O acordo entre a General Motors (GM) e os trabalhadores, a partir do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, terá seu anúncio formal ocorrendo após as eleições. Essa é a expectativa do presidente da entidade sindical Aparecido Inácio da Silva, o Cidão. Em entrevista ao RDtv dessa terça-feira (15/09), o sindicalista afirmou que o acordo válido pelos próximos quatro anos ocorreu em decorrência dos novos investimentos que serão anunciados pela montadora.
Os detalhes desse novo investimento na planta de São Caetano ainda não são conhecidos. A única certeza é que vão chegar à casa dos R$ 3,5 bilhões. “A perspectiva é que venham novos modelos, porque não há possibilidade de você manter a planta se você continuar com esses mesmos modelos. É que nós queremos que traga novos poderes para que haja segurança mesmo na manutenção da planta aqui em São Caetano do Sul.”.
O acordo firmado na semana passada garante que até 2029 o piso salarial e os salários serão reajustados pelo INPC, ou seja, pela inflação registrada em cada ano. A decisão de não buscar um aumento real acontece com a conquista do aumento do vale-alimentação que em 2029 chegará a R$ 1,5 mil, R$ 300 a mais do que o valor pago nesse ano.
“Então foi isso que nós chegamos a esses denominadores, inclusive abdicando em questão de 1% de aumento real, porque o VA de R$ 1.200,00 hoje representa muito mais dinheiro no bolso do trabalhador que se nós pegássemos 1% de aumento real.”, comenta Cidão. Além disso, a diferença de R$ 359,60 do VA, referente ao mês de setembro, será pago junto com o valor de outubro.

Outro ponto é a Participação de Lucros e Resultados (PLR), que conta com a previsão de alcançar a casa dos R$ 95 mil no período entre 2027 e 2030. O último ponto firmado é o pagamento de um abono único de R$ 1,5 mil. A previsão de pagamento é para o dia 20 de janeiro de 2027 e será voltado aos empregados horistas e mensalistas que atendem as condições previstas no acordo entre as partes.
Outros passos
O acordo feito com a GM não contou com a participação da Prefeitura de São Caetano, o que foi necessário em outras oportunidades, principalmente com a possibilidade de a montadora deixar a cidade antes do período da pandemia do Covid-19. Mas ainda existem pontos em debate com o Poder Público. Um deles é a disputa de terrenos com a construção civil. Cidão entende a necessidade de uma garantia desses locais para a indústria, garantindo emprego e renda.
O segundo ponto é a questão viária, principalmente para que o transporte da produção da cidade possa chegar as principais rodovias. “A avenida Goiás aqui é uma loucura para você desenvolver a produção, para entrar a produção, para desenvolver a produção. É uma avenida Paulista aqui no centro da cidade e a empresa está localizada dentro dessa situação. Então, já tem essa complexidade.”, inicia.
“Em 2017 o vice-presidente da GM me chamou até de macumbeiro, porque você parece que é macumbeiro, que você consegue manter a empresa aqui em São Caetano do Sul. Eu gastei, ele dando o exemplo, eu gastei ali do início da Goiás até chegar aqui no Portão 1 40 minutos.”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
