
A Prefeitura de Ribeirão Pires, por meio da Secretaria de Assistência, Participação e Inclusão Social e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), realizou, nesta sexta-feira (6/11), a Confraria do Axé, na Câmara. A iniciativa integrou a programação do Mês da Consciência Negra e homenageou representantes de casas de axé do município, reconhecendo a contribuição histórica, cultural, religiosa e social das comunidades tradicionais de matriz africana.
O encontro reuniu lideranças religiosas em um momento de reconhecimento e valorização da ancestralidade, dos saberes e das tradições afro-brasileiras. A cerimônia também destacou o papel das casas de axé como espaços de acolhimento, solidariedade, preservação cultural e fortalecimento dos vínculos comunitários.
“O reconhecimento e o fortalecimento das políticas de igualdade racial são fundamentais para garantir direitos, ampliar oportunidades e promover o respeito à diversidade. Trabalhamos para fortalecer ações que incentivem a participação social, combatam o preconceito e contribuam para uma cidade mais inclusiva, onde todas as pessoas tenham voz e sejam respeitadas”, destacou o secretário de Assistência, Participação e Inclusão Social, Leonardo Biazi.
Além das homenagens, a Confraria do Axé reforçou a importância do diálogo entre o poder público e as comunidades tradicionais, ampliando a visibilidade de suas demandas e incentivando a participação das lideranças na formulação de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial, à garantia da liberdade religiosa e ao enfrentamento da intolerância.
A presidente do COMPIR, Paula Regina Ferreira, destacou que a valorização das religiões de matriz africana deve ultrapassar as datas comemorativas e se traduzir em ações permanentes de respeito, reconhecimento e garantia de direitos.
“Falar das religiões de matrizes africanas é falar de história, ancestralidade, resistência, cultura, identidade e pertencimento. Os terreiros não são apenas espaços religiosos, mas também lugares de acolhimento, solidariedade, preservação cultural e cuidado comunitário. Não queremos apenas ser lembrados em datas comemorativas. Queremos respeito todos os dias, participação nas decisões, políticas públicas e proteção aos nossos espaços sagrados”, afirmou Paula.
A presidente também ressaltou o compromisso do conselho com o enfrentamento ao racismo religioso e a construção de uma sociedade que respeite as diferentes manifestações de fé.
“Nossa luta não é contra nenhuma religião. Nossa luta é contra o preconceito, a discriminação, o racismo e toda forma de violência. A liberdade religiosa é um direito, e o respeito à diversidade é um dever de todos nós. Seguiremos trabalhando pelo diálogo, pela igualdade racial e pela garantia dos direitos de todos os povos e comunidades tradicionais”, completou.
Mapeamento das casas de axé – A realização da Confraria do Axé também fortaleceu o trabalho de cadastramento das comunidades tradicionais desenvolvido pelo COMPIR. O levantamento busca identificar as casas de axé existentes no município, conhecer suas características e necessidades e reunir informações que contribuam para o planejamento de políticas públicas mais inclusivas e representativas.
O conselho trabalha com um levantamento inicial de aproximadamente 30 casas de axé em Ribeirão Pires. O cadastramento é voluntário e permanece aberto para ampliar o alcance da iniciativa, respeitando a autonomia e a liberdade religiosa de cada comunidade.
As lideranças interessadas podem realizar o cadastro por meio do formulário eletrônico disponível em https://bit.ly/4iaoV2k.
Homenageados – Confraria do Axé 2026
1. Maria da Paz Silva Costa (Mãe Arê) – Templo de Umbanda e Candomblé Boiadeiro Jequirissá.
2. Pedro Silva Santos (Jobimam) – Ilé Àsé Ògún Jobimam.
3. Kawa Nascimento Dias (Baba Kawa, representante do Ase Bruno Dias) – Ilê Ase Oya Mirewa.
4. Miriam Aparecida Bernardino (in memoriam) – Associação União Espírita Irmã Gezebel.
5. Wilian Ferreira da Costa (Pajé Laguna) – Associação União Espírita Irmã Gezebel e Aldeia Tupanaé Originários Karib.
6. Carlos Henrique Felisberto (Pai Henrique de Oxumarê) – Terreiro Mineral Cristalino 7 Cachoeiras.
7. Adelson (Pai Adelson de Oxossi) – Casa de Senhor Oxossi, Mamãe Oxum e Zé Pilintra das 7 Encruzilhadas.
8. Julio César Silva da Cruz (Babalorisa Julio de Osoosi) – Ilé Iyá Omi Àse Adélódé.
9. Celso José dos Santos (Babalorixá Celso de Oxóssi) – Ilê Ase Opo Ofa Orunde.
10. Marcelo (Babalorisa Marcelo de Oxalá) – Ile Ase Ala Omim Iyaponda.
11. Mônica (Yalorisá Mônica D’Osun) – Ylê Asé Onan Omí Ypondá.
12. Erick da Silva Santiago (Pai Erick t’Oxossi) – Templo de Umbanda Caboclo Pena Roxa e Caboclo Mata Virgem.
13. Elizabete Umbelino de Barros (Iya Monadeosi) – Ilê Axé Iya Oloxum.
14. Delcimar Gomes Guimarães (Pai Guimarães) – Templo de Umbanda Caminho da Luz da Vovó Francisca.
15. Vanusa Santos (Mãe Vanusa) – Templo de Umbanda Caboclo Sapucaí e Zé Baiano.
16. Alexandre Luiz de Souza (Babalorisá Alexandre de Obaluaye) – Ile Asé Oya ati Oluaye.
17. Maria Josefa Domingos (Mãe Jô D’Oyá) – Ilê Asé Alaketu Dolá Kini Oyá é Odé.
18. Erick Barelli (Mestre Barelli) – Templo A Toca – Kimbanda Malei.
19. Leonardo Patrique Del (Pai Léo de Ogum) – Tenda de Umbanda Ogum e Boiadeiro.
20. Paulo Cesar dos Santos (Babalorixá Paulo de Ogum) – Ilê Asé Alaketu Ogum Onirê.
21. Paulo Sergio Santos (Pai Taweran) – Abassa de Kongobila.
22. Wilson (Pai Wilson T’ Ode) – Ilê Asé Omo Ode Alaketum.
23. Mônica de Xangô (Mãe Mônica de Xangô) – Núcleo de Umbanda e Magia Frutos de Aruanda.
24. Ricardo Di Giorgio (Pai Ricardo Di Giorgio) – TEUCAM – Terreiro de Umbanda Caboclos da Mata.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
