O coronel reformado da Polícia Militar, Paulo Nishikawa (DC) quer voltar à Assembleia Legislativa e prega a valorização das forças de segurança e o compromisso dos eleitos com votos locais pelo desenvolvimento da região. Aos 77 anos de idade ele diz que está com a cabeça boa para trabalhar e vai se esforçar na campanha que se avizinha. Ao RD Cast, o pré-candidato diz que vai defender no Legislativo Paulista, se eleito, o aprimoramento do sistema de monitoramento de homens acusados de violência doméstica. Na sua opinião, na situação em que o agressor usa tornozeleira eletrônica, o sistema de monitoramento deve emitir um alerta para a vítima em caso de aproximação dele. Essa medida daria a chance à vítima de se proteger e chamar a polícia, e não apenas a polícia ser alertada.
Nishikawa já foi deputado entre 2019 e 2022 e relatou algumas propostas que tentou emplacar na área de segurança e na área de prevenção de acidentes e socorro, já que comandou os bombeiros no ABC, além da atuação no policiamento, onde também chegou a comandar batalhões na região. O pré-candidato conta ter sugerido a introdução nas escolas de matéria que ensinasse as crianças a fazer primeiros socorros e também como agir para combater um incêndio em seu início, medidas que ele diz que poderiam salvar vidas. As ideias não obtiveram apoio para se tornar leis.
“Eu propus, mas não seguiu adiante, que alunos do ciclo inicial aprendessem primeiros socorros e combate inicial a incêndio para que não se propague; crianças de 7 anos de idade que entendam de respiração para fazer a ressuscitação e tem também várias manobras que você pode usar no caso de engasgamento e salvar uma vida”, relatou Nishikawa, sobre os projetos que não prosperaram.
Janaína Paschoal
Nesta eleição de 2022, Nishikawa tentou vaga na Câmara Federal e não foi eleito. O pré-candidato prevê que essa eleição para deputado estadual será mais difícil, pois quando foi eleito se beneficiou pelo efeito da votação recorde da deputada Janaína Paschoal (PL) e conquistou a vaga pelo quociente eleitoral.
“Fomos convidados por alguns partidos e não estavam me despertando muito a vontade de sair candidato novamente, pois já estou com 77 anos e pesa um pouco na parte física, mas aceitamos um convite que veio de forma graciosa. Estou retomando alguns contatos e o pessoal está aceita bem. A partir de domingo vamos rodar para ter um pouco mais de visibilidade. Na primeira eleição foi atípica, pois a Janaína Paschoal carregou oito deputados, ficaram três de fora porque não atingiram cláusula de barreira. O resultado da Janaína surpreendeu até ela mesma, pois tinha acabado de acontecer o impeachment da Dilma e isso fez ela ficar muito conhecida. Nessa eleição dificilmente vai ter isso de novo”, analisa Nishikawa.

O ex-deputado que agora tenta novamente o posto no Legislativo estadual diz que sua filiação ao DC vai facilitar a eleição diante do quociente eleitoral menor do partido. No PL calcula que seriam necessários 200 mil votos para ser eleito e no DC 35 mil. “Essa é a diferença”, resume sobre a escolha do partido.
Ao usar o mesmo exemplo de Janaína Paschoal que teve muitos votos inclusive na região, Nishikawa critica a situação de candidatos forasteiros que buscam votos no ABC sem nunca terem atendido qualquer demanda ou mesmo vindo até a cidade. Também critica os deputados da região que ajudam outras regiões com emendas na busca de ampliar o potencial de votos. “O candidato que é daqui tem de priorizar o atendimento aqui, o que não acontece, atende fora para ter votos fora. Eu fiz questão de mandar emenda para todas as cidades do ABC, fui em todas as câmaras municipais para saber a necessidade de cada município”, cita.
O pré-candidato a deputado estadual pelo DC diz que áreas, como segurança, educação, saúde e agronegócio precisam de muita atenção por parte da Assembleia Legislativa, mesmo o ABC não que a sua economia não esteja voltada ao agro. “Pudemos ajudar pessoas na área da saúde que, por mais que se invista, é precária; na segurança pública idem pois temos até crime organizado atuando na região e tem também a educação. Na nossa região não temos tanto agronegócio, mas o investimento que o governo faz é bem pouco, pífio diante da importância que temos como exportadores de produtos do agronegócio”, opina o coronel.
