
A Polícia Militar tenta identificar e localizar os dois homens que agem durante as madrugadas furtando objetos de valor de casas e veículos nas ruas que derivam da avenida Alda, no Centro de Diadema. Os criminosos furtam qualquer coisa que parecer ter algum valor, de cavaletes de água, registros de gás e até portas de alumínio. Imóveis vazios e mesmo aqueles habitados são alvo destes criminosos que agem em duplas. Segundo os relatos, os criminosos agem de madrugada e já foram flagrados por várias câmeras de monitoramento que não os amedrontam. A dupla segue pela rua, observando o movimento e, quando se sentem seguros, pulam para dentro das casas, sobem em muros e fogem levando o que conseguem. Já chegaram a levar uma porta de alumínio nas costas.
“Eles arrombam cadeados e trancas dos imóveis, na grande maioria os que estão vazios para locação ou reforma. Nas residências habitadas ou vazias eles roubam itens de ferro, alumínio e cobre, cavaletes da Sabesp, fiação do relógio da Enel, portas de alumínio ou ferro”, relata Hilton Moitinho, um dos moradores da rua Doutor Mário Santalucia, via que tem sido alvo frequente dos criminosos.
“Já roubaram três vezes a fiação da Enel do Salão de Cabeleireiro aqui ao lado, a fiação da nossa casa e duas vezes nas últimas semanas a casa ao lado da nossa, levaram até a porta de alumínio. Ninguém aqui nas imediações tem mais sossego. São sempre os mesmos indivíduos que circulam das 21:00 até às 6:00 com sacolas ou mochilas nas costas, com pé de cabra e outras ferramentas para a abrir as residências”, completa Moitinho, que diz que teve um prejuízo de R$ 4 mil.
Claudio Pavanello que tem uma casa no bairro na mesma rua, foi quem teve a porta de alumínio e outros itens furtados. A casa está em reforma, mas também houve furtos que ocorreram enquanto ela era habitada. “Na primeira vez eles furtaram toda a tubulação de cobre da entrada de gás, minha cunhada estava morando lá e não chegou a ver como aconteceu. Deixaram tudo lá vazando gás, um risco para todos os vizinhos. Depois ela saiu da casa que está em reforma, aí eles aproveitaram; levaram as portas de alumínio da caisa de luz e de água num dia, depois voltaram e levaram a porta de entrada, que também é de alumínio. Como é que eles conseguem fugir com uma porta nas costas? Nesse dia fizeram muito barulho e os vizinhos acordaram e chamaram a polícia, mas quando ela chegou eles já tinham ido embora”, relata. Os relatos feitos por Pavanello ocorreram nos últimos seis meses sendo o último no dia 15/10. Ele calculou os prejuízos em mais de R$ 5 mil. “Eles (criminosos) já viram a facilidade por isso voltam”, destacou.
Francisco da Silva Filho teve prejuízos consideráveis também. Ele conta que, como a sua garagem é pequena, deixa um dos carros da família do lado de fora, estacionado na rua. Esse veículo foi arrombado três vezes nos últimos quatro meses. Da primeira vez, conta ele, o carro estava com diversas ferramentas que ele usa para trabalhar na área da construção civil. “Levaram todas as minhas ferramentas, algumas eram novas, foi um prejuízo grande, mais de R$ 5 mil. Aí eu passei a deixar o carro na rua de cima, aí arrombaram de novo, abriram o capô e levaram a bateria e o estepe. E não é só aqui na rua, tenho familiares na rua Domitila, cerca de 100 metros adiante que também relataram situação igual a que acontece aqui, me parece que são as mesmas pessoas”.
Silva Filho, que mora na cidade há quase 40 anos e na rua Doutor Mário Santalucia há três, diz que diante dos furtos, já pensou em mudar-se. “Eu gosto muito da cidade, mas estou muito assustado”, comenta.
Para o Major Raul Gustavo, coordenador operacional no 24° Batalhão da Policia Militar, diz que, dos casos apontados pelos moradores, poucos chegaram ao conhecimento da PM. “Nós temos registro de um boletim de ocorrência feito na delegacia e duas ligações para a central de atendimento da polícia. Reforço a importância de relatar o ocorrido, fazer o boletim de ocorrência, que pode ser feito online ou mesmo chamar a PM no 190”.
Os moradores do entorno, ouvidos pelo RD, não deram queixa dos furtos. “Eu fui uma vez para fazer o boletim, fiquei mais de duas horas esperando, é uma dificuldade, mas realmente acho que é importante fazer a queixa. Vou fazer sempre que possível, agora que sei que dá para fazer pela internet”, disse Francisco Silva Filho.
Segundo o oficial da PM, mesmo com o número pequeno de queixas que dão base para o norteamento do policiamento, a região terá um reforço do policiamento. “Muitos destas pessoas são dependentes químicos, que pegam qualquer coisa que ele possa vender para trocar por uma pedra de crack. Temos atuado também nos depósitos de recicláveis porque eles é que compram esses materiais”, explica.
Ainda segundo o major o registro da ocorrência, seja pelo boletim de ocorrência ou mesmo na hora da situação com o acionamento através do telefone 190 são essenciais. “Precisamos monitorar o que está acontecendo e até acompanhar a migração do crime, porque os crimes migram de uma área para outra. Por isso, se está fazendo uma obra, o importante é deixar alguém cuidando, alertar os vizinhos. E mesmo em casa habitada, ouviu um barulho estranho, os cachorros estão latindo muito observa e chama a PM de notar algo errado acontecendo. Mesmo se tiver alguém na rua, que não está fazendo nada, mas está numa atitude suspeita, pode chamar também. Detemos muitas pessoas em atitudes suspeitas, por isso, desconfiou, liga que a gente atende”, orienta. Raul Gustavo completa dizendo que as rondas no bairro ficarão mais frequentes.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
