
A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência que atua ao inibir ou adiar a ovulação. Quando administrada após a ovulação, modifica o muco cervical, o que dificulta a mobilidade dos espermatozoides e, consequentemente, sua chegada ao óvulo. Esse método pode evitar a gravidez na maioria dos casos, mas ainda apresenta pequena taxa de falha, mesmo quando usado corretamente.
Segundo Liliane de Melo Guimarães, médica ginecologista e consultora da DKT South America, se a mulher ainda não ovulou, o anticoncepcional de emergência atua impedindo ou retardando a liberação do óvulo, o que evita a fertilização.
A seguir, a especialista esclarece alguns mitos e verdades sobre o uso da pílula do dia seguinte:
Em que situações a pílula deve ser utilizada?
Trata-se de um contraceptivo de emergência, indicado quando há falhas em outros métodos. Pode ser usada após relações sexuais desprotegidas, rompimento do preservativo, esquecimento do uso da pílula anticoncepcional ou em casos de violência sexual.
Qual o prazo para tomar a pílula após a relação sexual?
O ideal é ingerir o comprimido o quanto antes, sem ultrapassar o intervalo de três dias. Quanto maior o tempo entre a relação sexual e a ingestão do medicamento, menor será sua eficácia.
É possível engravidar mesmo com o uso da pílula?
Sim. Embora o risco seja reduzido, falhas podem ocorrer. A eficácia é maior quando a pílula é tomada logo após o contato sexual.
A pílula do dia seguinte provoca aborto?
Não. O medicamento previne a gravidez ao impedir a ovulação e, assim, evita a fecundação. Caso o embrião já tenha se implantado no útero, a pílula não interfere no desenvolvimento da gestação.
Existem contraindicações para o uso da pílula?
Sim. Mulheres com distúrbios metabólicos, como insuficiência hepática ou tromboembolismo venoso, devem evitar o uso. Também é contraindicada durante as seis primeiras semanas de amamentação, pois o levonorgestrel passa para o leite. Tontura pode ocorrer após a ingestão, sendo desaconselhável dirigir ou operar máquinas nesse período.
É permitido tomar a pílula mais de uma vez no mesmo mês?
O uso repetido não é recomendado, já que a pílula contém doses elevadas de hormônio. Existem métodos anticoncepcionais mais apropriados para uso regular. Após a ingestão da pílula, é indicado adotar outro método contraceptivo até a próxima menstruação.
A pílula pode causar efeitos colaterais?
Sim. Alterações no ciclo menstrual, náuseas, fadiga, dor abdominal, tontura e dor de cabeça são reações comuns. Algumas mulheres também podem apresentar sensibilidade mamária, diarreia e vômitos.
A pílula de emergência funciona durante o período fértil?
Sim. Independentemente da fase do ciclo, o medicamento mantém sua função de evitar a gravidez.
O uso frequente reduz a eficácia do medicamento?
Sim. O uso repetido aumenta as chances de falha. Apesar disso, não há efeito cumulativo. Se a mulher tomou a pílula em um momento e precisou tomá-la novamente meses depois, a eficácia se mantém semelhante.
Antibióticos podem comprometer o efeito da pílula?
Verdade. Embora nem todos interfiram, alguns antibióticos, além de anticonvulsivantes e antirretrovirais, reduzem a concentração hormonal no organismo, elevando o risco de gravidez.
A pílula pode causar acne?
Verdade. Devido à alta carga hormonal, há risco de piora do quadro de acne, especialmente em adolescentes e mulheres com tendência à acne hormonal.
Uma pílula do dia seguinte equivale à metade de uma cartela de anticoncepcionais?
Verdade. A dose concentrada corresponde a metade de uma cartela, o que provoca desequilíbrios hormonais no corpo.
A pílula pode substituir o uso da camisinha?
Não. O uso deve ser pontual, apenas em situações emergenciais. Além disso, o medicamento não oferece proteção contra infecções sexualmente transmissíveis. Segundo a ginecologista, é fundamental que as mulheres estejam cientes dessa limitação.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
