
O recente movimento de fechamento de lojas de grandes redes varejistas como Casas Bahia e Marabraz, tem assustado o restante do comércio na região, principalmente pelos motivos alegados que é a concorrência com as vendas pela internet. O raciocínio da maioria dos comerciantes é o de que; se está ruim para os grandes, pior para os pequenos. O pessimismo toma conta destes pequenos e médios empreendedores que se abrigam em suas lojas físicas ainda esperando o volume de clientes de antigamente surgir à sua porta, mas, em vez de lutar contra o e-commerce, o comerciante deve de alinhar a ele, como um suporte de vendas, até para garantir também o sucesso da loja física.
O que mais assusta os comerciantes é a concorrência como que é vendido pela internet e os preços praticados nas lojas virtuais. O e-commerce tem crescido assustadoramente numa taxa de 15% no útimo ano. Segundo a ABIACOMM (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-Commerce) em 2025 os números do comércio digital chegaram à sifra de R$ 235,5 bilhões no país, alta de 15,3% no faturamento. O tíquete médio é de R$ 536,6, ou seja, 8,98% acima do ano anterior. A previsão dessa pesquisa é que, até 2030, o volume vendido pela internet alcance R$ 379,31 bilhões.
O comerciante, então, deve buscar informação para estar em todos os canais de vendas e não ficar fora da internet, mesmo tendo loja física. A dica é do consultor de negócios do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) do ABC, Leonardo Suyama Tegg. O Sebrae tem uma série de cursos e até uma consultoria gratuita com pessoal especializado para tornar os negócios mais competitivos, tanto a loja física como a virtual.
“Esse crescimento da venda pela internet ocorre porque as pessoas se sentem hoje muito mais seguras para comprar pela internet e essa atração gera dificuldade para quem tem loja física. Atendi hoje mesmo clientes que me disseram que está difícil manter a loja aberta e que estão buscando vender online. Eu vejo que o comerciante deve buscar ter na loja física produtos de nicho, ou seja, oferecer algo específico para o pessoal da geração prata, por exemplo, ou plus size, se for vestuário. A vantagem do pequeno é ter um atendimento diferenciado, customizado e assim ele pode aumentar o tíquete médio do cliente, porque hoje não tem mais cliente fiel à loja, o lojista é que tem que ser fiel ao seu cliente. Se ele vender a mesma coisa que já tem na internet ele será mais um, em um mar de ofertas”, analisa Tegg.
Segundo o consultor, o erro está em continuar fazendo vendas da mesma forma que se fazia há 20 anos e também modernizar as lojas para tornar o ambiente mais agradável para o cliente. “O comerciante tem que ter um bom cadastro, entrar e contato, chamar para vir à loja e reativar essa carteira de clientes. Os cursos que o Sebrae oferece atende a todos os segmentos e as consultorias podem individualizar esse atendimento. O estilo de compra do consumidor mudou e se as grandes lojas estão quebrando, o pequeno empreendedor tem uma estrutura mais enxuta e pode trabalhar nos custos, na gestão do estoque e tem que estar no e-commerce. Não adiante dizer que sempre fez de um jeito e deu certo, pode dar, mas eu não tiraria a importância de ir para o digital também”, analisa Leonardo Suyama Tegg.
Mudar velhos hábitos nem sempre é fácil, mesmo com oportunidade de cursos e consultorias, não é fácil, diz o consultor do Sebrae, trazer o empreendedor para essas mudanças. “O micro e pequeno empresários são os heróis da economia, mas temos que despertar nele essa necessidade de mudança, senão muitos vão sumir. É preciso ter uma equipe preparada, motivada, saber delegar funções e reconhecer o bom trabalho. Com a ajuda do Sebrae o pequeno comerciante pode assumir risco calculado, aumentar sua rede de contatos com outras empresas, aumentando o seu networking, porque outros podem estar passando pela mesma dificuldade e compartilhar a solução”, conta.
“Não vejo o fim da loja física, mas vejo necessidade de mudança. Hoje as lojas são muito iguais, é preciso que o cliente se sinta atraído para entrar e há projetos fantásticos como o que temos em parceria com o Senac (Serviço Social do Comércio), com as consultorias. Certamente se um de nós passarmos em frente a uma loja de material de construção bem montada e atrativa, vamos lembrar que precisamos de alguma coisa para casa, isso gera gatilho de compra. Um cliente nos falou que tinha um produto que vendia sempre na média, foi só ele alterar a foto que ele tinha na internet usando uma inteligência artificial para melhorar, que o produto passou a bombar em vendas. É isso que tem que acontecer”, completa o consultor.
O Sebrae do ABC, vai ter o curso presencial de Marketing Digital, nos dias 27, 28 e 29 de outubro, das 18h às 22h30 em Santo André, que é aplicado por consultores. O investimento é de R$ 315 que pode ser parcelado. Nele serão abordadas as formas de atrair o cliente através dos canais digitais, como Facebook, Instagram e Whatsapp. No dia 26/10, às 10h, em parceria com o Sincomércio ABC acontece o curso de Loja do Futuro, também em Santo André na sede do sindicato. Esse curso tem uma sequência voltada para a venda digital no dia 3/11, às 10h, com o tema Inteligência Artificial aplicada no varejo. Esses dois cursos são gratuitos.
Também é gratuita a consultoria que é dada pelo Sebrae juntamente com o Senac. Nessa consultoria o comerciante escolhe um dos três temas (avaliação de loja, cliente oculto ou visual merchandising) e os técnicos vão até o endereço e fazem a avaliação e um plano para aquela loja. Mais informações em https://agenda.sebraesp.com.br/grandeabc .
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
