
O Novembro Azul chama a atenção para a saúde masculina, com foco na prevenção e no diagnóstico do câncer de próstata. A campanha também busca combater preconceitos que afastam os homens dos serviços de saúde e incentivar o acompanhamento médico.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de próstata está entre os mais frequentes entre os homens brasileiros, excluídos os tumores de pele não melanoma. O cenário reforça a importância da informação sobre fatores de risco, sinais da doença e formas de investigação.
Para Mariana Cristina Silva, coordenadora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), a campanha deve estimular os homens a cuidar da saúde de forma contínua, sem restringir a prevenção ao mês de novembro.
O que é o câncer de próstata?
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada abaixo da bexiga, que produz parte do líquido seminal. O câncer se desenvolve quando células da glândula passam a se multiplicar de forma descontrolada.
A doença pode evoluir lentamente e não apresentar sintomas nas fases iniciais. Alguns tumores, porém, são mais agressivos e podem crescer rapidamente, atingindo outras partes do organismo.
A idade é um dos principais fatores de risco, especialmente a partir dos 50 anos. Histórico familiar da doença, alterações genéticas hereditárias e ancestralidade africana também estão associados a um risco maior.
Quais são os sintomas?
O câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas no início. Quando aparecem, os sinais podem incluir:
– Dificuldade para urinar ou redução da força do jato urinário;
– Aumento da frequência urinária, principalmente à noite;
– Sangue na urina;
– Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
– Dor óssea persistente, em casos avançados.
Esses sintomas também podem estar relacionados a condições benignas e não indicam necessariamente a presença de câncer. Ainda assim, alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
“Um dos desafios é que a doença pode se desenvolver silenciosamente. Por isso, é importante conversar com o médico sobre os fatores de risco e os cuidados indicados para cada fase da vida”, orienta Mariana.
PSA e toque retal: quando fazer?
O exame de sangue que mede o antígeno prostático específico (PSA) e o toque retal podem ser utilizados na investigação de alterações na próstata.
O PSA pode apresentar níveis elevados em situações que não envolvem câncer, como inflamações e aumento benigno da próstata. Por isso, o resultado, isoladamente, não confirma a doença. O toque retal permite avaliar características da glândula e pode complementar a avaliação clínica.
O Ministério da Saúde e o Inca não recomendam o rastreamento populacional indiscriminado do câncer de próstata em homens sem sintomas. A decisão de realizar exames deve considerar idade, histórico familiar, fatores de risco, condições de saúde, benefícios e possíveis danos, em uma conversa entre médico e paciente.
“Os exames devem ser indicados individualmente, considerando o histórico e as condições de saúde de cada pessoa. A informação correta ajuda a evitar tanto o diagnóstico tardio quanto procedimentos desnecessários”, afirma a coordenadora.
Hábitos saudáveis e acompanhamento médico
Embora não exista uma forma garantida de prevenir o câncer de próstata, hábitos saudáveis contribuem para a saúde geral e ajudam a reduzir o risco de diversas doenças crônicas.
Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, evitar o tabagismo, limitar o consumo de bebidas alcoólicas e manter um peso adequado são medidas importantes para a qualidade de vida.
A atenção à saúde masculina também inclui o controle da pressão arterial e da glicemia, a prevenção de doenças cardiovasculares e o cuidado com a saúde mental.
Para Mariana, esses cuidados devem fazer parte da rotina. “A prevenção envolve alimentação adequada, atividade física, acompanhamento médico e atenção ao bem-estar emocional. São atitudes que devem ser mantidas durante todo o ano”, destaca.
A contribuição da Biomedicina
A Biomedicina contribui para o diagnóstico e a pesquisa sobre o câncer por meio de áreas como análises clínicas, biologia molecular, genética e desenvolvimento de métodos diagnósticos.
Profissionais biomédicos habilitados atuam na realização e na análise de exames, além de participar de pesquisas que ampliam o conhecimento sobre as doenças e contribuem para o aprimoramento das tecnologias utilizadas na saúde.
Na Fundação Santo André, o curso de Biomedicina integra conhecimentos teóricos, atividades práticas e formação científica para preparar profissionais para diferentes áreas de atuação.
Combate ao preconceito
O medo do diagnóstico, a falta de informação e o preconceito em relação a determinados exames ainda podem levar homens a adiar consultas e investigações médicas.
Para a coordenadora, ampliar o acesso à informação científica é essencial para mudar esse cenário. “Cuidar da saúde é uma atitude de responsabilidade. O diálogo e a orientação médica ajudam a combater preconceitos e incentivam os homens a buscar atendimento quando necessário”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
