A prefeitura de Santo André anunciou, na última semana, intenção de requalificar o Centro da cidade, o que envolve a rua Coronel Oliveira Lima, os espaços de cultura e lazer da região central, com interligação da Casa da Palavra com o museu e o Cine Theatro Carlos Gomes. A prefeitura está realizando um processo de escuta dos moradores para entender melhor os fluxos de pessoas que passam por essa região e também vai ouvir empresas e comerciantes estabelecidos no Centro, para chegar ao melhor projeto. A verba já está garantida e a ideia é que as obras comecem já no próximo ano com prazo para ficarem prontas em meados de 2029.
Para falar do projeto Novo Centro, o secretário de Infraestrutura e Obras de Santo André, André Scarpino, participou do RDCast desta segunda-feira (21/09) e disse que a intenção é trazer mais pessoas para o Centro da cidade que anda mais vazio nos últimos tempos diante da mudança de perfil de compras, realizadas mais pela internet.
“Estamos falando de toda a região central, o Centro da cidade não se resume apenas à Oliveira Lima, a gente precisa pensar em toda a infraestrutura verde, o que a gente tem, ou seja, fazer com que o Centro volte a ser destino. Começamos a ver algumas possibilidades e conseguimos aderir a uma ata de projetos e estudos do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura) e já demos início a esse grande estudo para toda a região central e para pensar a cidade de uma forma diferente, na construção de um planejamento urbano”, diz o secretário que destaca que trata-se de um projeto que atravessa de forma transversal diversas áreas da prefeitura, como Obras, Mobilidade e Segurança.
“Não basta pensar só na Oliveira Lima, tem que pensar no trânsito para quem vem do segundo subdistrito. Pensar no que pode ser feito na José Amazonas ou na Perimetral, ou seja, todos esses projetos estão sendo pensados. Intervenções de várias secretarias, mas precisa que tudo esteja alinhado.
Através do endereço www.santoandre.sp.gov.br/novocentro é possível fazer sugestões ao projeto. Essa escuta pública visa estabelecer o melhor projeto para movimentar mais o Centro. “A escuta nasce da necessidade da gente saber como essa pessoa se desloca para a Oliveira Lima, quem a usa, quando tempo permanece, o que essa pessoa faz e qual é a sua idade. Vamos traçar um pouco do perfil de quem utiliza a Oliveira Lima. Num segundo momento, vamos soltar uma pesquisa com os comerciantes para saber o que eles pensam e o que faria sentido para eles, como querem ver a Oliveira Lima”, diz Scarpino.

Baseado em dados de que muitas das vendas na plataforma Mercado Livre têm Santo André como destino, Scarpino cita a mudança do jeito do consumidor de comprar. Nesta linha é quer criar atrativos e mais conforto para o consumidor visitar o Centro de Santo André. “O Centro está esvaziado e depois das seis horas da tarde para tudo e à noite não tem vida”, comenta.
Segurança
Segundo o secretário, na prévia dos estudos que estão em andamento as pessoas contam que não acessam o Centro por se sentirem inseguras, mas não é só isso que afasta o público. “Uma prévia dos nossos estudos é a falta de segurança que afasta as pessoas, outra é a condição das calçadas e o mobiliário urbano. Esses dias eu, caminhando na Oliveira Lima, vi que não tem onde se sentar e os poucos lugares que tem estão degradados. Tem também uma questão de limpeza, de programação. Quando a gente olha para o mapa da região Central se vê três ou quatro pontinhos de área verde. Pessoas perguntam se vamos fazer outra cobertura, e vamos manter. A gente quer trazer a modernização mas manter as características históricas da cidade”, diz o secretário.
Esta semana começa a pesquisa junto aos comerciantes através da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André). “Queremos entender o que eles pensam sobre a requalificação. É projeto bem audacioso que não trata só da questão urbanística, trata de incentivos fiscais, mobiliário, uma série de estudos para uma política de atração e de permanência”, diz o secretário.
Corredor cultural
Uma das formas de atrair público que a prefeitura estuda é fomentar a cultura, seja através do museu da avenida Senador Flaquer que está em reforma, através da interligação de equipamentos como a Casa da Palavra com o Cine Theatro Carlos Gomes, recém reformado.
Dentro da proposta de melhorar o aparelhamento urbano a prefeitura avalia se o melhor é reabrir o trecho da Senador Flaquer que foi fechado ao trânsito e outra proposta seria aumentar as áreas de calçamento para pedestres e reduzir o trânsito de veículos, porém isso significa abrir bolsões de estacionamento e outras alternativas viárias. Uma coisa que está em andamento é a negociação com a Enel para enterramento da fiação na avenida.

“Uma coisa que o prefeito já falou é aterrar os fios, na Oliveira Lima vai ser inteira (só uma parte é hoje) e vamos levar isso para a Senador Fláquer também, fazer dela uma rua compartilhada onde se aumenta o espaço para as pessoas e diminui a passagem de carro, mas ao mesmo tempo precisamos de bolsão para estacionar. Tudo que se quer fazer gera uma consequência e por isso precisa ser uma política pública integrada”, diz Scarpino que também considera que o projeto deve oferecer atrativos não apenas para negócios se fixarem no Centro, mas também incentivar a moradia.
Orçamento
Scarpino diz que já há recursos garantidos para essas grandes intervenções no Centro de Santo André. “Tínhamos um recurso aprovado pela Câmara, pegamos financiamento do Desenvolve SP para a revitalização do Córrego Taioca na divisa com São Bernardo, foram R$ 116 milhões, mas, pela parceria com o Governo do Estado o nosso projeto acabou contemplado na estrutura deles; ganhamos a obra e os R$ 116 milhões estamos realocando em projetos na cidade, um deles é o da Oliveira Lima e região central”.
O secretário de Infraestrutura e Obras andreense busca inspiração em cidades que já enfrentaram esse desafio de modernizar os centros urbanos. “Na Europa as grandes lojas estão nas ruas, mas lá tem ruas compartilhadas, algumas fecham em determinada hora e viram centros gastronômicos, a gente quer trazer isso para cá, mas adequado à nossa realidade. Tem a questão da atratividade dos preços dos lojistas e a gente quer discutir isso com eles também”.
Segundo a previsão de Scarpino, as obras devem ser entregues em meados de 2029. “A escuta vai até outubro, o projeto vai até o meio do ano e depois sai o projeto básico para fazer a licitação. Ano que vem começam as obras que devem durar de um ano a um ano e meio porque é um grande pacote de obras”.
Paralela às obras, a prefeitura quer fomentar empreendimentos tornando o Centro atrativo para empresas oferecer alguma forma de incentivo e também passa pela proposta a padronização de fachadas. Scarpino adianta que além do projeto do Centro a prefeitura espera investir R$ 1 milhão de reais também em em outros bairros da cidade. “Não posso dar spoiler sobre isso, mas a ideia é planejar a cidade já pensando no projeto do Metrô, para depois não ter que refazer, temos que ter esse cuidado como recurso público”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
