ABC - sexta-feira , 12 de junho de 2026

Especialista alerta sobre perigo do AAS sem receita médica

Especialista em prevenção de doenças cardiovasculares, Daniel Branco de Araújo, disse que existem mais mitos sobre uso de vitaminas e suplementos do que verdades. “Apesar de uma série de grandes estudos terem sido realizados, não encontramos comprovação científica que estes comprimidos tragam qualquer benefício na prevenção da doença cardiovascular”, conta o médico.

Segundo o cardiologista, que também é especialista em aterosclerose, o AAS – ácido acetilsalicílico, muitas vezes é utilizado de forma indiscriminada pela população, sem recomendação médica. A droga ajuda na prevenção primária (aquela onde o paciente ainda não possui a doença), porém, o risco de efeitos colaterais como sangramentos é maior que o benefício, por isso deve ser utilizada apenas com indicação médica. “Estudos e metanálises demonstraram que, na prevenção primária, apenas os pacientes de maior risco, assim como mulheres diabéticas acima dos 60 anos e homens diabéticos com mais de 50 anos, têm uma relação risco-benefício que justifique o uso”, explica.

As estatinas têm se mostrado a medicação mais eficiente na prevenção cardiovascular, porém, na prevenção primária, os estudos não demonstram diminuição da mortalidade. “Há um grande benefício na redução de infartos e Acidentes Vasculares Cerebrais, mas não na mortalidade. A preocupação mais recente com uso das estatinas é a possibilidade de causarem diabetes, o que já foi comprovado. Porém, o risco ainda é muito menor do que o benefício”, destaca o especialista que ressalta: “somente um cardiologista pode fazer essa avaliação individual com os pacientes”.

Nesta quinta-feira (30/05), Daniel Branco de Araújo ministrou palestra no XXXIV Congresso da Socesp e lembrou que a modificação do estilo de vida ainda tem demonstrado ser a melhor forma de prevenção primária de doenças cardiovasculares. “Dietas mais saudáveis e exercício físico regular são de extrema importância. Durante os debates vamos buscar formas para motivar nossos pacientes em fazer estas mudanças, indicar as melhores dietas possíveis e os tipos de exercícios mais recomendados”, prevê Daniel de Araújo como resultado da discussão. 

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