A menopausa é uma etapa natural do ciclo de vida feminino, inevitável ao longo do envelhecimento. Apesar de se tratar de um processo fisiológico, ainda cercado por tabus e desinformação, o tema gera muitas dúvidas, especialmente em relação à reposição hormonal. Diante disso, em entrevista ao RDtv, o ginecologista obstetra Sérgio Makabe, diretor geral do curso de Medicina da USCS (Universidade de São Caetano do Sul), esclarece mitos e verdades e detalha as indicações do tratamento
A menopausa marca o fim da fase reprodutiva da mulher e acontece quando há a interrupção definitiva da menstruação. “Pacientes dizem no consultório que estão nessa fase, mas ao questionar falam que a última menstruação foi recente. A menopausa só acontece após 12 meses sem menstruar”, explica Makabe.
O ginecologista reforça que o processo ocorre, em média, entre 45 e 55 anos e está diretamente ligado ao esgotamento dos óvulos. “A mulher nasce com um estoque de óvulos e não produz novos. Quando esse estoque acaba, ela entra na menopausa”, afirma.

Mitos
O ginecologista também esclarece dúvidas comuns relacionadas à reposição hormonal e à menopausa. Uma das principais preocupações das pacientes envolve o risco de câncer de mama. “Existe o mito de que a reposição causa câncer de mama. O risco absoluto é muito pequeno. A cada 100 mulheres, três ou quatro terão câncer independentemente do uso. Com reposição, esse número sobe muito pouco”, explica.
Makabe também destaca que algumas condições não impedem o tratamento. “Ter histórico familiar de câncer de mama não contraindica o uso, assim como nódulos benignos, desde que haja acompanhamento médico”, afirma.
Outro ponto desmistificado pelo especialista é a relação entre a primeira menstruação e o início da menopausa. “Nem sempre quem menstrua mais tarde vai entrar na menopausa mais tarde, porque isso depende principalmente da quantidade de óvulos e de fatores genéticos de cada mulher”, completa.
Climatério
Antes da menopausa, ocorre o climatério, fase de transição iniciada por volta dos 40 anos, marcada por mudanças hormonais. “Não é uma doença, mas um período de vida que se estende até cerca de 55 ou 60, quando ocorre a menopausa”, explica o especialista.
Sintomas da menopausa
Os sintomas da menopausa podem começar ainda no climatério, antes da última menstruação, devido à queda dos níveis hormonais, principalmente do estrogênio. “Os mais clássicos são as ondas de calor, os fogachos. São episódios intensos que podem acordar a mulher de madrugada e prejudicar o sono”, afirma.
Além disso, Makabe cita outros impactos no dia a dia. “A mulher pode ter insônia, irritabilidade, secura vaginal — que pode causar dor na relação —, além de perda de massa óssea, o que aumenta o risco de osteopenia e osteoporose”, completa.
O médico ressalta que nem todos os sintomas são exclusivamente hormonais. “Precisamos avaliar também o estilo de vida, porque fatores emocionais e sociais podem influenciar. Mas muitos sintomas estão ligados à queda hormonal e têm tratamento”, diz.
Quem deve tomar reposição hormonal?
Nem todas as mulheres precisam de reposição hormonal, e a indicação deve ser individualizada. “É inadmissível, hoje, sofrer com sintomas da menopausa. Se a paciente tem sintomas, ela deve procurar o ginecologista para avaliação”, orienta.
A decisão depende principalmente da intensidade dos sintomas. “Ondas de calor, secura vaginal, alteração do sono e da qualidade de vida são sinais de que a reposição pode ser necessária”, explica.
Benefícios
Quando bem indicada, a reposição hormonal pode trazer diversos benefícios para a saúde e qualidade de vida. “A reposição melhora os níveis de colesterol e oferece proteção cardiovascular, além de proteger os ossos”, destaca o médico.
O ginecologista também reforça o impacto na vida íntima e no bem-estar. “A reposição melhora a secura vaginal, reduz a dor na relação e ajuda na recuperação do desejo sexual. A mulher volta a ter qualidade de vida”, diz.
Contraindicações
Apesar dos benefícios, a reposição hormonal não é indicada para todas as pacientes e exige avaliação criteriosa, especialmente em casos com histórico de doenças. “A principal contraindicação é para mulheres que tiveram câncer de mama. Além disso, se a paciente teve trombose ou apresenta um sangramento que ainda não foi investigado, não devemos iniciar a reposição sem avaliação adequada”, explica.
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