
A primeira noite de apresentação do BTS em São Paulo, nesta quarta-feira (28/10), causou comoção entre os fãs brasileiros do grupo de K-pop e reuniu um público de 81 mil pessoas no Morumbis, de acordo com a organização. As outras duas datas da passagem da turnê Arirang pelo País, nesta sexta-feira (30 e sábado (31), já estão com ingressos esgotados e devem levar novamente uma multidão ao estádio para assistir ao grupo sul-coreano, que não se apresentava no Brasil havia sete anos.
Apesar do sucesso do show, diversos problemas relacionados a filas, fluxo de pessoas e transporte público foram apontados pelo público.
Não havia informação, por exemplo, sobre em qual fila entrar para acessar os diferentes setores do show. A volta para quem optou pelo metrô também foi difícil. Faltou organização no fluxo de entrada na Estação Morumbi, o que causou empurra-empurra entre o público. Do lado de dentro, diante da grande fila para a compra de ingressos, cambistas agiam livremente e vendiam tíquetes por até quatro vezes o valor oficial.
A seguir, você confere as principais dificuldades enfrentadas por quem foi ao primeiro dia de apresentação do BTS no Morumbis, as respostas dos responsáveis por cada área e os cuidados necessários para ter uma experiência mais tranquila nesta sexta-feira (30), e sábado (31).
Primeiro acesso com ingresso e depois as várias filas
Os fãs do BTS chegaram cedo à primeira apresentação do grupo para disputar os melhores lugares dentro do Morumbis. Isso causou longas filas logo pela manhã no entorno do estádio. Há uma primeira barreira pela qual todos que têm ingresso devem passar, independentemente do setor. O fluxo nessa barreira é controlado pela Polícia Militar, e os ingressos são conferidos pela organização do evento.
Depois dessa primeira etapa, é preciso procurar o portão de entrada, indicado no ingresso de acordo com o setor escolhido. A grande questão é saber em qual fila entrar. As informações não são muito claras, e a solução é perguntar a quem já está na fila se ela corresponde ao portão indicado ou procurar alguém da orientação de público. Na quarta-feira (28), por causa da chuva, esses orientadores vestiam capas de chuva, o que dificultava a identificação.
Havia também quem quisesse furar a fila, sem que a organização coibisse a prática. Outra reclamação foi a interrupção do fluxo de entrada no estádio, o que gerou ansiedade no público. Os fãs também reclamaram nas redes sociais sobre uma possível superlotação no setor de arquibancada.
Procurada pela reportagem, a Live Nation respondeu que, durante a entrada do público na quarta-feira (28), foram registradas “situações pontuais” no portão 17, “devidamente solucionadas”. A empresa também reforçou que todas as pessoas com ingressos oficiais puderam acessar o evento. Por fim, apontou que o show ocorreu “rigorosamente dentro da capacidade de público autorizada”.
A Live Nation não respondeu se pretende alterar algo na organização dos dois próximos shows.
A dica é: a primeira barreira é para todos, independentemente do setor. Ao passar por ela e se aproximar do estádio, oriente-se pelas placas com os números dos portões, peça ajuda aos orientadores de público e procure o final da fila, onde sempre há um orientador para confirmar se você está no local correto.
Cambistas até no acesso restrito
A reportagem presenciou uma grande quantidade de cambistas que ofereciam compra e venda de ingressos ainda antes da primeira barreira de identificação do público. Muitos agiam perto de policiais militares presentes no local.
Outros estavam bem próximos ao estádio, após a barreira. A promessa era de que o possível comprador só pagasse pelo ingresso quando já estivesse dentro do show, via PIX ou transferência bancária.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo afirmou, por meio de nota, que “atua na prevenção de crimes, na preservação da ordem pública e na intervenção diante de infrações penais e situações de risco”. A pasta também informou que, no dia do show, prestou apoio à operação no entorno do estádio, com efetivo de policiamento de trânsito.
Já a Prefeitura de São Paulo esclareceu que a Subprefeitura Butantã fiscaliza o comércio irregular durante os dias de show no estádio, de forma integrada com a Guarda Civil Metropolitana (GCM), com 120 agentes no total. Informou ainda que dois indivíduos foram detidos e conduzidos ao 89º Distrito Policial por estelionato/fraude.
A Live Nation não comentou a presença de cambistas no entorno do estádio.
