializados.
Durante a abertura, Mauro Miaguti destacou que a discussão sobre eletromobilidade precisa ultrapassar o ambiente empresarial e alcançar também a sociedade. Segundo ele, a população precisa compreender a importância da indústria para o território onde está instalada.
“Para que esse trabalho produza os frutos esperados, uma das pontas que precisa fazer parte é a sociedade. A população precisa ser conscientizada sobre a importância da indústria para a região. Uma empresa instalada em determinado bairro movimenta o comércio, os prestadores de serviços, gera emprego, renda e desenvolvimento”, afirmou Miaguti, ao citar como exemplo a presença da Termomecanica no Rudge Ramos.
O diretor titular do Ciesp São Bernardo também ressaltou que o grupo reúne ativos importantes para liderar esse processo: indústria instalada, demanda regional, conhecimento técnico e capacidade de articulação com diferentes setores da sociedade. A partir das discussões do Comitê, a intenção é elaborar um documento com diagnóstico, propostas e plano de ação a ser apresentado ao poder público.
João Carlos Branco reforçou que a mobilidade elétrica representa uma janela de oportunidade para o ABC, mas que essa oportunidade precisa ser aproveitada de forma coordenada. Para ele, a região tem condições concretas de participar da transição tecnológica em curso, desde que organize suas competências e estabeleça uma agenda prática de atuação.
“A janela de oportunidades está aberta, mas exige coordenação, velocidade e capacidade de execução. O ABC tem história, indústria, conhecimento técnico e instituições capazes de construir uma resposta regional à altura desse desafio”, destacou.
A plenária também apresentou a proposta de estruturação do Comitê, com governança, regimento interno, coordenação e a criação de quatro frentes de trabalho: Cadeia de Fornecedores; Capacitação e Mão de Obra; Sustentabilidade e Economia Circular; e Infraestrutura e Território.
Entre as entregas previstas estão o mapeamento de empresas locais com potencial de aderência ao ecossistema da eletromobilidade, o levantamento de cursos e lacunas de formação técnica, o diagnóstico sobre a gestão de resíduos de baterias e certificações ESG, além do mapeamento dos pontos de recarga existentes e dos principais gargalos de infraestrutura elétrica no ABC.
Pelo Sebrae ABC, o gestor Vinícius Nóbrega comentou as oportunidades disponíveis para empresas da região, entre elas programas de fomento do Governo do Estado. Ele também destacou que a reforma tributária pode contribuir para tornar São Paulo novamente mais atrativo à instalação e permanência de empresas, cenário em que o ABC pode se beneficiar por sua tradição industrial, localização estratégica e base produtiva consolidada.
O encontro também apresentou referências internacionais para mostrar que a transição para a mobilidade elétrica não ocorre de forma espontânea. Países como China e Índia avançaram por meio de planejamento de longo prazo, investimentos em pesquisa, aquisição de tecnologia, políticas de incentivo e organização de cadeias estratégicas, especialmente no setor de baterias.
Na China, a mobilidade elétrica passou a integrar a agenda econômica estratégica há mais de duas décadas, com investimentos consistentes, estímulo à adoção em frotas públicas e domínio progressivo da cadeia produtiva. Hoje, o país ocupa posição de liderança global na produção e no consumo de veículos eletrificados. Na Índia, a política de mobilidade elétrica ganhou escala com programas nacionais voltados à adoção de veículos elétricos, infraestrutura e manufatura, com destaque para a participação de motocicletas, scooters e riquixás elétricos no processo de transição.
Para o Ciesp São Bernardo, esses exemplos mostram que o avanço da eletromobilidade depende de coordenação institucional, planejamento regional e integração entre empresas, centros de formação, poder público e agentes de desenvolvimento econômico.
O plano de trabalho do Comitê prevê, para o segundo semestre de 2026, as primeiras reuniões dos subcomitês, a consolidação dos diagnósticos, a apresentação dos resultados iniciais e a organização de um evento regional e nacional de eletromobilidade em novembro.
Empresas, instituições de ensino, entidades e organizações interessadas em participar das discussões podem entrar em contato pelo e-mail eletromobilidade.sbc@ciesp.com.br.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
