Enquanto moradores e lojistas amargaram grandes prejuízos com as primeiras chuvas fortes da temporada, alguns comerciantes estão com sorriso de orelha a orelha, como as serralherias, que fabricam as comportas contra enchentes, e empresas que realizam manutenção em telhados. É o caso de Antonio Alves da Silva, o Toninho, proprietário da Serralheria Raulan, em São Caetano, que neste momento não consegue dar conta do número de solicitações de orçamentos.
Na última sexta-feira (23) a chuva causou inúmeros prejuízos aos comerciantes da rua Jurubatuba, em São Bernardo, corredor moveleiro. Vários lojistas perderam tudo que tinham em mostruário e os danos se estenderam a portas, paredes e até o piso arrancado pela enchente que deixou três mortos.
Na serralheria Raulan, em São Caetano, especializada na fabricação e instalação de barreiras contra enchentes, o volume de pedidos aumentou muito. “Meus telefones não param de tocar por conta da quantidade de pedidos”, explica Toninho. A Raulan criou modelos próprios, que são comportas em alumínio, mais leves e com garantia. “É esteticamente mais bonito e eficiente”, diz o empresário que não gosta de pensar que lucra enquanto outros estão com prejuízos. “Eu prefiro pensar que estou ajudando as pessoas num momento em que elas precisam muito”, resume, ao dizer que a maior parte dos pedidos de orçamento é de lojistas da rua Jurubatuba.
A reportagem esteve na Jurubatuba esta semana e encontrou serralheiros com instalação de nova comporta da loja Tutti Design. O proprietário, Sales Jarouchi, achava que estava seguro. “A gente tem a comporta, mas a água passou por cima. Tudo que a gente tinha de mostruário foi perdido”, disse o comerciante que ainda não contabilizou as perdas.
Fábio Fusco, vendedor da Fradini Móveis Planejados, também disse que a loja tinha medidas de proteção, comportas e piso elevado, mas não foram suficientes para evitar a enxurrada. “A Jurubatuba sempre encheu, mas trabalho aqui faz 10 anos e nunca vi uma enchente tão feia”, conta. O prejuízo foi de R$ 150 mil.
Sérgio Stopa, proprietário da Pessoti Móveis, diz que a loja está no local há 39 anos e que a água nunca tinha ultrapassado as comportas como ocorreu na última semana. O empresário teve que aumentar a altura das comportas para 1,5 metro e quer que a Prefeitura ajude os comerciantes com a compensação no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). “Todo ano é isso. Queremos uma posição da Prefeitura e providências, como abatimento do IPTU do próximo ano”, conta. O lojista atribui grande parte da culpa das enchentes ao fato do Piscinão do Paço não estar pronto.
A Altus Design foi uma das mais afetadas. A gerente Sônia Matheus conta que só deve reabrir em 2019 e que os prejuízos chegaram a R$ 400 mil.
Nesta quinta-feira (29) o prefeito Orlando Morando (PSDB) disse que vai considerar a redução ou a isenção do IPTU. “Os comerciantes que falaram com a gente também consideram a medida irrelevante. Em janeiro vamos promover uma feira de móveis”, anunciou.
Edifícios registram problemas
Os edifícios comerciais e residenciais são outros que enfrentam problemas com o período de chuvas. O síndico profissional Gilberto Chuler, que administra um condomínio residencial em Diadema e atua em diversos prédios da região como consultor, diz que as áreas mais críticas são os telhados, calhas e as tubulações que conduzem água da chuva. “Aqui no Plaza Diadema, as telhas de um dos blocos voaram e caíram sobre a área da churrasqueira, 12 andares abaixo, quebrando outras telhas. A churrasqueira estava em uso, mas por sorte ninguém se feriu”, relata. Em outro condomínio, em São Bernardo, onde Chuler presta consultoria, o problema foi com o sistema de calhas, que não deram conta da água.
Chuler diz que a melhor forma de se prevenir é com manutenção preventiva. “Eu reservo 5% da arrecadação dos condomínios para esse fim, em alguns meses precisamos até mais, chega a 15%. Medidas simples, como a limpeza das calhas e dos ralos, podem evitar prejuízos maiores”, conta. Graças à contenção, no condomínio de Diadema não foi preciso acionar o seguro para substituir as telhas quebradas.
Na empresa Paulicalhas, especializada na venda, instalação e manutenção de calhas, rufos e telhados, o aumento do número de chamadas foi em cerca de 30%. Segundo Cleber Onofre, coordenador do departamento comercial da empresa, o aquecimento se deu após o temporal da última semana. “O nosso telefone não para. Foi um aumento extremamente atípico para essa época do ano, pois tivemos uma chuva muito forte, tanto em volume de água como de vento”, relata. Com isso, os edifícios maiores e mais altos sofrem mais prejuízos.
De acordo com Onofre, ações preventivas são a melhor solução. “A calha e o rufo duram bastante, mas o que precisa ser verificado é a fixação e a vedação, sugerimos que isso seja feito a cada dois anos. Temos alguns clientes com quem temos contrato de manutenção, que custam menos que a substituição de todo telhado”, afirma. Quanto às telhas de amianto o mercado já tem produtos que substituem o material, com vantagens de durabilidade, fixação e isolamento térmico e acústico. “É mais caro, mas ao longo do tempo o investimento que se paga”, completa o representante da Paulicalhas. (Colaborou Letícia Vasconcelos)
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