
Os números oficiais da SSP (Secretaria de Segurança Pública) apontam que no ABC os confrontos com a polícia não geravam tantas mortes desde 2020; ano em que 67 pessoas morreram nestes confrontos. Os números vinham caindo, para 40 no ano seguinte, 27 em 2022 e depois começaram a subir para 32, depois 48 mortos e 2025 chegou ao número de 63 mortes decorrentes de intervenções policiais. A diferença entre 2024 e 2025 é de alta de 29%, se comparado o ano passado com 2023 a alta é de 87,5%. Os números da letalidade policial aumentaram 10 vezes mais na região do que no Estado.
Desde o início da divulgação dos dados pela SSP, em 2013, o volume de mortos em confronto com as polícias em 2025 na região perde para o volume de 2020 (67 casos), 2017 (96 mortos), 2016 e 2015 (com 64 casos cada) e para 2014 (84 crimes classificados como morte decorrente de intervenção policial). Os números mostram que a queda do casos coincidiu com o período de pandemia, após 2020, mas que agora voltaram a subir ao patamar anterior da emergência mundial de saúde. Em 12 anos de pesquisa 737 pessoas morreram em confrontos com a polícia no ABC, média de 61 mortos por ano, ou cinco por mês.
Em 2025 o maior número de mortes por intervenção policial aconteceu em São Bernardo, que teve 28 ocorrências do tipo; Mauá registrou 11 casos, Santo André teve 10, depois vem Diadema com seis, Ribeirão Pires com quatro e Rio Grande da Serra com um caso. Dos 63 mortos, apenas um caso o autor apontado foi da Polícia Civil, os demais casos envolveram policiais militares. Dos 63 casos que figuram da estatística oficial em 2025, em 48 deles os policiais estavam em serviço e 15 estavam de folga.
Um dos casos do ano passado vitimou o mecânico Clayton Juliano Silva, de 38 anos, que foi baleado na avenida Barão de Mauá, em Mauá, no final da tarde de domingo (27/07) após uma discussão de trânsito. O sobrinho dele de 9 anos também ficou ferido. O acusado do crime foi um policial militar de 32 anos que se apresentou à polícia e foi preso no Presídio Romão Gomes, na Capital.
Se o gráfico do ABC aponta para alta nos casos de morte em confronto com a polícia em 25% no último ano, no Estado o movimento também é de alta, mas em um patamar dez vezes menor. Em 2024 no Estado 813 pessoas morreram em confronto com a polícia e no ano passado foram 834, alta de 2,58%, ou seja, no ABC o aumento foi de quase 10 vezes a alta do Estado.
O que diz a SSP
“Todas as ocorrências de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIPs) são investigadas com rigor pelas Polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Além disso, a SSP mantém ações contínuas para reduzir a letalidade e responsabilizar desvios de conduta. Desde 2023, mais de 1,2 mil agentes foram presos, demitidos ou expulsos das corporações.
A pasta esclarece ainda que a análise isolada da letalidade não retrata o cenário completo da atuação policial no Grande ABC. Apenas em 2025, foram realizadas 8.357 prisões e apreensões de infratores, além da apreensão de 683 armas de fogo, resultado do enfrentamento permanente ao tráfico, ao porte ilegal de armas e às organizações criminosas, o que influencia diretamente o volume de ocorrências de alto risco. Como resultado, a região apresentou reduções expressivas nos homicídios (-14,31%), roubos de veículos (-31,23%), roubos de carga (-35,95%) e roubo em geral (-16,2%)”
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