O cambismo, prática de vender ingressos por preço superior ao valor original, é um ato ilegal, considerado crime contra a economia popular pela Lei nº 1.521, de 1951, e pela Lei nº 10.671, de 2003, que estabelece o Estatuto de Defesa do Torcedor.
A dica é: nunca compre ingressos de cambistas. Você não terá a garantia de que se trata de um bilhete verdadeiro.
Cinco barreiras e revista dentro do Morumbis
Para acessar o estádio, o fã passa por cinco barreiras: três para apresentar o ingresso, uma para a revista e a última para colocar uma pulseira que indica o setor ao qual pertence. A reportagem presenciou um grupo de mulheres que, já na saída do show, relatava falhas na revista. Uma delas afirmou que a segurança sequer pediu que ela abrisse a bolsa. Ela se mostrou preocupada com a possibilidade de a falha comprometer a segurança dentro do estádio.
Procurada, a Live Nation não se manifestou sobre esse tema em específico.
A dica é: fique atento ao que pode e ao que não pode ser levado para o show e colabore com a revista feita pela equipe de segurança.
O caminho até a estação de metrô na saída do show
Era esperado que um grande número de pessoas seguisse a pé em direção à Estação São Paulo-Morumbi, a mais próxima do estádio. O trajeto tem cerca de 1 km em linha reta, pela Avenida João Jorge Saad. Em dias sem jogos ou shows, o percurso leva de 15 a 20 minutos a pé. Com o grande fluxo, o tempo chega a 30 ou 35 minutos.
Na quarta-feira (28), parte do trajeto estava às escuras. A Prefeitura de São Paulo não explicou o motivo da falta de iluminação no local.
Outro problema enfrentado pelos pedestres foi a necessidade de disputar espaço na via com carros e ônibus de transporte particular. Apenas três quarteirões da avenida estavam interditados. As demais ruas até a estação estavam liberadas para os carros. A reportagem não viu nenhum agente da CET no local para organizar o fluxo de veículos.
A Prefeitura afirmou que a CET acompanha o trânsito no entorno do Morumbis nos dias dos shows da banda e que, além do público dentro do estádio, havia uma concentração de pessoas no entorno acima do habitual. Informou ainda que 118 agentes de trânsito foram destacados para atuar na quarta-feira (28) e que 127 trabalhariam no local nesta sexta-feira (30) e 82 no sábado (31). A Prefeitura não explicou por que carros e pedestres tiveram que disputar espaço na via, mas afirmou que nenhum incidente foi registrado.
No trajeto, havia agenciadores de carros de aplicativo e táxis que ofereciam viagens por preços fechados, sem o uso da tarifa estipulada pelos aplicativos ou do taxímetro. Também havia oferta de transporte coletivo não oficial. A prática é ilegal, mas ocorria perto de policiais militares.
A Prefeitura disse que age, por meio do Departamento de Transportes Públicos (DTP), para coibir o transporte clandestino na cidade e que, de janeiro a setembro, 2.356 veículos foram autuados por apresentar algum tipo de irregularidade e 84 foram apreendidos por realizar transporte de passageiros de forma clandestina.
A reportagem também presenciou uma menina menor de idade, acompanhada pela mãe e por amigas, que percebeu que seu celular havia sido furtado de dentro da bolsa em meio à multidão que seguia para a estação de metrô. A Polícia Militar de São Paulo não respondeu se foram registradas ocorrências de furtos na região.
Na quinta-feira (29), durante a inauguração de um mural no Autódromo de Interlagos, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, falou brevemente sobre o grande fluxo de pessoas na região do Morumbis em função do show do BTS. Disse que os problemas ocorreram em virtude da grande quantidade de pessoas e que “nunca tinha ouvido falar de BTS”.
A dica é: mantenha a calma ao caminhar na multidão e, se possível, esteja acompanhado. Cuide de seus pertences. Evite aceitar ofertas de táxi e carros de aplicativo por preço fechado e não utilize transporte clandestino.
A dificuldade de acessar a Estação São Paulo-Morumbi
Depois do trajeto, a dificuldade era entrar na estação de metrô. O espaço afunila e, em alguns momentos, houve empurra-empurra. Não havia funcionários da Motiva, policiais militares ou agentes da Prefeitura ou do Governo do Estado para orientar a entrada na estação. Também não foram instaladas grades de contenção para organizar as filas.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a orientação dos passageiros, a organização das filas e o controle de acesso à Estação São Paulo-Morumbi são responsabilidades da concessionária da Linha 4-Amarela.
