
O coronel Fernando Carvalho, 51 anos, assumiu há pouco mais de uma semana o comando da Polícia Militar do ABC e dentre as prioridades está a melhora do tempo de resposta para os casos de violência contra a mulher na região. Carvalho quer trabalhar na priorização, sobre todos os tipos de ocorrências, dos casos de violência doméstica e, para isso, a gestão dos recursos materiais, como viaturas e melhores condições nos prédios ocupados pela PM na região, contribuirão para os policiais militares chegarem mais rápido no socorro às mulheres e na prisão dos agressores.
A região teve pelo menos sete mulheres mortas em casos registrados como feminicídio somente este ano. De 2024 para 2025 a alta deste tipo de crime foi de 100% passando de oito para 16 casos. “Esse tipo de ocorrência vai passar na frente de todas as demais e todos os policiais estão preparados para esse tipo de situação, não só os policiais que atuam nas Patrulhas Maria da Penha. O atendimento especializado é bom, contudo o tempo de deslocamento põe tudo a perder. Do Rudge Ramos ao Riacho Grande, sem trânsito daria para fazer em 15 minutos, mas em horário de pico pode levar uma hora e não posso aceitar um tempo de resposta desse, por isso a viatura que estiver mais próxima atende. Resposta rápida salva vidas”, diz o coronel.
Carvalho assumiu o comando do CPA-M6 (Comando de Policiamento de Área – Metropolitano 6), que corresponde ao ABC, uma área com 2,9 milhões de habitantes e onde atuam cerca de 3 mil policiais militares. Ele disse ter ficado preocupado ao encontrar grande número de viaturas paradas para manutenção nos batalhões da região: o 6° responsável por São Bernardo e São Caetano; o 10° que atua em Santo André; o 30°, que atende Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra e o 24° batalhão para a região de Diadema. “Me assustei com a quantidade de carros com problemas mecânicos; 15%, mais ou menos, das viaturas estão paradas, mas já conseguimos uma verba do Estado para colocá-los para rodar. Acredito que entre um a dois meses estarão rodando”, diz o comandante.
Com mais viaturas também se imagina mais pessoal no patrulhamento. Carvalho diz que a PM tem pessoal. “A gente precisa de mais policiais, mas não vamos ter de imediato, então vamos fazer o melhor com o que temos. Quando melhoramos a ostensividade, melhoramos a sensação de insegurança, que os moradores associam à presença da PM”, destaca.
Roubos
Com as datas importantes para o comércio, como o Dia dos Namorados (12 de junho) a Copa do Mundo e as festas juninas que movimentam a região, há natural aumento de movimento nas ruas, nos bares e comércios e também oportunidade para os roubos. Carvalho diz que isso também leva a um aumento dos roubos de cargas. “Antigamente nestas épocas os roubos aconteciam mais em áreas de concentração de comércios populares como a rua Marechal Deodoro, em São Bernardo, ou a Coronel Oliveira Lima, em Santo André, e outras vias importantes, mas hoje, como se compra muito mais coisas on-line, isso movimenta o movimento de entregadores o que eleva os roubos de carga. Estamos investindo nisso agora, dando mais atenção a esse tipo de delito”, diz o comandante.
Os crimes como roubos, furtos e homicídios, estão em queda no ABC com -220%, -274% e -4%, respectivamente, segundo o comparativo de janeiro a abril deste ano, com o mesmo período do ano passado, com base nos números oficiais da Secretaria de Segurança Pública, porém a sensação de insegurança só aumenta a cada caso. Nos últimos meses o roubo de alianças tem assustado a população. Para Carvalho, coibir esse crime precisa de uma atuação também precisa da Polícia Civil. “Como o roubo de celulares para uso dos aplicativos de banco para saques de dinheiro das vítimas vai ficando mais difícil, pelas camadas de segurança e verificação, essa dificuldade fez os bandidos mudarem de estratégia e agora estão mirando as alianças, já que ouro é dinheiro na mão e, depois de derretido, ninguém vai saber de quem era. É preciso estabelecer regras de fiscalização destes estabelecimentos que compram ouro e prender receptadores”, aponta.
Instalações
Além de 15% das viaturas paradas, o novo comandante encontrou várias instalações, tais como batalhões e companhias, precisando de reformas de prédio e de mobiliário novo. Também foram encontradas situações em que o prédio utilizado não tem mais condições de uso e, em 5% dos casos, haverá mudança de endereço. “Temos instalações que não estão adequadas, que não oferecem conforto para os policiais nem para a população atendida. Estamos buscando apoio do Estado, das prefeituras e de emendas parlamentares. Até o fim do ano a questão do mobiliário estará resolvida, já sobre os departamentos que precisam mudar de lugar, pode demorar um pouco mais”, diz o comandante da PM no ABC.
Outra meta de Carvalho é o fortalecimento dos Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança), espaço onde a coordenação local das polícias Civil e Militar ouvem queixas e sugestões da população visando a melhoria do serviço. Em tese a área de cada companhia da PM deveria ter um conselho, mas nem sempre há moradores que participam, por isso alguns conselhos não estão ativos. “Quero reativar esses conselhos adormecidos, deveríamos ter 19 na região. É um espaço importante para o relacionamento da polícia com a comunidade, pois muitas situações levantadas nestas reuniões não são exatamente caso de polícia, mas indiretamente afetam a segurança da população”, completa o coronel.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
