ABC - quinta-feira , 11 de junho de 2026

Rui Falcão garante autonomia ao PT de Mauá

Presidente nacional do PT, o deputado estadual Rui Falcão, afirma que o PT de Mauá terá autonomia para decidir qual caminho seguir. O partido terá de definir nos próximos dias quem será o candidato petista a prefeito. Em entrevista exclusiva ao RD, Falcão minimizou a divisão no PT mauaense e disse não acreditar que a disputa interna prejudique o partido. O deputado revelou ainda que estava prestes a participar de uma reunião com Oswaldo Dias e Donisete Braga, no dia em que saiu a decisão judicial que impugnou o prefeito.

Em apenas uma semana, a política de Mauá sofreu uma sequência de reviravoltas. Ações protagonizadas pelos grupos ligados a Oswaldo Dias e Donisete Braga evidenciaram o racha da sigla no âmbito municipal. A última cartada da disputa petista aconteceu quarta-feira (23), quando o ex-secretário de Obras, Hélcio Silva, lançou sua pré-candidatura. A executiva municipal do PT ainda não se reuniu para definir qual será a data limite para inscrição de pré-candidatos.

RD – Como o senhor avalia esse caso em Mauá, com a Justiça novamente interferindo no processo eleitoral?
Rui Falcão –
Era um processo que vinha correndo, foi uma injustiça. Foi um erro considerar que o Túnel do Tempo era uso da máquina, mas a Justiça decidiu. O Oswaldo não quer recorrer, não tem análise pra fazer. Mais uma vez é a judicialização da política.

RD – Qual sua avaliação sobre a posição do deputado estadual Donisete Braga, de se colocar como candidato antes dessa decisão judicial?
Falcão –
Eu não vou fazer juízo de valor, ele deve ter conversado com o prefeito, devia ter informações sobre o andamento do processo, não sei efetivamente. Eu estava na segunda-feira convocando o Oswaldo e ele [Donisete] para uma conversa, quando fui informado de que o Oswaldo fora declarado inelegível. Não vou entrar no mérito das razões que levaram o Donisete a adotar essa posição política.

RD – O Donisete conversou com o senhor?
Falcão –
Ele me informou no sábado que iria procurar o Oswaldo pra ter essa discussão. Eu não sabia o que havia acontecido, tinha acabado de voltar de uma viagem, imaginei que ele pudesse estar pactuando isso com o Oswaldo. No domingo, eu falei com o Oswaldo e ele disse que o encontro fora convocado pra outra finalidade. Na segunda é que eu liguei para o presidente estadual e pedi pra que ele viesse para o diretório no final da tarde. Quando fui convocar o Oswaldo e o Donisete para conversar fui informado desse fato, e então não havia mais necessidade de a gente interferir.

RD – O clima de disputa vai acirrar o racha dentro do PT de Mauá?
Falcão –
Não sei se houve racha no partido. Já houve prévias em Mauá e o partido até se uniu depois, já ganhou eleição, já governou várias vezes a cidade. Faz parte da democracia do PT ter disputa, ter prévias e encontros de delegados. Sempre que não há acordo a maneira de resolver é pelo voto, não tem outro procedimento.

RD –  O diretório municipal tem total liberdade de executar esse processo? 
Falcão –
 A decisão de fazer prévia ou não é do diretório, não da Executiva. Depois, os procedimentos seguintes, o diretório pode delegar se quiser pra executiva municipal. O diretório estadual e nacional, se quiser, acompanha. Mas não havendo pedido, nenhuma irregularidade ou dificuldade na realização da prévia do encontro, o diretório estadual não interfere.

RD – O diretório nacional vai acompanhar de perto o processo de Mauá?
Falcão –
O diretório nacional tem abaixo de si o estadual. Ele geralmente interfere ou no nível de recursos, ou quando tem algum conflito entre diretório estadual e municipal. Ou quando como ocorreu agora em Recife, onde teve uma prévia que precisamos normatizar. Nós estabelecemos o seguinte: em cidades estratégicas para nós, antes do registro da chapa ela precisa ser homologada pelo diretório nacional. Se for o Donisete, o Hélcio ou um terceiro e as coisas se realizarem tranquilamente, e o vice for do PT ou de partido aliado, a homologação é automática. A homologação é mais uma medida cautelar para casos em que o indicado a vice é de um partido que não é aliado.

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