A escuta ganha destaque na campanha do Setembro Amarelo do CVV (Centro de Valorização da Vida), que escolheu o tema “Escutar é estar presente” para reforçar a importância da atenção e do acolhimento a pessoas em sofrimento emocional. A instituição recebe diretamente mais de 5 mil ligações por dia em todo o Brasil, número que revela a demanda por um espaço seguro para falar sobre solidão, angústias e dificuldades.
Voluntário do CVV, Carlos Correia explica, em entrevista ao RDtv, que a procura pelo serviço ocorre por diferentes motivos, desde perdas familiares, financeiras e profissionais até situações de solidão e isolamento social, em alguns casos, a pessoa busca apenas alguém com quem possa conversar. O voluntário compara esse acúmulo a dificuldade de comunicação a um copo que, aos poucos, fica cheio, e nesse sentido, a escuta representa uma forma de “esvaziar o copo” e oferece espaço para que a pessoa exponha sentimentos e angústias antes que a situação se torne ainda mais difícil.
A campanha deste ano parte da ideia de que nem sempre quem sofre precisa de respostas ou soluções prontas. Por vezes, encontrar alguém disposto a ouvir com atenção, respeito e sem julgamentos já representa uma forma importante de apoio.

A rotina acelerada, as distrações constantes e as relações cada vez mais mediadas pela tecnologia reduzem os espaços de conversa e convivência. Ao mesmo tempo, muitas pessoas lidam com sentimentos de solidão e angústia sem encontrar um ambiente seguro para falar sobre o que sentem. “O nosso trabalho é ouvir. Não é dar conselho, não é dizer o que a pessoa tem que fazer. É oferecer aquele espaço para que ela possa falar”, explica Correia.
O CVV não oferece tratamento psicológico ou psiquiátrico. O trabalho dos voluntários consiste em proporcionar uma escuta acolhedora, respeitosa e sem julgamentos. As conversas são sigilosas e anônimas, sem gravação das ligações ou identificação do usuário. “Essa postura também pode fazer parte das relações cotidianas. Familiares, amigos, colegas de trabalho e vizinhos podem exercer esse papel ao reservar alguns minutos para uma conversa atenta”, comenta.
Voluntariado
A manutenção da rede de atendimento depende do trabalho de cerca de 3 mil voluntários em todo o país. Pessoas com mais de 18 anos podem se candidatar, desde que tenham disponibilidade e preparo emocional para a atividade. O processo inclui capacitação e seleção antes do início dos plantões. As inscrições podem ser feitas pelo site do CVV, na opção “Seja Voluntário”. Após a formação inicial, os participantes também passam por atividades de capacitação e atualização.
De acordo com Correia, o compromisso habitual é de um plantão semanal de três horas, com opções de horários pela manhã, tarde e noite. A função exige preparo para ouvir sem transformar a conversa em aconselhamento profissional. O voluntário não faz diagnóstico, não prescreve tratamento e não determina soluções para os problemas apresentados por quem procura o serviço. No ABC, o CVV conta com unidades físicas em Santo André, São Bernardo e São Caetano.
Atendimento pelo 188
O principal canal de atendimento do CVV é o telefone 188, gratuito e disponível 24 horas por dia. A chamada é direcionada de forma automática para um voluntário disponível em qualquer parte do país. A instituição também oferece atendimento por chat e e-mail pelo site oficial. A parceria entre CVV e Ministério da Saúde para o serviço pelo 188 existe desde 2015. A expansão começou em 2017, com a implantação em diferentes Estados, até alcançar todo o território nacional em 2018. Antes do número nacional, o atendimento ocorria por telefones regionais, como o 141, além de números locais.
Com 64 anos de história em 2026, o CVV mantém uma rede de apoio emocional baseada na escuta e no acolhimento. Quem precisar conversar pode procurar o serviço pelo telefone 188 ou pelo site do CVV.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
