Com a chegada do inverno e a maior permanência das pessoas em ambientes fechados, cresce também a circulação de vírus respiratórios. Entre eles, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) merece atenção especial por ser o principal responsável pelos casos de bronquiolite em bebês, doença que pode evoluir rapidamente e exigir hospitalização nos primeiros meses de vida. Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da vacinação de gestantes e de medidas simples para reduzir a exposição das crianças ao vírus.
A bronquiolite é uma inflamação que acomete os bronquíolos, pequenas ramificações das vias respiratórias responsáveis pela passagem do ar até os pulmões. Embora diferentes vírus possam desencadear o quadro, o VSR concentra os episódios de maior gravidade entre lactentes. O pediatra e professor de Pediatria do Centro Universitário FMABC, Valter Pinho, explica que o comportamento sazonal dessas infecções não é exclusividade do Brasil.

O pediatra e professor de Pediatria do Centro Universitário FMABC, Valter Pinho, explica que o comportamento sazonal dessas infecções não é exclusividade do Brasil. “Em todos os países que têm estações mais definidas existe uma circulação viral predominante no outono e no inverno. Além disso, as pessoas permanecem mais tempo em locais fechados, o que facilita a disseminação desses vírus”, explica em entrevista ao RDtv.
O especialista acrescenta que a transmissão ocorre principalmente por gotículas eliminadas na tosse e no espirro, mas também pode acontecer pelo contato com superfícies contaminadas. “A pessoa toca um objeto onde o vírus está presente e depois leva a mão ao nariz ou à boca. Essa também é uma forma de inoculação”, observa.
Bebês exigem vigilância maior
Embora o VSR possa infectar crianças maiores, adultos e idosos — grupo que também pode apresentar complicações importantes, especialmente na presença de comorbidades —, os bebês nos primeiros meses de vida são os mais vulneráveis.
Segundo Pinho, a imaturidade do sistema imunológico aumenta o risco de evolução para quadros graves. “Quanto menor a criança, maior o potencial de uma evolução severa. É justamente nessa fase que a bronquiolite representa uma das principais causas de internação por problemas respiratórios durante o inverno”, destaca.
Os primeiros sintomas costumam se confundir com um resfriado comum e incluem febre, coriza e tosse. No entanto, o médico alerta que a situação pode mudar em pouco tempo. “Um bebê pode parecer apenas gripado hoje e, em 24 ou 48 horas, apresentar uma piora importante. Por isso, crianças muito pequenas merecem acompanhamento próximo desde o início dos sintomas”, diz. Entre os sinais de alerta estão respiração acelerada, chiado no peito, esforço para respirar, recusa das mamadas e aspecto de cansaço. Casos mais graves podem provocar retração das costelas e alteração na coloração das extremidades ou dos lábios, situações que exigem atendimento médico imediato.
Pinho também esclarece uma dúvida frequente entre os pais: bronquiolite e bronquite não são a mesma doença. Enquanto a bronquiolite afeta principalmente os bronquíolos de bebês e costuma estar relacionada ao VSR, a bronquite e a asma envolvem mecanismos diferentes e podem comprometer vias aéreas de maior calibre. “Existe uma associação entre episódios graves de bronquiolite e chiados recorrentes em algumas crianças, mas isso não significa que todas desenvolverão asma no futuro”, pontua.
Vacina na gestação fortalecem a proteção
Uma das principais novidades na prevenção do VSR é a oferta da vacina para gestantes pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Aplicada entre a 28ª e a 36ª semana de gravidez, ela estimula a produção de anticorpos que atravessam a placenta e protegem o bebê justamente durante o período de maior vulnerabilidade, nos primeiros seis meses de vida. O pediatra ressalta que o momento da imunização é decisivo para o sucesso da estratégia. “A vacina precisa ser administrada pelo menos 14 dias antes do parto. Esse intervalo permite que a mãe produza anticorpos suficientes para transferi-los ao bebê e oferecer proteção após o nascimento”, comenta.
De acordo com o especialista, estudos internacionais apontam resultados expressivos. “As pesquisas mostraram redução de cerca de 75% nas internações e nos casos que necessitam de terapia intensiva, um impacto extremamente importante para crianças tão pequenas”, diz.
Nos casos em que a gestante não consegue receber a vacina a tempo, especialmente diante de um parto prematuro, recém-nascidos e bebês de grupos específicos podem receber o anticorpo monoclonal nirsevimabe, que oferece proteção direta contra o VSR.
Além da imunização, hábitos cotidianos ajudam a diminuir o risco de infecção. Evitar locais com aglomeração, manter boa higiene das mãos, restringir o contato de pessoas gripadas com o bebê e preservar ambientes ventilados estão entre as principais recomendações.
Para Pinho, o excesso de exposição social nos primeiros meses deve ser evitado. “Um bebê de dois ou três meses não precisa estar em festas, casamentos ou locais cheios de pessoas. Se algum familiar estiver resfriado, o ideal é manter distância da criança ou utilizar máscara. São cuidados simples que reduzem bastante a possibilidade de transmissão”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
