O coronel Fernando Carvalho Ricardo, que há cerca de 40 dias assumiu o comando do CPA-M6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6) território que corresponde às sete cidades do ABC, diz que as operações Impacto e ABC Mais Seguro, vão continuar. Ele destaca a importância desta concentração de policiais em determinada cidade, no sentido de tornar a polícia mais presente e aumentar a sensação de segurança da população e também ser uma demonstração de força da corporação frente à criminalidade.
O oficial da PM participou do RDCast desta segunda-feira (20/07), apresentado pelos jornalistas Airton Resende e Carlos Carvalho e falou também sobre o uso da tecnologia como grande parceira da polícia, das ações da polícia contra crimes como roubos de aliança, combate a pancadões e o atendimento às mulheres vítimas de violência.
Carvalho tem como diferencial comandar uma região que ele conhece muito bem. O policial é nascido em Santo André e grande parte da sua atuação na PM foi no ABC. Antes de ser nomeado comandante na região, o coronel comandava o 6° Batalhão, responsável pelas cidades de São Bernardo e São Caetano. “Ser do ABC é uma vantagem, por conhecer a área, e uma desvantagem, porque a cobrança é maior, como tem que ser. Quero poder responder à altura as expectativas e as cobranças”, diz.
Carvalho diz que as operações especiais, que concentram em cada cidade sede da operação grande número de efetivo policial, vão continuar. Ele diz que operações de inteligência e aquelas organizadas juntamente com o Ministério Público ocorrem todas as semanas, mas, por estratégia, não têm grande divulgação. Já as operações Impacto e ABC Mais Seguro têm como objetivo aumentar a sensação de segurança e demonstrar a força e organização da PM. “As operações miram a guerra da informação, o crime usa para amedrontar o cidadão e a polícia usa para transmitir tranquilidade, mostrar a polícia na rua. É uma demonstração de força, quanto mais demonstra força para o oponente menos combate se propicia, muitos (criminosos) desistem do intento. Vamos continuar com elas, a polícia precisa ser forte e não vai retroagir nenhum milímetro frente ao crime”, anuncia.
Estrutura
Sobre a estrutura que tem à sua disposição no CPA, Carvalho conta que a região tem cerca de 3 mil policiais, cerca de 20% a menos do que o fixado em lei, porém na média do déficit da PM em todo o Estado. “Eu diria que o efetivo é coerente com o número de ocorrências e com o orçamento estatal. Mais polícia, como também mais professores e mais médicos, custam mais dinheiro. O déficit existe, mas está controlado eu diria que o número de policiais existentes é suficiente para combater a criminalidade”, analisa.
Segundo o coronel, uma das formas de manter a capilaridade das forças de segurança é contar com o apoio das Guardas Civis Municipais. Ele aponta que há um concurso em andamento no Estado para mais 4 mil policiais, mas em tese cobriria o número de policiais que saem da corporação. “O número se mantém estabilizado, mas a percepção de segurança não é a mesma. Que bom que a população quer ver a polícia nas ruas, é como uma empresa em que as pessoas querem ver meu produto na prateleira”, diz o comandante.
Roubos
Como a sociedade, a criminalidade também muda. Crimes como roubos a banco são cada vez menos frequentes, e o dinheiro circula virtualmente e o canal mais usado é o celular, por isso ele é o objeto de desejo do crime. “Para combater o roubo de celulares que tem um potencial ofensivo real, e que nos assusta muito, temos colocado todo dia o máximo de viaturas nas ruas, as motos da PM ficam rondando os pontos de ônibus e essa é uma luta diária. É um crime muito crítico, recomendo muito cuidado com o celular, aplicativos, com o computador pois temos muitos criminosos atuando virtualmente.
Outro crime muito frequente ultimamente é o roubo de alianças, uma modalidade de crime que cresce porque os receptadores desse ouro derretem as alianças e fica difícil estabelecer a origem daquele produto. “Esse crime tem apresentado tendência de alta. Trata-se daquele criminoso que a gente já tem combatido, de moto com garupa e com arma na cintura, no mesmo modus operandi do roubador de celular. E não é só a aliança, mas como também outras joias que despertam interesse em que o receptador derrete e não há mais como provar a origem ilícita.
Furtos
Os crimes de furto demonstram preocupação grande do coronel da PM, pois além de aumentarem a sensação de insegurança trazem prejuízos materiais inclusive para instituições públicas como escolas e postos de saúde. Para Carvalho, o furto não cai, porque os criminosos são presos e logo colocados em liberdade.
“A quantidade de reincidentes no crime de furto é grande. São presos pela terceira, quarta, quinta vez, seja furtando fios, botijão de gás, torneiras, janelas, que são postos em liberdade em curto espaço de tempo e são presos pela PM cometendo o crime novamente. Eu vejo a legislação leniente em relação a isso. O furto de fios pode promover a suspensão de aulas por dias e causa prejuízo para uma comunidade”, comenta.
Videomonitoramento
O uso de tecnologias como a de câmeras que fazem reconhecimento facial e de placas de veículos, levantando informações que são cruzadas com os bancos de dados da polícia, potencializa muito o trabalho policial, segundo Carvalho, que elogia as prefeituras da região na implantação de sistemas ou que já fazem uso dele.
