
Familiares, amigos e grupos de ativistas antirracismo preparam para esta quarta-feira (04/02) um ato em frente ao Fórum de Santo André, data em que Milton Miranda Filho, acusado de atirar e matar o multiartista Felipe Moraes, em agosto do ano passado, dentro de um supermercado, passará por audiência de instrução e julgamento. Filho foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, recurso que impediu a defesa da vítima, intenção de matar e motivo torpe. Para o Ministério Público o crime tem contornos de discriminação racial.
O crime aconteceu no dia 26 de agosto após uma discussão entre vítima e acusado. Câmeras de segurança do supermercado Loyola mostraram a discussão que terminou com o tiro dado à curta distância em plena área de vendas do supermercado. Milton Miranda Filho era segurança do supermercado e segundo o que se apurou durante a investigação autor e vítima já teriam travado discussões anteriores. No dia do crime Moraes foi ao supermercado e estava na companhia da cadela Zuri.
No terceiro dia após o crime uma grande mobilização popular em protesto contra a morte do multiartista negro, tomou várias ruas de Santo André entre a igreja Cristo Operário até o supermercado onde ocorreu o crime, na Vila Linda. Um ato religioso e a colagem de faixas, cartazes e também velas foram acessas em frente ao estabelecimento comercial que estava fechado.
No dia 24 de outubro do ano passado, o juiz Lucas Tambor Bueno, recebeu e acolheu a denúncia do Ministério Público. O réu está preso. A defesa tentou que ele respondesse pelo crime em liberdade, o que foi negado. “Frise-se que o réu foi denunciado pela prática, em tese, de crime gravíssimo, capitulado como hediondo em nossa legislação, sendo incabível, no presente caso, a concessão de medidas cautelares alternativas à prisão, previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal. Ressalte-se que a manutenção da prisão visa garantir a ordem pública, dada a gravidade concreta dos fatos, sendo certo que a liberdade do réu representa risco ao ânimo sereno das testemunhas na colheita da prova oral em Juízo. Além disso, impõe-se a segregação cautelar para assegurar o célere andamento do feito, bem como a sua solução, em caso de futura e eventual decisão de pronúncia, dada a natureza do delito imputado”, sustentou o magistrado.
Para esta quarta-feira (04/02) estão previstos protestos, com faixas, cartazes e camisetas com foto de Felipe Moraes foram confeccionadas. O caso teve repercussão nacional por conta do racismo envolvido. Lideranças religiosas, antirracistas, políticos além de grande número de familiares e amigos se organizam para o ato. A confecção dos materiais foi possível graças a doações. Evelyn Maria da Silva, viúva de Felipe, usou as redes sociais para agradecer às contribuições.
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