ABC - sexta-feira , 31 de julho de 2026

Mulheres são alvo do varejo, mas gastam menos, diz pesquisa

Aquele velho conto (um tanto quanto machista, aliás) de que uma mulher com cartão de crédito na mão é sinônimo de perigo cai por terra diante dos estudos realizados no ABC pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, a Umesp. De acordo com Sandro Maskio, docente do curso de Ciências Econômicas e coordenador de Pesquisa do instituto, nos últimos anos, os homens estão menos sensíveis aos preços das mercadorias na hora da compra.

“A curiosidade que observamos ao longo das pesquisas é que, se comparadas aos homens, as mulheres se preocupam muito mais com o valor e a qualidade dos produtos. O gasto médio planejado pela mulher nessas datas comerciais [Natal, Dia das Criança, Dia das Mães, Dia dos Namoradores etc] é bem menor do que o gasto planejado pelo homem. Isso quebra um pouco desse mito de que as mulheres são mais gastonas”, detalha Maskio.

De acordo com a Pesquisa de Intenção de Compras Natal 2012, última coordenada pelo pesquisador, os homens revelaram disposição para pagar um preço médio de R$ 190 por presente, montante 40% maior do que o mensurado pelas mulheres. Além disso, o gasto médio deles gira em torno de R$ 600, valor 70% maior do que o gasto médio programado pelas mulheres.

Na comparação com a pesquisa feita em 2011, o gasto nominal planejado pelos homens permaneceu praticamente estável, com um aumento de 7% no preço médio dos presentes. Já as mulheres apresentaram redução nominal de 15% no gasto planejado, acompanhado de um pequeno aumento de 6% no preço médio.

Na avaliação do economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, embora cautelosa, a mulher ainda é o grande público alvo do varejo. “Quando saem os dois juntos, o fato é que a mulher é mais seletiva e avalia mais o preço e a qualidade, enquanto o homem se move pelo desejo. Isso acontece de forma geral, não apenas no ABC”, aponta.

“No mercado de trabalho, a mulher ainda batalha para chegar ao patamar do homem. Mas no varejo, ela é preponderante, é quem tem o dinheiro e o poder de decisão. Ela compra para ela e para a família. Isso é histórico e as empresas já estão preparadas para lidar com isso”, destaca. Segundo os estudos levantados pelo Observatório Econômico, qualidade e desconto no produto são fatores determinantes para a compra de um produto.

Ainda na opinião de Alfieri, a mudança na relação mulher-economia acontece mesmo na virada do século, quando cresce a inserção do gênero no mercado de trabalho. “A partir dos anos 1980, 1990, temos visto uma queda na natalidade. Não que a mulher não seja mais necessária no lar, mas o papel de ser mãe, apenas uma dona de casa, tem sumido”, justificou.

“O IBGE, inclusive, tem destacado a diminuição das trabalhadoras domésticas, que estão indo para o setor de comércio e serviços. A mulher se aproxima cada vez mais da produção”, destacou.

Crescimento de chefes de família é menor aqui

Segundo uma pesquisa realizada pelo INPES-USCS (Instituto de Pesquisas da Universidade Municipal de São Caetano do Sul), nos últimos 15 anos, o ABC observou um aumento da proporção de domicílios com chefes de família do gênero feminino. O estudo, realizado em novembro de 2012, aponta que a participação das mulheres nesse quadro aumentou cerca 49%, passando de 15,0% em 1998 para 22,3% em 2012.

No entanto, a proporção de mulheres chefes de família na região ainda é menor do que a encontrada no Brasil (35% em 2009, segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e no Estado de São Paulo (36% em 2009).

De acordo com Leandro Prearo, coordenador do INPES, a realidade econômica local é um dos principais fatores de interferência no quadro. “No Brasil, principalmente no Nordeste, a mulher tem de sair para o mercado de trabalho para sustentar a casa. Acaba chefiando família. No ABC, isso acaba acontecendo em proporção bem menor, porque a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico por aqui são estáveis”, explica.

A tendência, ainda segundo Prearo, é de que o número de mulheres que chefiam domicílios no ABC continue crescendo, mas sem atingir o patamar nacional.

Compartilhar nas redes

matbetholiganbetbeykoz escortJojobetПроститутки БишкекаmatbetHoliganbet girişGrandpashabetGrandpashabetHoliganbetgrandpashabetHoliganbethttps://gunprodeals.com/marsbahisartemisbetbetsmovebetsmovexslotxslotBetineBetinejojobetcratosroyalbetbetparkwgrandpashabetBetineLunabetLunabetLunabetLunabetLunabetgrandpashabetLunabetgrandpashabetCasibombetciocasibomalanya escortjojobetjojobetcasibomcasibomGrandpashabetalanya escortAnkara escortgrandpashabetbetciograndpashabetAnkara escortdizipalgrandpashabet