
O inverno começa neste domingo (21/6), às 5h24 (horário de Brasília), com previsão de frio intenso já nos primeiros dias da estação e ao longo de julho, além de chuva mais frequente do que o habitual no Estado de São Paulo. O cenário está relacionado à intensificação do fenômeno El Niño. A estação segue até 22 de setembro.
A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, afirma que o principal destaque do inverno não será um frio fora do padrão, mas a combinação entre quedas pontuais de temperatura e aumento na frequência de chuva. “O que mais vai chamar a atenção é a chuva mais frequente. Em relação ao que normalmente se observa, nós teremos mais dias com chuva”, diz.
Apesar da influência do fenômeno, a temperatura média do inverno deve permanecer dentro dos padrões históricos no Estado. Segundo Josélia, não há expectativa de frio extremo. “Não é um frio absurdo, um frio excepcional. Está dentro da média”, ressalta.
A primeira onda de frio da estação deve ocorrer já nos primeiros dias do inverno. Uma frente fria continental, associada a uma massa de ar

polar, avança pelo País e provoca queda mais acentuada das temperaturas em São Paulo. O resfriamento ganha força a partir de quarta-feira (24), com madrugadas mais geladas nos dias 25 e 26 de junho.
Antes disso, a passagem da frente fria já deve provocar chuva no Estado na segunda-feira (22) e na terça-feira (23). “O frio do inverno deve acontecer especialmente nesse restante de junho e também em julho”, afirma a meteorologista.
De acordo com a Defesa Civil do Estado, os efeitos do El Niño tendem a ficar mais evidentes na reta final da estação. A expectativa é de aumento da umidade e da ocorrência de chuvas, sobretudo entre agosto e setembro, com impacto maior no sul e no leste paulista, que inclui a Região Metropolitana e o Vale do Ribeira.
Mais chuva do que o habitual
Tradicionalmente, o inverno é o período mais seco do ano em São Paulo, marcado por dias ensolarados e pouca chuva. Neste ano, porém, o cenário indica maior presença de sistemas de chuva ao longo da estação.
Segundo Josélia, a intensificação do El Niño deve reforçar esse padrão mais úmido. “O Estado terá mais dias com chuva do que seria o normal. A ocorrência de chuva ficará acima do que normalmente se observa no período”, explica.

A meteorologista destaca ainda que haverá mais dias com nebulosidade. “Vamos ter um maior número de dias com muitas nuvens e, eventualmente, com chuva”, afirma.
Reflexos na saúde e na agricultura
O aumento da umidade pode reduzir um dos principais incômodos do inverno paulista: o ar excessivamente seco. Ainda assim, haverá períodos de baixa umidade ao longo da estação.
O inverno também exige atenção para doenças respiratórias. A estação favorece a ocorrência de inversões térmicas e nevoeiros, fenômenos que podem reduzir a qualidade do ar e agravar problemas respiratórios.
Na agricultura, o excesso de umidade preocupa produtores. Segundo Josélia, as condições previstas podem dificultar a colheita do café e interferir nas operações de corte e moagem da cana-de-açúcar. “A expectativa de dias com mais chuva e mais umidade deve atrapalhar o calendário dessas duas culturas”, informa.
Calor pode aparecer no fim da estação
Apesar do início marcado por ondas de frio, o inverno pode terminar com temperaturas mais elevadas em parte do Estado. A previsão indica possibilidade de períodos mais quentes em agosto e setembro, principalmente no norte paulista.
Segundo Josélia, o fortalecimento do El Niño pode favorecer esses episódios. “O inverno começa com queda de temperatura mais acentuada, mas no final da estação é possível que a gente tenha alguns picos de calor”, explica.
Além das oscilações térmicas, há possibilidade de geadas em áreas do interior paulista durante as incursões de ar polar previstas para junho e julho.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