Proerd
Nishikawa lembra da sua atuação enquanto comandante de batalhões na região e a implantação de iniciativas que hoje estão em todas as cidades, como o Proerd (Programa de Resistência às Drogas) iniciativa da Polícia Militar que vai até os colégios e ministra aulas de orientação aos estudantes, o patrulhamento com bicicletas em áreas específicas, entre outras iniciativas.
“O Proerd foi implantado em São Bernardo e São Caetano primeiro. Na época, entre 1995 e 1996, o pessoal do Estado não queria ver pessoas fardadas nas escolas e a gente teve dificuldade, passei a mandar os policiais com uniforme de educação física para as escolas. Procurei escolas particulares que aceitaram e quando o pessoal do Estado viu como chamava a atenção das crianças passavam a nos procurar. Hoje exigem que vá fardado e está em todas cidades”, descreve o oficial da PM.
Nishikawa aponta erros e acertos do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Existe a muralha eletrônica para ter monitoramento por câmeras, isso fecha o cerco e haverá perseguição para o criminoso seja preso. Mas, na nossa região ainda falta efetivo, é difícil colocar policiais na rua, não sei se é falta de interesse da população em servir como policial ou se é falta de dinheiro para contratar. Para formar um soldado leva pelo menos um ano de treinamento, então não é fácil formar. Ao mesmo tempo muita gente dá baixa e vai embora para empresas, que pagam mais e oferecem menos risco e tem capitão dando baixa por falta de incentivo salarial. Se não investir no homem não se tem um feedback bom. A gente questionava enquanto deputado o efetivo e o salário e essas serão de novo nossas pautas”, promete.
Questionado sobre porque a bancada da segurança pública, que elegeu vários deputados nas últimas duas eleições, não conseguiu pressionar por melhores condições para os policiais, Nishikawa diz que o governo é difícil de ser convencido. “Quando o governo bate o pé não tem como demover principalmente na questão salarial, a não ser que tenha todos os partidos juntos, mas não se tem unanimidade na assembleia”, diz Nishikawa.
Por ter atuado grande parte da sua carreira como bombeiro, o ex-deputado diz ter lutado pela independência da corporação da PM, com todos os benefícios, mas não conseguiu, porém em contrapartida foram conquistados investimentos importantes, que descreve como os maiores em 30 anos. Porém, Nishikawa cita perdas, como o fim dos convênios dos Bombeiros com as prefeituras. “Consideraram inconstitucional, pois o Estado é que deveria custear e o fim dos convênios tirou muito investimento, inclusive na alimentação”, recorda-se.
Mulher
Nishikawa recorda da aprovação do Protocolo Não se Cale, no qual os bares, restaurantes e casas noturnas devem ter pessoal treinado para atuar em casos de violência contra a mulher para acolher a vítima. O pré-candidato quer agora ampliar essa atuação, sugerir lei para que o sistema de monitoramento aponte para a mulher se o homem agressor está por perto. O cruzamento dos dados de georreferenciamento fica com a PM, e uma viatura é destacada se o agressor que usa tornozeleira eletrônica se aproximar da mulher.
Segundo Nishikawa, a mulher tem de ser avisada também para se proteger e acionar a polícia também. “A (lei) Maria da Penha não atende mais a demanda. Quem pediu a proteção devia ter mecanismo para saber se ele está perto para ela poder denunciar”, destaca o coronel que diz ainda que vai colher opiniões para aperfeiçoar essa proposta. O pré-candidato também diz que orientações sobre violência doméstica também poderiam fazer parte do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência).

Consórcio deveria ouvir
Sobre a política regional, Nishikawa diz que é necessário que o Consórcio Intermunicipal ouça também o que os candidatos têm a dizer. “Com a saída de indústrias da região muitos galpões estão para alugar, tem de começar a retomar para ter mais investimento. O consórcio deveria chamar todos os candidatos ou eleitos para saber o que vão fazer pela região. Tem prefeito que faz pouco caso. Nunca fui chamado pelo Consórcio”, diz o ex-deputado.
Ao comentar o clima da pré-campanha para o Executivo estadual e o primeiro debate entre os candidatos Tarcísio de Freitas, que tenta se reeleger, e Fernando Haddad (PT), Nishikawa critica a polarização e o radicalismo de ambos os lados. “A polarização da esquerda e da direita não leva a nada, a população quer ser servida. O debate é do governo do Estado e eles começam a debater partido, a população quer saber o que vão fazer por São Paulo, tem que por o programa de governo. Detesto radicalismo; não é bom. Infelizmente debate dessa natureza coloca a figura política acima dos interesse da população”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