A Equipe Tática da Linha 4-Amarela, munida de escudos e cassetetes, formava uma barreira na porta de entrada e liberava ou restringia o acesso de acordo com a lotação da estação.
Em nota, a Motiva, concessionária que administra a Linha 4-Amarela, da qual a Estação São Paulo-Morumbi faz parte, afirmou que, na quarta-feira (28), transportou 816.815 clientes, o maior movimento diário desde o início da pandemia. O número superou o recorde anterior, de 788.616 clientes, registrado em 4 de março de 2026. Por isso, como faz em jogos e grandes eventos, estruturou uma operação diferenciada e planejada com antecedência, com mais agentes e a presença de sua Equipe Tática para garantir a segurança dos usuários.
A nota diz que a Linha 4-Amarela “lamenta os transtornos decorrentes do tempo adicional de espera”. Diz ainda que o controle gradual de acesso é uma medida preventiva para evitar aglomerações excessivas, sobretudo na área de embarque.
A Linha 4-Amarela, no entanto, não respondeu se fará alguma mudança em sua estratégia para os shows do BTS marcados para esta sexta-feira (30) e sábado (31).
A dica é: fique atento ao entrar na estação. Há uma escada, que estava molhada e com muito lixo, e outras escadas para descer até a área de embarque.
Não há pagamento por aproximação, cambistas de bilhetes de metrô e excesso de pessoas
Dentro da Estação São Paulo-Morumbi, devido ao grande número de pessoas, formaram-se longas filas para passar pela catraca. Dois funcionários, um deles com um megafone, tentavam orientar os passageiros. Não era possível pagar a passagem diretamente na catraca por aproximação com cartões de débito, crédito ou carteiras digitais. Era preciso ter um bilhete impresso ou digital, ou o Bilhete Único. A concessionária Motiva afirmou que a Linha 4-Amarela não dispõe de pagamento por aproximação.
A reportagem também presenciou a ação de dois cambistas que ofereciam bilhetes de metrô dentro da estação, no túnel que dá acesso ao embarque. Eles agiam livremente, sem a presença de seguranças ou funcionários da Motiva nas proximidades. O preço cobrado variava de R$ 15 a R$ 20, quase quatro vezes o valor da passagem, que custa R$ 5,40. Questionado pela reportagem sobre o preço, um dos cambistas afirmou que tinha um “chefe” que estipulava quanto deveria cobrar. Ele tinha uma grande quantidade de bilhetes nas mãos.
Enquanto esperava na fila, que durou cerca de uma hora, para comprar o bilhete, a reportagem presenciou esse mesmo homem passar três vezes em direção à área próxima à bilheteria e ao embarque, retornar e continuar as vendas. Não foi possível ver para onde exatamente ele ia ou se buscava mais bilhetes para abastecer seu estoque.
A reportagem questionou informalmente o único segurança que estava do lado de fora do embarque, de costas para a bilheteria e de frente para a catraca. Ele disse que desconhecia a ação do cambista e que não sabia se ele buscava bilhetes com alguém. Pediu a descrição do homem e, diante da insistência da reportagem ao afirmar que havia algo irregular, disse que a bilheteria era “do governo”. Questionado se não seria responsabilidade da concessionária o que ocorre dentro da estação, o segurança respondeu: “Boa viagem, senhor”, apontando para a área das catracas.
A reportagem também questionou outro funcionário, do lado de dentro do embarque. Ele afirmou que a concessionária já havia identificado e coibido a venda de bilhetes por um cambista em outra ocasião e disse não saber onde ele conseguia tantos bilhetes.
Em nota, a Motiva afirmou que o comércio informal de passagens não é permitido e que orienta sua equipe de segurança a coibir a prática. Fora da estação, onde também havia venda ilegal, a responsabilidade é do poder público. A reportagem questionou a Polícia Militar e o Governo de São Paulo sobre o tema, mas não obteve resposta.
A dica é: compre antecipadamente seu bilhete de metrô, seja impresso ou por aplicativo. Tenha paciência na espera e cuidado nas escadas. Evite comprar bilhetes vendidos fora da bilheteria. O embarque, nos dias de show, é permitido até 0h30.
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