Folhas, sementes, insetos e fenômenos da natureza viraram objetos de investigação para crianças de 1 e 2 anos da Emeb Agostinho dos Santos, em São Bernardo. O que começou como curiosidade durante as atividades na área externa da escola se transformou em um projeto de pesquisa conduzido pela professora de Educação Infantil Renata Araujo de Souza.
A proposta, chamada “Infâncias em Estado de Pesquisa: As Poéticas do Pensar com a Natureza como Território de Descobertas”, parte da observação dos interesses manifestados pelos próprios alunos. Em vez de apenas apresentar respostas, Renata passou a criar situações para que os pequenos pudessem observar, tocar, comparar e investigar os elementos encontrados no ambiente escolar.

“Notei que, nos momentos de área externa, eles manifestavam curiosidade e interesse pelos elementos da natureza que havia ali nos espaços externos da nossa escola”, conta a professora em entrevista ao RDtv.
Segundo Renata, o trabalho foi construído a partir da chamada “pedagogia da escuta sensível”, em que o professor observa as manifestações das crianças e utiliza essas descobertas para planejar as próximas atividades. “Eles tinham de 1 a 2 anos de idade. Esse projeto nasceu de uma pedagogia da escuta sensível. A gente acredita que a criança, no espaço educativo, precisa ser acolhida em todas as suas múltiplas dimensões”, explica.
Durante as atividades, a professora atuava como mediadora das descobertas. Quando uma criança encontrava um elemento que despertava interesse, ela estimulava a investigação por meio de perguntas e diferentes materiais. Luvas e lupas, por exemplo, passaram a fazer parte das experiências. Os objetos recolhidos também eram levados para a mesa de luz, onde podiam ser observados de outras formas.
“Então, vamos descobrir: o que é esse pedaço? De onde surgiu isso? Vamos sentir a textura, vamos usar luvas para poder descobrir. E nisso, outras crianças também começaram a manifestar interesse”, relata.
As manifestações dos alunos também passaram a determinar os caminhos do projeto. Renata registrava as experiências e, a partir do que observava, criava novas propostas para ampliar o repertório das crianças. “A gente vai percebendo para poder fazer esse planejamento de acordo com a devolutiva das crianças. Eles iam me trazendo outras coisas que tinham interesse e eu ia ampliando esse repertório com novas propostas”, afirma.
As investigações incluíram fenômenos da natureza e também o contato com a literatura. Os livros passaram a ser utilizados como uma das ferramentas para ampliar as pesquisas iniciadas pelos próprios alunos.
“Exploramos desde fenômenos da natureza, que eles tinham curiosidade também, sempre utilizando como pesquisa a literatura. Eu, enquanto professora, sempre vendo a qualidade que eu ia proporcionar para os meus pequenos, porque isso é muito importante”, conta.
Para Renata, trabalhar questões ambientais desde os primeiros anos de vida também contribui para aproximar as crianças de temas como sustentabilidade e preservação da natureza. Segundo ela, os aprendizados ultrapassam os limites da escola e podem chegar às famílias
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
