Atrasos na entrega da gasolina Podium e do Diesel S10 nos postos de combustíveis do ABC vem causando dores de cabeça para os revendedores. O relato é do presidente do Regran (Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do ABC), Roberto Leandrini Junior, em entrevista ao RDtv dessa terça-feira (15/09). A continuidade da guerra no Irã, o aumento do preço do barril de petróleo e a falta de produção nacional suficientes estão entre as justificativas.
O principal problema está com o Diesel S10, pois a gasolina Premuium é substituída pela gasolina comum. Segundo Roberto, pedidos feitos a distribuidora Vibra Energia superam a uma semana na entrega, o que vem causando a escassez do produto na região, o que por consequência colabora para o aumento do valor na bomba.
“Só para você ter uma ideia, 50% do diesel consumido no Brasil é importado, e por vários fatores, que aí a gente tem que colocar o fator da guerra (no Irã), hoje o barril está em torno de 110 dólares o barril, na bolsa, e também o problema que nós aqui no País, nós não temos refinaria para conseguir obter todo o consumo que nós temos para o território nacional. Nossas refinarias não dão conta.”, comenta.
Roberto também indica que existe um racionamento das distribuidoras em relação ao diesel, o que vem afetando algumas regiões como o Sul, local em que a Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul fez reclamações recentes. Com a continuidade dos conflitos no Oriente Médio, que chegam aos 200 dias nessa quarta-feira (16), existe um temor que o problema se agrave.
Valor

Outro ponto está no valor dos combustíveis na bomba. Roberto aponta que a alta não é culpa dos postos, mas sim das distribuidoras que estão cobrando um preço mais caro. Além disso, o subsídio pago pelo Governo Federal não compensa uma queda unificada no valor cobrado. E para o presidente do Regran, tal iniciativa tende a acabar após a eleição, independentemente do resultado da disputa presidencial.
A esperança está em um possível fim da guerra no Irã, o que colabora com a queda no preço do barril do petróleo no mundo e a consequente queda de preços nas bombas. Mesmo assim, entende que o Brasil precisaria de mais refinarias para que possa ter uma produção que sustente as necessidades nacionais levando em conta os investimentos históricos em rodovias ao invés das ferrovias para o transporte de carga.
Novidades
O fechamento de postos no ABC também coloca o Regran em alerta. A necessidade de investimentos em outros tipos de serviços que possam ser prestados aos clientes é uma das dicas para que as unidades possam seguir vivas.
“A gente sempre tenta orientar o revendedor a agregar outras coisas ao estabelecimento, para não viver só do combustível, como você falou, agregar uma lavanderia, agregar uma loja de conveniência, a loja de conveniência hoje, o posto que não tem uma loja de conveniência não consegue sobreviver, hoje 30% da margem de lucro de um posto de gasolina depende da loja de conveniência, ela bem trabalhada, e outras coisas, um salão de cabeleireiro, são diversos produtos, um restaurante, uma hamburgueria, isso a gente sempre procura parceiros para indicar para os nossos revendedores que agreguem esse serviço ao posto de gasolina, porque realmente depender só do líquido, só do combustível, vai ficar muito difícil de agora em diante.”, relata Roberto.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
