O sétimo mês do ano conta com a campanha de conscientização sobre o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), o Julho Laranja. Especialistas participaram do RDtv desta sexta-feira (24/07), para falar dos principais desafios e pontos de atenção para o diagnóstico, e a luta da comunidade atípica. A estimativa é entre 3% e 8% da população brasileira possua este transtorno.
A campanha deste ano acabou recebendo um reforço do Congresso Nacional, com a aprovação na Câmara dos Deputados de um projeto de lei que institui a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com transtornos de Neurodesenvolvimento, com um foco maior em pessoas com dificuldades de aprendizagem. Tal proposta, que segue para o Senado, é vista como um avanço na busca de um cenário maior para levar tal especialidade para todos que vivem com este transtorno.
“A nossa expectativa é que essa lei, na prática, tenha uma proposta muito positiva. No entanto, há necessidade de expandir as necessidades que ali já estão expostas no artigo, então, esse projeto-lei, ele vem descrever, de uma forma mais abrangente, o que a lei 14.254/21 já está trazendo, mas que ainda precisa ser trabalhada. Vamos dizer assim, ela vai ser desenvolvida, implementada.”, comenda a neuropsicóloga e coordenadora do Núcleo Especializado em Aprendizagem do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (NEA-FMABC), Alessandra Caturani.
Uma das principais lutas está para a atenção aos sintomas para evitar um diagnóstico considerado tardio, o que pode gerar consequências graves para que tem esse transtorno.
“O protocolo fala que todos os sinais e sintomas deveriam estar presentes antes dos 12 anos. O que acontece, se eu falar em ideal, dos cinco aos oito anos, com a maturação da terceira camada do córtex do cérebro, você tem um processo de maturação, de amadurecimento das camdas que fazem parte da memória. Então, essas coisas de esquecer, de atenção, ficam muito nítidas entre cinco e oito anos. Mas podem não acontecer todos os sinais e sintomas.”, explica Rubens Wajnsztejn, professor titular em Neurologia Infantil da FMABC.
Sintomas e Histórico

O TDAH é estudado desde 1902. Desde então passou por diversas nomenclaturas e entendimentos sobre seu sintoma. Rubens explica que atualmente é debatido um nome diferente para o transtorno, pois em alguns casos o déficit de atenção não acontece em atividades em que a pessoa consegue um nível de concentração maior, assim gerando mais motivações.
O transtorno é dividido entre o déficit de atenção e a hiperatividade. Alessandra explica que no caso do déficit de atenção é necessário entender quando a falta de atenção acaba atrapalhando a vida daquela pessoa. Ao chegar nesse estágio, é necessário a procura por um especialista.
“Na escola, quando a gente pensa, por exemplo, a tente tem pacientes que a gente avalia no Núcleo, que eles realizam o trabalho que eles precisam entregar, mas eles esquecem de levar, ou eles levam para a escola, mas esquecem de entregar. Então, se o mediador, se o professor não está ali mediando, às vezes passa desapercebido.”, comenta.
A atenção ao comportamento em sala de aula, por exemplo, também pode ajudar no diagnóstico da hiperatividade. Rubens explica que a comparação com o comportamento dos demais alunos pode apontar um caminho para que aquela criança ou adolescente tenha que ser levado para um especialista.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
