Os fundos sociais de solidariedade mantêm, em 2026, uma estrutura de apoio a milhares de famílias em situação de vulnerabilidade no ABC, com distribuição de alimentos, roupas, cobertores e outros itens básicos. Ao mesmo tempo, as cidades ampliam ações de capacitação profissional, geração de renda e empreendedorismo, em uma tentativa de oferecer alternativas que ultrapassem o atendimento emergencial.

Os números não podem ser somados para formar um total regional, pois as prefeituras utilizam critérios e períodos distintos para contabilizar os atendimentos. São Bernardo informa mais de 10 mil famílias beneficiadas pelas ações do Fundo Social. Santo André alcança mais de 55 mil pessoas por meio de uma rede de 128 instituições cadastradas e registrou média de 9.702 famílias por mês alcançadas pelas ações do Banco de Alimentos e da Santo André Solidária em 2025.
Ribeirão Pires atendeu 3.720 famílias em 2025, contra 3.024 em 2024, alta de 23%, enquanto Rio Grande da Serra atende atualmente entre cinco e 10 famílias por dia e registrou 6.300 famílias atendidas em 2025.
Alimentos e itens básicos seguem as principais demandas
Em São Bernardo, os donativos chegam às famílias por meio de OSCs (Organizações da Sociedade Civil), entidades e equipamentos da rede de proteção social, como CRAS, CREAS, CRAM e Centro POP. O Fundo Social também mantém campanhas de arrecadação e projetos voltados à formação profissional e ao bem-estar.
A Campanha de Inverno arrecadou 86 mil peças em 2025 e já havia ultrapassado 50 mil peças em 2026 até julho. As campanhas de Páscoa do Bem de 2025 e 2026 somaram mais de 42 mil caixas. Desde 2025, eventos com entrada solidária promovidos ou apoiados pela Prefeitura resultaram em 108 toneladas de mantimentos destinados ao Banco de Alimentos. O município também ampliou o Cabide Solidário, que permite às famílias escolher roupas, calçados e outros itens. Em 2026, a iniciativa ganhou uma versão itinerante para alcançar regiões mais afastadas e instituições que desenvolvem trabalho social.
Em Santo André, a atuação ocorre por meio de 128 instituições cadastradas. A Santo André Solidária destinou mais de 1,2 milhão de itens entre 2024 e julho de 2026, entre roupas, cobertores, calçados, brinquedos, materiais escolares e outros produtos de primeira necessidade. O Banco de Alimentos também integra a estrutura de apoio. Em 2025, as instituições impactadas pelo Banco de Alimentos e pela Santo André Solidária alcançaram, em média, 9.702 famílias por mês, ante 9.270 em 2024.
Procura por capacitação ganha espaço
A demanda por cursos profissionais aparece como uma das principais mudanças apontadas pelas prefeituras. Em Ribeirão Pires, a procura por capacitação e formação profissional foi a que mais cresceu nos últimos anos. O Fundo Social oferece cursos em parceria com instituições, como Senai, Sebrae e Senac, com foco na inserção, reinserção no mercado de trabalho e geração de renda.
O município mantém, ao mesmo tempo, o atendimento emergencial com cestas básicas, roupas, calçados e cobertores. Após o primeiro acolhimento, famílias que precisam de acompanhamento contínuo são encaminhadas para serviços como CRAS, CREAS ou Conselho Tutelar.
Em Rio Grande da Serra, a procura por cursos profissionalizantes também supera o crescimento das demais modalidades. O Fundo Social oferece formações em áreas como cuidador de idosos, banho e tosa, corte e costura, beleza, panificação e artesanato, entre outras. O município distribuiu 9.700 benefícios em 2025 e contabiliza 5.475 em 2026 até o momento. Entre os auxílios estão cestas básicas, cesta verde, roupas, agasalhos, cobertores, kits de roupas infantis e Kit Maternidade.
Assistência busca ampliar autonomia
A mudança de perfil aparece também nas estratégias dos municípios. Em Santo André, a Escola de Ouro Andreense ampliou o foco da qualificação profissional para áreas como empregabilidade, empreendedorismo e geração de renda. A iniciativa também conta com parceria com a Escola do Trabalhador 4.0, com conteúdos voltados às competências digitais. São Bernardo mantém projetos de formação profissional ao lado das ações de assistência e ampliou os mecanismos de apoio às organizações sociais. Em 2026, uma nova legislação municipal passou a permitir o repasse de recursos financeiros captados pelo Fundo Social para OSCs cadastradas.
Em Ribeirão Pires, o Fundo Social aponta como desafio alcançar pessoas que precisam de auxílio, mas não procuram os serviços por vergonha ou dificuldade de acesso. A Prefeitura afirma que busca simplificar os processos de acolhimento e fortalecer parcerias para ampliar o atendimento.
Rio Grande da Serra também aponta a manutenção dos estoques de alimentos e itens básicos como um dos principais desafios. Ao lado da assistência emergencial, a cidade aposta na capacitação como caminho para ampliar as possibilidades de autonomia das famílias.
As prefeituras de São Caetano, Diadema e Mauá não responderam até o fechamento da reportagem.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
