
O mapeamento e a identificação dos bens culturais das sete cidades foram tema de seminário promovido pelo Consórcio ABC e pelo Escritório do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) no ABC. Realizado no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica entre as instituições, o encontro reuniu especialistas para avaliar o cenário atual da preservação na região e discutir metodologias para ampliar o reconhecimento de referências culturais do território, bem como ações de capacitação e difusão de informações.
A abertura contou com a participação do secretário-executivo do Consórcio ABC, Gilmar Viana. Na sequência, a arquiteta e urbanista Sandra Malvese, especialista em Projetos e Políticas Públicas da entidade regional, contextualizou a ação no âmbito do Acordo de Cooperação entre as entidades, e o coordenador do Escritório CAU/SP no ABC, arquiteto e urbanista Licio Lobo apresentou o papel institucional do CAU/SP. O encontro também incluiu três palestras sobre diferentes aspectos das políticas de patrimônio cultural.
O secretário-executivo do Consórcio ABC ressalta que o patrimônio cultural é parte da identidade do ABC e precisa ser compreendido de forma integrada ao planejamento das cidades. “Este seminário amplia o diálogo entre os municípios, os profissionais da arquitetura e urbanismo, as universidades e as instituições que atuam na preservação, para que possamos identificar, registrar e valorizar diferentes referências culturais do território. A atuação regional é fundamental para construirmos políticas de patrimônio mais abrangentes e conectadas à realidade das sete cidades”, afirma.
A primeira exposição, “Estado da Arte do mapeamento dos bens tombados e de interesse arquitetônico e urbano no ABC”, foi conduzida pela arquiteta e urbanista Silvia Passarelli, professora da Universidade Federal do ABC (UFABC). Em sua apresentação, Silvia destacou o patrimônio cultural como expressão da identidade e da memória coletiva. O diagnóstico aponta diferenças entre os municípios na organização e disponibilização de informações sobre bens protegidos e a necessidade de ampliar e sistematizar os inventários municipais.
Na sequência, o arquiteto e urbanista Enio Moro apresentou a palestra “Aspectos metodológicos para identificação de bens culturais aplicados à realidade do ABC”. O especialista defende a ampliação do conceito de patrimônio para além do objeto isolado, com referências relacionadas às práticas sociais, ao patrimônio imaterial, às paisagens culturais e aos lugares de concentração cultural. Entre as propostas apresentadas estão inventários participativos, plataformas digitais georreferenciadas, identificação de “cones visuais” e perspectivas de interesse na paisagem, roteiros culturais e ações voltadas ao patrimônio moderno e industrial.
O seminário contou ainda com a palestra “Panorama das ações do CAU/SP na área de Patrimônio Cultural”, apresentada pela arquiteta e urbanista Bruna Fregonezi, da Comissão Especial de Patrimônio Cultural (CPC-CAU/SP). A exposição abordou instrumentos e programas voltados ao fortalecimento da atuação profissional na área. A apresentação também destacou a articulação do CAU/SP com órgãos públicos por meio de Acordos de Cooperação Técnica, além da participação em conselhos municipais de preservação, do acompanhamento de territórios e edifícios sob risco e da fiscalização do exercício profissional no campo do patrimônio histórico.
Após as palestras, os participantes realizaram uma dinâmica para detalhar as ações previstas e definir os próximos encaminhamentos da discussão. A atividade abordou a integração entre arquitetura, urbanismo, memória e planejamento territorial nas políticas de patrimônio cultural do ABC.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
