
Tendências já verificadas na Capital, de condomínios com apartamentos menores, do tipo studio ou de um dormitório, além dos apartamentos pensados para o público mais idoso, já começam a serem consideradas pelo setor imobiliário no ABC. Como o preço do metro quadrado em São Paulo torna os imóveis mais caros, a região passa a ser interessante para famílias com novos formatos. São casais sem filhos e com animais de estimação, que moram sozinhas e, ainda, o público 60+ que considera trocar uma casa grande por apartamento compacto com acessibilidade.
O Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) já acompanha a tendência na Capital e visualiza o crescimento dela para outras regiões do Estado, como o ABC. “Hoje os empreendimentos já são pensados para o público 60+, com mais áreas de convivência, com portas mais largas, para passar cadeira de rodas, e banheiro acessível. Por outro lado, de 10 anos para cá, surgiram unidades sem garagem, com lavanderia coletiva, que atendem solteiros e casais sem filhos. As construtoras também procuram soluções para espaços menores e, assim, tornar o imóvel mais acessível”, analisa José Augusto Viana, presidente do conselho.
Viana também aponta que há mais aparelhamento de áreas comuns, como áreas de convivência e os espaços PET já ganham tanta relevância quanto os playgrounds. O debate no setor, no entanto, é mais forte quando se trata de atender o público idoso. “Esse é um dos temas mais debatidos no Creci por conta do crescimento exponencial da população idosa”, aponta.
Adaptações de planta
Júlio Diaz Cabricano, presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradores do ABC), diz que ainda não há um estudo com o foco específico no público idoso para nortear investimentos, mas cita empreendimentos na Capital, que já têm adaptações de planta, porém estão em bairros onde o metro quadrado é mais caro. Cabricano acredita que essa segmentação deve chegar ao ABC.
“Em São Paulo conheço imóvel que em elevador onde cabe uma maca, tem mais áreas de convivência, há espaços comuns para sessões de fisioterapia e acessibilidade no apartamento com piso antiderrapante, barras de apoio e portas mais largas. Acho que isso deve acontecer aqui no ABC também, como também se vê potencial em atender casais sem filhos e quem tem animais de estimação . Também tem potencial a venda para a Geração Z, que quer morar perto de bares e comércio para fazer suas coisas com o menor deslocamento possível e aceitam unidades menores, até de um dormitório”, analisa Cabricano.
O representante das construtoras dia que na região, no entanto, para favorecer as vendas o modelo ideal é de torres com mix de plantas para atender diferentes públicos.
Para Flávia Schmidt, especialista em marketing imobiliário, a formação familiar mudou com casais que escolhem não ter filhos, pessoas que moram sozinhas, jovens à procura do primeiro imóvel e também unidades pensadas para idosos, que vivem mais e querem qualidade de vida. Por conta dessas situações as construtoras enxergam novos mercados.
“A população está envelhecendo melhor, com mais qualidade de vida, e o mercado tem oferecido produtos específicos. Esse segmento não era realidade porque o financiamento de imóvel leva anos de vida, porém o mercado passa por esse tema e o Secovi (Sindicato da Habitação) tem debatido muito o assunto. Como o brasileiro não troca de imóvel muitas vezes na vida, a gente ter esse público hoje é importante para o mercado”, comenta Flávia.
Modelos híbridos por enquanto
Porém, segundo entidades que representam o setor, ainda não dá para pensar em condomínio exclusivo para idosos como há alguns exemplos na Capital. Um modelo híbrido que comporte unidades para solteiros, famílias menores e plantas modulares e acessíveis que atendam idosos, bem como mais áreas de convivência, pistas de caminhada, salões de jogos e espaço para animais de estimação estão nos projetos novos.
“Os apartamentos studio e de um dormitório atendem os solteiros e os casais sem filhos. Também se pensa em imóvel familiar que pode ser adaptado para o idoso, com mais atenção às áreas comuns e de convivência e também uma planta interna que pode ser alterada”, aponta a especialista em marketing imobiliário.

O ABC, diz Flávia, tem muito potencial para atrair esses públicos pelo metro quadrado mais barato que na Capital, e com o mesmo padrão de acabamento. “A região tem sua particularidade, as cidades estão estruturadas e continuam em desenvolvimento. Santo André, por exemplo, teve mais lançamentos no primeiro semestre, São Caetano também oferece qualidade de vida e isso atrai o público de São Paulo. Isso não é um movimento passageiro, a região tem essa boa infraestrutura, emprego e preço”, aponta.
Plantas flexíveis devem dominar
As tendências, no entanto, oscilam muito mais rápido do que os empreendimentos conseguem acompanhar, portanto no lugar de imóveis exclusivos para certo público, a planta mais flexível, que atende vários tipos de consumidor deve dominar. Flávia Schmidt lembra da virada do mercado durante a pandemia da covid-19, quando famílias confinadas por conta da emergência de saúde consideraram mudar de apartamentos para casas com quintais, uma inversão do movimento anterior da busca pela praticidade e segurança dos condomínios.
“O mercado tem um ciclo longo, do projeto até a entrega do apartamento se leva no mínimo cinco anos e muita coisa pode mudar nesse período. Na pandemia, por exemplo, as casas cresceram em venda e as do interior foram muito ocupadas, porque fazia todo o sentido ter um espaço maior, pisar na grama. Mas por outro lado, o home office se tornou uma realidade permanente no mercado mesmo após a pandemia, o que mexeu com o desenvolvimento de produtos. O espaço de trabalho no apartamento ganhou relevância. Na compra de hoje a planta é significativa e tem de ter alternativas de adaptação e há muitos projetos de decoração que adaptam essas plantas mais modulares”, completa Flávia.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
