
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que poderá romper o contrato de concessão das linhas de trem 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, da região metropolitana da capital, caso a concessionária Trivia Trens não cumpra os termos do acordo. Uma falha elétrica e um incêndio em um vagão da Linha 12 causaram transtornos aos passageiros dos três ramais na quinta-feira (23/7).
A circulação dos trens das três linhas da Trivia foi interrompida temporariamente após uma falha no fornecimento de energia entre as estações Brás e Sebastião Gualberto. Um foco de incêndio foi registrado em uma das composições na altura da Estação Bresser-Mooca.
Não houve feridos, mas passageiros abriram as portas dos vagões, saíram das composições e caminharam pelos trilhos para deixar o local. Eles também precisaram atravessar trechos suspensos e pular muros para chegar até a rua.
Em nota, a Trivia Trens pediu desculpas, afirmou que teve como prioridade a segurança e a integridade física dos passageiros e que o restabelecimento do serviço ocorreu com a maior celeridade possível. A empresa também declarou que investigará as causas da ocorrência. “A Trivia Trens reitera que sempre cumpriu com todas as suas obrigações contratuais em todas as fases de transição dos serviços concedidos até a presente data, de forma estruturada, transparente e cooperativa”, diz a nota.
Durante evento público em Ourinhos na quinta-feira (23), Tarcísio afirmou que a Trivia deveria ter se preparado melhor para assumir as linhas na terça-feira (21). “Acho que a empresa precisa se preparar melhor para assumir esse encargo, esse ônus. É inaceitável o que aconteceu no dia de hoje. A gente não vai tolerar, porque toda vez que você raciocina em conceder o serviço público, você faz isso na intenção de melhorar o serviço, nunca para desassistir o cidadão”, afirmou.
Segundo Tarcísio, não seria possível que a Trivia resolvesse em três dias um problema de décadas de falta de investimentos, e seria desonesto afirmar o contrário. Por isso, o governador disse que não se arrepende de ter realizado a concessão.
“Agora, óbvio, se a empresa não conseguir cumprir com aquilo que está previsto em contrato, ela vai ter as sanções e a gente não vai hesitar em algum momento de tirar a empresa do contrato e decretar caducidade”, completou Tarcísio.
Desde o início da gestão privada dos ramais, na terça-feira (21), as três linhas apresentam problemas. Após os incidentes de quinta-feira (23), o governo estadual e a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) decidiram que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltará a operar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e o Serviço Expresso Aeroporto pelo período de 90 dias.
De acordo com André Isper, diretor-presidente da Artesp, a CPTM possui corpo técnico, estrutura operacional e equipes preparadas para atuar, contribuindo para a continuidade do serviço e para a redução dos impactos aos passageiros.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