“A chave do sucesso está na tecnologia. Não vamos conseguir contratar mais pessoal, investir em gente, investir em tecnologia é a chave do sucesso. Eu cito como exemplo o Smart Sampa, na Capital e na região o que tem mais eficiência é o SmarSanca, em São Caetano. Santo André também avança muito nessa área; São Bernardo está implantando e Rio Grande da Serra dando primeiros passos. Trata-se de um software que cruza imagens com banco de imagens e esse cruzamento rápido de faces e placas de carro permite mais eficiência da polícia”, explica o comandante.
Fernando Carvalho diz que a PM está presente em todos os centros municipais de monitoramento por câmeras e esses policiais dão o alerta via rádio para as viaturas.
“Temos policiais militares em todos esses centros municipais, quando o sistema dá um alerta de veículo roubado ou sujeito procurado o PM pega o rádio e avisa as viaturas da região e vai dizendo qual sentido está tomando, vai acompanhando pelas câmeras até que ele seja localizado. Quanto mais câmeras ligadas ao sistema, se faz uma teia, pois temos diversos imóveis capazes de manter um monitoramento contínuo. Há comunicação entre os sistemas das prefeituras de forma que se vem um carro descendo a avenida Pereira Barreto, ele acaba preso em São Bernardo, e no sentido contrário também. Eu diria que os centros de monitoramento complementam o Copom (Comando de Policiamento), onde toda a ligação para o 190 da região metropolitana é atendida”, diz o comandante da PM no ABC.
A vantagem dos sistemas de monitoramento é o compartilhamento das informações. “Os centros municipais complementam o trabalho, porque estão integrados, não concorrem nem competem, ajudam nosso trabalho. As imagens são compartilhadas com o Muralha Paulista (Sistema de monitoramento do governo do Estado)”, explica o comandante.

As câmeras corporais também fazem parte de praticamente todos os acessórios que os policiais utilizam. Segundo o comandante, em uma viatura há pelo menos um policial com a câmera corporal. “Sou a favor das câmeras corporais, que vieram para ficar, pois são um ponto importante para a transparência da polícia. Temos diversas situações que o policial foi colocado como tendo atitude incorreta, mas ao ver as imagens da câmera foi provado que a atuação foi correta”, analisa Carvalho.
Feminicídios
Pelo menos sete mulheres foram mortas em crimes classificados como feminicídio este ano. O comandante do ABC confirma, em números, a alta da violência contra a mulher. “Hoje temos muitos acionamentos por descumprimento de medida protetiva. Em alguns casos ocorre pelo alerta da tornozeleira eletrônica e em outros pelo próprio acionamento da vítima. No ABC, a PM é a instituição pública que mais atende violência contra a mulher; só em São Bernardo atendemos entre 330 a 360 chamados por mês só de violência contra a mulher”, enumera.
O comandante diz, ainda, que as ocorrências deste tipo passam na frente das demais. “Temos priorizado isso na nossa tela de chamada e, em hipótese alguma, a mulher deve deixar de informar a violência. Precisamos educar melhor a nossa população não é normal que homem se sinta possuidor da mulher e entenda que possa bater ou matar. Legislação já está bastante dura, mas temos de trabalhar na educação”, diz o coronel.
Para Carvalho o registro da violência contra a mulher aumenta mas a realidade não é nova. “Não acredito em aumento, acredito que estamos tirando os fantasmas de dentro do armário; a violência contra a mulher sempre ocorreu e isso não é mais aceito. Estamos treinando e buscando uma requalificação do nosso policial para que ele entenda e acolha essa mulher. Mais importante do que prender o criminoso é socorrer na viatura ou pelo SAMU. Atender bem e acolher a mulher vítima de violência faz a diferença”, diz o coronel.
Para Fernando Carvalho todos os policiais estão preparados para atender casos de violência contra a mulher e sempre que possível uma policial acompanha essas ocorrências.
Pancadão
Um problema frequente na região e que afeta diretamente a população é o pancadão, ou bailes funk, que são festas clandestinas de rua. Segundo o comandante da PM, a percepção é de que as reclamações diminuíram. “Não disse que foram zerados, esse barulho, desordem e bloqueios de vias públicas ainda persistem todos os finais de semana em todos os municípios e isso tem sido combatido com ações conjuntas”, explica.
A estratégia da PM é ocupar os espaços antes que o pancadão tenha início. “Quando está instalado não dá para chegar jogando bomba em todo mundo. A gente vai lá e ocupa antes. O melhor trabalho tem sido em Diadema, o 24° Batalhão tem feito ocupação e tem conseguido bons resultados”, destaca.
Metas
Dentre as metas com a segurança pública na região, Carvalho também quer aumentar a disponibilidade de recursos materiais e também melhorar as condições das companhias da PM tanto para a melhoria do atendimento ao público como para dar mais conforto e melhores condições de trabalho para os policiais.
Através de recursos do Estado, Carvalho disse que várias das viaturas que estavam paradas por problemas mecânicos logo estarão rodando. Ele diz que busca verba de emendas parlamentares para melhorar as instalações das unidades da PM. “Aguardamos a licitação para diminuir o percentual de veículos parados por problemas mecânicos. Quanto às instalações o objetivo é melhorar as condições do policial para que, bem assistido, ele possa dar um trabalho de melhor qualidade”, completa. Assista a entrevista !
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
