
Sangra, dói, incomoda, limita a rotina, não deixa sentar direito e pode até sujar a roupa íntima. Mesmo assim, muita gente prefere conviver com os sintomas a procurar um médico por medo de ouvir que pode ser caso de cirurgia.
A doença hemorroidária é bastante comum, mas ainda cercada de vergonha, desinformação e, principalmente, medo. Muitos pacientes passam anos com uso de pomadas por conta própria, evitam falar sobre o assunto ou simplesmente aprendem a conviver com o desconforto.
Uma revisão científica publicada em 2025, que reuniu dados de mais de 8,9 milhões de vítimas em 45 países, estima que cerca de 26% da população mundial apresenta doença hemorroidária.
“Existe uma ideia de que, se a pessoa tem hemorroidas, em algum momento obrigatoriamente terá de passar por uma cirurgia. Mas o que muitos não sabem é que existem diferentes graus da doença e várias possibilidades de tratamento”, explica Andre Augusto Pinto, cirurgião geral e do aparelho digestivo da Clínica Gastro ABC.
Quando as hemorroidas precisam de tratamento?
As hemorroidas são estruturas normais do corpo e ajudam no controle da evacuação. O problema acontece quando esses vasos e tecidos aumentam, inflamam ou descem em direção à saída do ânus, o que provoca os sintomas.
Entre os sinais mais comuns estão sangramento, coceira, dor, inchaço e a presença de um caroço ou tecido que pode sair pelo ânus, principalmente durante a evacuação.
As hemorroidas podem ser internas, externas ou mistas. As internas são divididas em quatro graus, que vão desde aquelas que permanecem dentro do ânus até as que saem pelo ânus e não conseguem mais voltar sozinhas.
A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas e das características do quadro. Em casos mais leves, mudanças de hábitos podem ajudar, como aumentar o consumo de fibras e água, evitar fazer força para evacuar e reduzir o tempo no vaso sanitário. Permanecer sentado por longos períodos, algo que pode acontecer quando a pessoa fica mexendo no celular durante a evacuação, também deve ser evitado.
Quando essas medidas não são suficientes, existem procedimentos que podem ser realizados sem uma cirurgia tradicional. Um exemplo é a ligadura elástica, em que um pequeno anel é colocado na hemorroida para interromper o fluxo de sangue e fazer com que ela diminua.
A cirurgia costuma ser considerada principalmente nos casos mais avançados ou quando outros tratamentos não apresentam o resultado esperado.
Quando a cirurgia é indicada?
Quando o procedimento é necessário, existem diferentes técnicas. A escolha leva em conta o grau da doença, os sintomas e as características de cada paciente.
Hemorroidectomia
É uma das técnicas mais conhecidas e consiste na retirada das hemorroidas. Pode ser indicada principalmente para casos mais avançados. É um procedimento eficaz, mas a recuperação pode ser mais desconfortável.
Hemorroidopexia com grampeador
Nesse procedimento, o objetivo é reposicionar o tecido que sofreu prolapso, ou seja, que saiu da posição normal. Em pacientes selecionados, pode proporcionar uma recuperação mais confortável do que a retirada convencional.
Técnicas minimamente invasivas
Também existem procedimentos que procuram reduzir o tamanho das hemorroidas ou controlar o sangramento com menor agressão aos tecidos. A indicação varia conforme o quadro e deve ser feita pelo especialista.
“Hoje temos diferentes opções e conseguimos escolher a técnica de acordo com o problema de cada paciente. Por isso, o mais importante é não decidir pelo tratamento com base no medo ou em relatos de outras pessoas. O que funcionou para um paciente pode não ser a melhor opção para outro”, explica o médico.
Segundo Andre Augusto Pinto, o medo da cirurgia pode fazer o problema persistir. Adiar a consulta por vergonha ou medo pode fazer com que o paciente permaneça por muito tempo convivendo com sintomas que poderiam ser tratados.
“Hemorroida tem tratamento. O primeiro passo é procurar um especialista para entender a causa dos sintomas e qual é a melhor alternativa. Conviver com sangramento, dor e desconforto não precisa fazer parte da rotina”, afirma o médico.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
