ABC - quinta-feira , 11 de junho de 2026

Marinho rebate Alex: Ele sabe da minha responsabilidade na eleição dele

O prefeito de São Bernardo rebateu nesta terça-feira (25/01) a fala do deputado estadual Alex Manente (PPS) que, no dia anterior (veja matéria abaixo), reclamou de “não ser ouvido” pelo governo e negou qualquer influência do petista em seus “mandatos”.

“O Alex sabe que eu tenho grande responsabilidade na eleição dele”, disse referindo-se aos votos obtidos pelo popular-socialista na eleição de 2010 (Alex foi o parlamentar mais votado da cidade).

“Eu compreendo que é momento de tensionar até para testar a reação de desejo da população. Ele pretende um dia ser prefeito e tem todo direito disso, pois é um deputado bem votado. Mas eu pedi voto pra ele e cansei de elogiá-lo na rua. Se fosse enfrentamento comigo na eleição passada, eu duvido que ele tivesse os votos que teve na cidade”, emendou Marinho

Ele ressaltou também que os descontentes com o Paço (Alex e o G-5 da Câmara, formado por Otávio Manente, Marcelo Lima, Estevão Camolesi, Ivanildo Santana e Vandir Mognon) devem materializar as reivindicações.

“Eles tem que explicitar com o que não estão satisfeitos. Eles têm gente no governo. Aí me perguntam: ‘por que eu não endureço?’ Eu respondo que tudo deve ser feito com calma, usando a cabeça e não o fígado”, observou.

A relação turbulenta entre o PT e o PPS foi explicitada às vésperas do segundo turno do pleito passado. Na ocasião, Alex seguiu a orientação partidária e declarou voto em José Serra (PSDB). Marinho retrucou ao cobrar, publicamente, explicação do aliado que, de acordo com ele, teria assumido um compromisso de apoiar a petista Dilma Rousseff. Manente não recuou e o governo resolveu colocar panos quentes na história ao dizer que a relação com os populares-socialistas era “esquizofrênica”, pois Alex e Otávio endossavam as fileiras de Serra e os indicados do PPS na Administração local trabalhavam em prol do nome de Dilma.

Ao falar da relação com o PPS, durante entrevista à Rádio ABC, Marinho citou palavras como calma e paciência ao dizer que terá o tempo oportuno de sentar à mesa para o diálogo. “Eu vou conversar com o deputado no meu tempo e não no tempo dele. Vou conversar com o G-5 no meu tempo e não no tempo deles. Cada um tem o seu tempo de analisar e eu tenho o meu. Tenho muita tranqüilidade em relação a isso”.

Mas admitiu também trabalhar com a possibilidade de não ter o partido como aliado na sucessão municipal. “Eu não quero espichar a corda com o Alex, nem com o Otávio e nem com ninguém. Pelo contrário, todos que quiserem caminhar com o governo em 2012, caminharão. Agora eu não tenho problema nenhum em fazer o enfrentamento eleitoral. Eu sei o que eu estou fazendo na cidade. Eu sei o tamanho da aliança que eu posso ter e não terei aliança menor que a de 2008”, disparou. No pleito municipal passado, o petista ostentou um leque de alianças com 10 partidos.

Ele minimizou também a parceria com o PPS em 2008. Segundo o petista, a legenda o apoiou “apenas no segundo turno” durante uma eleição que ele “chegou muito perto de ganhar sozinho já no primeiro momento”.

Procurado, o deputado Alex Manente (PPS) não quis comentar o assunto.

Câmara

Mesmo com minoria na Câmara depois da articulação do grupo de centro, que culminou na vitória do oposicionista Hiroyuki Minami (PSDB) para presidir os trabalhos, Marinho não teme ter o governo prejudicado por uma possível obstrução no plenário do Legislativo.

Luiz Marinho chegou a comparar a alta tensão das articulações políticas na Câmara de São Bernardo com a governabilidade de Dilma Rousseff no Congresso. Segundo ele, assim como na Capital Federal (principalmente o PMDB), os aliados locais também querem indicações de cargos no governo. “Nós não damos transparência a isso para não virar guerra. Caso contrário, eu não aprovo mais nada lá”, admitiu.

Segundo ele, a mesma receita de cautela adotada no início da gestão em 2009 – quando situação e oposição registravam igualdade numérica no plenário – que desencadeou na maioria absoluta governista (com 13 vereadores) será repetida neste ano. “É um momento nervoso que vai passar. Temos uma Câmara dividida. O que é minoria hoje pode se tornar maioria amanhã. Eu estou trabalhando. Não estou quieto”.

Secretariado

O prefeito confirmou, sem detalhes, que mexerá no secretariado. Sem revelar a data para a formalização das mudanças, Marinho apenas mandou um recado aos subordinados.

“Enquanto tiver a imprensa falando não tem possibilidade de alteração. Eu não me pauto pela imprensa e quem deseja ser secretário também não me pauta pela imprensa. Ele pode ser secretário por uma discussão que faz comigo e não por colocar notinha na imprensa para forçar a barra. É possível sim ter alteração, mas no meu tempo. Afinal de contas, o povo me elegeu”.

A mensagem foi interpretada nos bastidores como um recado ao vice-prefeito Frank Aguiar (PTB) e ao ex-prefeito Maurício Soares (PT). Os dois chegaram a falar no noticiário como se já fossem secretários (Cultura e Sedesc, respectivamente).

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