ABC - sexta-feira , 12 de junho de 2026

Corrupção, desigualdade e ilusão

Quando indagamos sobre quais são os maiores problemas que atrasam o verdadeiro desenvolvimento social no Brasil, não há dúvidas que a corrupção será citada pela população. Enquanto o poderio financeiro do País cresce em ritmo acelerado, tornando-se, inclusive, a sexta economia global, a sociedade ainda espera por moradias dignas, saneamento básico, saúde e educação de qualidade e outros serviços essenciais, mas ainda não existentes para muitos brasileiros. Por essa razão, o crescimento financeiro não necessariamente corresponde a melhor qualidade de vida.

O Brasil atualmente tem um PIB de US$ 2,48 trilhões e, até 2015, será a quinta economia global, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), deixando para trás a França. Em março deste ano, o País superou a Grã-Bretranha, ocupando o sexto posto. Sobretudo, receberemos dois grandes eventos de magnitude mundial, como a Copa do Mundo (2014) e Jogos Olímpicos (2016), assim acelerando o potencial turístico e comercial de nosso território.

Todavia, não vejo razão para soltar fogos de artifício, muito embora esses sejam dados a serem ressaltados. Isso porque os serviços como educação, saúde, transportes, habitação, segurança ainda crescem em doses homeopáticas. Isso torna o Brasil o País da Ilusão, episódio não tão distante do Milagre Econômico, quando a economia crescia cerca de 10% ao ano durante o Governo Militar e a população não sentia os efeitos dessa ascensão financeira.

Afinal, cerca de 10% da população do Brasil detêm aproximadamente 75% de todas as riquezas do País, ao mesmo tempo em que os outros 90% vivem de migalhas. Por sua vez, a corrupção drena, anualmente, dos cofres públicos, a imensa quantia de R$ 85 bilhões. Nesse cenário, a discrepância entre classes sociais permanece gigante, embora as classes C e D tenham maior poder de consumo nos últimos anos. Serviços básicos seguirão desiguais entre aqueles que têm grande poder aquisitivo e as classes vulneráveis socialmente.

Naturalmente que a vida do brasileiro melhorou nos últimos anos, devido ao aumento de seu poder aquisitivo, queda dos juros bancários e programas assistencialistas do Governo Federal. Contudo, ainda existem indicadores vergonhosos e a qualificação de mão-de-obra é incipiente em muitos setores no Brasil. Ou seja, a imagem de uma nação desenvolvida em terras tupiniquins ainda é uma miragem.

José Ricardo é oftalmologista e vereador de Santo André pelo PSB 

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