ABC - terça-feira , 30 de junho de 2026

Aumenta a diferença entre escolas públicas e privadas

A diferença de desempenho entre as escolas públicas e particulares aumentou nos últimos três anos. De acordo com o resultado do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a distância entre a pontuação dos dois tipos de instituição passou de 109 pontos (em 2006) para 121 em 2009.

Enquanto os alunos de escolas privadas atingiram 519 pontos em média – nível três de desempenho -, os estudantes de ensino público (federal, estadual e municipal) alcançaram 398 pontos – primeiro nível de desempenho.

A diferença na pontuação dos alunos indica níveis distintos de conhecimento. Os alunos das escolas particulares com 15 anos, por exemplo, conseguem extrair a ideia principal de um texto lido, já os estudantes da rede pública não são capazes de perceber trechos mais importantes da leitura.

Para o presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo), professor Benjamin Ribeiro da Silva, essa diferença pode ser observada não só no Pisa, mas também no Enem e na Provinha Brasil. “Isso ocorre em função da qualidade ruim da educação pública. Só vai mudar quando a maneira de gerir o sistema público educacional for modificada”, defende.

Evolução

Apesar da diferença entre os tipos de ensino, o Brasil aparece entre os três países que mais evoluíram na educação básica nesta década. A educação do País avançou 33 pontos entre os exames realizados entre 2000 e 2009 e foi superado apenas pelo Chile, que cresceu 37 pontos, e por Luxemburgo, com evolução de 38 pontos. O PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) brasileiro estabelece que o País atinja 477 pontos no Pisa até 2021.

Na lista de países, o Brasil está na 53ª posição, superando a Argentina e a Colômbia. A avaliação foi realizada em 65 países, com 470 mil estudantes, sendo 20 mil brasileiros, das 27 unidades da Federação, de escolas urbanas e rurais, públicas e privadas. Responderam as provas de leitura, matemática e ciências estudantes nascidos em 1993.

Por unidades da Federação, as melhores notas foram registradas no Distrito Federal. Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás também apresentaram nota superior à média nacional.

Problema beneficia alunos da rede de ensino particular

Na visão do presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo), professor Benjamin Ribeiro da Silva, o sonho de consumo da população de classe C e D é manter o filho na escola particular. “Fatalmente quem vai para as melhores faculdades é o aluno da escola privada. Fosse diferente não precisaria das cotas nas universidades”, observa.

Essa diferença entre os dois tipos de ensino – público e privado – faz parte da rotina do professor de geografia, Adalberto Gonçalves Saeta. O educador dá aulas para alunos da sétima e oitava séries do ensino básico em um colégio particular de São Bernardo e também para alunos de uma escola municipal em Mauá. “A principal diferença é em relação ao compromisso dos alunos. Na escola particular ele tem de estudar para passar de ano e, por isso, mais interesse nas aulas, já na municipal não”, destaca.

Segundo Saeta, o sistema de ensino público atual favorece a situação de desigualdade social observada no Brasil. “O ideal seria que os alunos cumprissem funções, que a escola cobrasse raciocínio, o que nem sempre ocorre hoje. O conteúdo exigido nas principais universidades deveria ser aproveitado na rede pública também”, diz.

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